
> Os hidrocarbonetos só foram utilizados como fonte de energia generalizada, por mero erro histórico. Penso que na história conhecida da Humanidade, não foi o único, mas até agora, foi o maior. Não vale, pois, de nada falarmos deste paradigma ou tentar justificá-lo, seja de que maneira for. Foi um tremendo erro, e, ponto final.
Foi e ainda está a ser uma enorme desgraça para todos, com as excepções conhecidas.
Ninguém precisa portanto de justificar seja o que for para defender as energias provenientes de outras origens. E há, felizmente, bastantes. Uns, gostarão mais de umas, outros, de outras, o que, diga-se, considero muito desejável por razões múltiplas e óbvias.
Eu sou defensor do Hidrogénio como fonte de energia generalizada, até porque, só ele se enquadra no modelo de desenvolvimento que preconizo para o futuro da Humanidade, como o desejo e pelo qual pugnarei enquanto viver. Mas isto não anula quaisquer das outras formas de energia. Acho que são todas necessárias e complementares. Por força das características de cada uma, haverá sempre utilizações específicas em que uma(s) será(ão) mais adequadas que outras. Isto para mim é mais que “pacífico”. Mas, o que está em causa é saber qual delas responde melhor às múltiplas necessidades da humanidade em termos genéricos e no particular de cada uma das utilizações previstas.
Eu considero que quanto à finalidade haverá que considerar dois grupos distintos: o dos sistemas fixos e o das unidades móveis.
No caso dos sistemas fixos eu até “dou de barato” a primazia à energia eléctrica. Atenção: Desde que esta tenha origem em sistemas não poluentes!
Já quanto à alimentação de unidades móveis, com toda a franqueza, não vejo como é que é possível defender-se a electricidade, ou melhor, qualquer outra forma de energia versus hidrogénio, com a excepção de utilizações muitíssimo peculiares.
Esqueçamos a produção do hidrogénio através de formas lesivas do ambiente, concentremo-nos na electrólise. O caminho que há a percorrer, entretanto, é imenso e qualquer dispersão de valores é fazer o jogo dos nossos adversários.
Não é preciso atingirmos já o “céu”. Demos passos pequenos, mas concretos! Só que para que isso nos seja autorizado é imperativo combatermos este stato quo de pilantras, ladrões, vampiros económicos e tiranos. São eles os nossos verdadeiros adversários.
A economia é condicionada pelos poderes financeiros que por sua vez dominam o mundo dos petróleos e ambos controlam a seu bel-prazer todas as decisões políticas dos governos que nós, papalvos, julgamos que são nossos, eleitos por nós, nossos representantes, etc.,etc.,etc.,… ahahah! Dirão eles.
De nada interessará estarmos aqui a discutir a têmpera do aço que devemos utilizar nas cabeças dos motores a hidrogénio, se nem sequer me deixam incorporar um pouquinho de hidrogénio na mistura gasosa do meu carro, tal qual está, para que eu possa consumir metade do combustível deles, que hoje consumo. E esta é que é a realidade, meu caro Nelson Cruz. Indivíduos sérios, como o senhor e tantos outros que felizmente existem, nada poderão fazer se não conseguirmos que a opinião geral imponha uma alteração radical desta “ordem energética”.
A Humanidade tem que se consciencializar que existem diversas soluções para que estes desequilíbrios chocantes entre ricos e pobres sejam menores e razoáveis. Eles terão sempre que existir em certa medida, mas mantê-los no estado em que estão (e até com tendência para se agravarem) é aviltante e retira-nos qualquer laivo de dignidade como participantes nesta trágico-comédia vida da Humanidade, deste grão cósmico a que chamam Terra.*Cronista residente






6 pauladas:
Caro Jorge Cabral, infelizmente escapou-me a crónica que escreveu a 20 de Agosto, só agora a li e às respectivas respostas...
Desta vez, em vez de escrever mais um testamento sobre o assunto -> hidrogénio versus electricidade <- deixarei aqui (espero que o administrador do Blog não se importe) uma lista de atalhos para que quem tiver real interesse sobre o assunto se possa informar melhor e decidir por si próprio.
Não tenho qualquer intenção de fazer publicidade ao "Site Inovação Tecnológica" mas creio que os seus artigos são de fácil leitura e é uma das minhas fontes de informação.
Atalhos, dentro da respectiva categoria, ordenados por data.
Produção de hidrogénio:
Produção de hidrogênio utilizando energia solar atinge 70% de eficiência - 31/07/2007
Bactéria geneticamente modificada vira fábrica de hidrogênio - 12/02/2008
Hidrogênio é gerado a partir do ácido fórmico, com uso direto em automóveis - 16/05/2008
Hidrogênio biológico poderá ser produzido a partir do esgoto - 22/10/2008
Descoberta forma de produzir hidrogênio sem gasto de energia - 09/02/2009
Aço inoxidável substitui platina na produção de hidrogênio - 16/04/2009
Raios laser quebram molécula de água e produzem hidrogênio - 07/07/2009
Armazenamento de hidrogénio:
Esfera de 1 centímetro consegue carregar até meio litro de hidrogênio - 03/09/2007
Buckyballs são capazes de conter volumes de hidrogênio tão densos que ele será quase metálico - 24/03/2008
Protótipo de tanque de hidrogênio minimiza problema da evaporação - 11/06/2008
Químicos descobrem nova forma de purificar o hidrogênio - 16/03/2009
Tanque de combustível do futuro armazena até 10% de seu peso em hidrogênio - 23/03/2009
(continua...)
Caro Humberto,
Seja bem vindo.
Obrigado pela sua prestimosa colaboração.
Feliz ou infelizmente já há coisas de mais escritas a respeito das energias renováveis e o hidrogénio não foge há regra.
Pena é que não haja uma ténue correspondência disso no campo das concretizações.
Um abraço
Caro Humberto,
Seja bem vindo.
Obrigado pela sua prestimosa colaboração.
Feliz ou infelizmente já há coisas de mais escritas a respeito das energias renováveis e o hidrogénio não foge à regra.
Pena é que não haja uma ténue correspondência disso no campo das concretizações.
Um abraço
2.ª tentativa de envio (houve um erro de envio durante a 1.ª tentativa mas ainda assim pensei que tivesse conseguido mas, pelos vistos, não)
aqui vai então a continuação:
Células de combustível:
Novo catalisador aumenta eficiência de células a combustível em 90 vezes - 29/01/2007
Células a combustível ganham eletrólito milhões de vezes mais eficiente - 11/08/2008
Criada a menor célula a combustível do mundo - 14/01/2009
Nanotubos podem substituir platina em células a combustível - 12/02/2009
Baterias:
Bateria quântica: físicos exploram uma nova fonte de energia - 12/03/2009
Baterias feitas com vírus estão a um passo de chegar ao mercado - 06/04/2009
Bateria a ar pode armazenar até 10 vezes mais energia que baterias de lítio - 19/05/2009
Baterias de imprimir são finas como papel e pesam menos de um grama - 06/07/2009
Finalmente,
condensadores:
Pilhas e baterias podem ter primeiro avanço significativo em 200 anos - 15/02/2006
Engenheiros criam uma bateria melhor - com plástico - 05/10/2006
UltraBateria dá novo impulso a veículos híbrido-elétricos - 25/01/2008
Capacitores flexíveis e adaptáveis podem ser alternativa a baterias - 08/09/2008
Surge uma alternativa às baterias: Nanocapacitores eletrostáticos - 31/03/2009
São apenas alguns exemplos de artigos pois muito mais há para ler não só neste mas também em muitos outros sites ou revistas da especialidade...
Como essas notícias linkadas pelo Humberto revelam, os próximos anos reservam-nos grandes avanços a nível de energias alternativas. E tudo começou no ano passado. Os preços elevados dos combustíveis dirigiram muita atenção para as alternativas, e sobretudo investimento. Por exemplo, em 2007 era completamente IMPENSÁVEL que a americana General Motors tentasse vender a marca Hummer, um ícone americano dos últimos anos, e apostasse o futuro da empresa num veículo eléctrico. Em finais de 2008 estava a fazer isso mesmo! A certa altura o último stand de vendas da Hummer em Las Vegas encerrou, sendo substituído por um stand da SMART. Um colossal sinal de viragem dos tempos.
Os preços elevados dos combustíveis, por muito que nos pesem na carteira, fizeram mais pela "causa" do que qualquer preocupação ambiental. De repente, investimentos que antes não tinham qualquer hipótese de viabilidade económica passaram a tê-la, ou ficaram tão perto que já vale a pena arriscar. Coisas que estavam a ser desenvolvidas em lume brando, passaram de repente a prioridades máximas. Talvez mais incrível ainda, a OPEP e restantes países produtores de petróleo, que durante décadas conspiraram para manter o preço baixo o suficiente para tornar inviável qualquer alternativa, aparentaram ser completamente incapazes de o evitar.
Foi por isso que, ao contrário da maioria das pessoas, até fiquei triste quando o preço do petróleo começou a descer. Senti que o futuro ia ser adiado mais uma vez. Felizmente várias marcas automóveis continuam a prometer para breve veículos eléctricos. Por mim comprava já hoje um, se estivessem disponíveis e a preços competitivos. São tão eficientes que até os podíamos alimentar exclusivamente com estações termoeléctricas a carvão e mesmo assim poluir menos que os carros a gasolina ou diesel, pelo menos a nível de CO2. E isto sem contar com os grandes investimentos que todos os estados estão a fazer em energia eólica, solar, etc.
Quanto ao hidrogénio, infelizmente a tecnologia actual não consegue competir nem com a eficiência nem com a facilidade de armazenamento da energia em baterias. Creio que só a Honda está a avançar já para a comercialização de um carro a H2, e isto apesar de várias outras andarem a "brincar" com protótipos H2 há vários anos. Isto espelha a diferença de viabilidade entre as duas tecnologias. Mas como se vê nestas notícias, há vários investigadores a fazerem grandes promessas nos dois campos. Vai ser uma "luta" interessante entre as duas tecnologias. :)
Convém de facto ir educando o público e os políticos para a existência destas possibilidades, e a necessidade de investir nelas. Com a economia a recuperar e o petróleo a subir novamente, também isso irá ser muito mais fácil!
Caro Nelson,
O seu comentário é perfeito. Abordou um conjunto de vertentes cruciais nesta saga da luta pela energia do futuro.
Tenho pena que os centros de excelência a quem competiria ter hoje respostas cientificas muito mais úteis, tenham andado distraídos desde há décadas a esta parte. Agora presenciamos algum desnorte e muito atabalhomanto. Até que definam os rumos certos ainda vai demorar. Por isso existe tanta hesitação, tanta opinião contraditória, tanta falta de método na busca de uma solução, seja ela considerada intermédia ou definitiva.
Como diz e bem "brinca-se" quando a sistematização e o pragmatismo já deveriam estar um pouca mais consolidados.
Assiste-se a uma dispersão indesejável que acabará por atrasar a tomada de decisões imprescindíveis.
Os próprios "media", através dos quais a sociedade civil se faz ouvir, não têm ninguém especializado neste sector e quando dizem alguma coisa ou é asneira ou lugar comum.
Temos que utilizar os meios de que dispomos para acordar a sociedade e ensinar-lhe que estará na resolução deste problema a resolução de alguns dos "cancros" de que hoje padece a Humanidade.
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