
Carmindo Mascarenhas Bordalo*
O VICE-PRIMEIRO MINISTRO LOUÇÃ?
O jornal "i" noticia hoje que "Sócrates admite alianças à esquerda", concretizando que isso passará por um acordo com o Bloco de Esquerda.
Não houve muita clareza nas palavras de Sócrates à Antena 1. Mas não há dúvida que essa é a interpretação mais provável, além de que a gente do "i" está sempre muito próxima das hostes socratinas e, por isso, deve saber do que fala com tanta certeza.
Do arrazoado do "i" resulta que não se pensa em coligação mas em acordo parlamentar. O que é indiferente para a questão mais importante: existe o risco de o governo de Portugal depender de uma força de índole trotskista.
O Bloco de Esquerda é uma força política construída dos restos do PSR, da UDP e da etérea Política XXI. Defende uma política fiscal penalizadora do investimento privado, não reconhece o papel fundamental do sector privado na saúde e na educação (como se não existissem), quer implementar o casamento e a adopção por pares homossexuais, considera que a legislação penal deve ser mais premissiva, preconiza leis do arrendamento que em todo o mundo só conduziram à falta de casas (pois com elas, tratando os senhorios como ladrões, ninguém se atreve a arrendar as suas casas) e quer voltar às nacionalizações e aos prejuízos por elas acarretados.
O programa eleitoral do Bloco de Esquerda contém mesmo passagens que são dignas dos Monty Python ou de momentos de delírio febril. Transcrevem-se algumas:
- "...o consumo de carne em Portugal é excessivo, a produção de gado é a principal causa da desertificação e da poluição dos rios e contribui mais para as alterações climáticas que o sector dos transportes. Se a roda dos alimentos aconselha a que 5% das calorias que se ingerem venham da carne, peixe e ovos e se em Portugal a dieta real atinge os 15% nesta categoria, não há razão para atribuir 40% dos subsídios a este sector" (ai de quem não for vegetariano como Louçã; há que educar este povo que não sabe comer);
- "Todos os cães e gatos devem receber microchip" (medida sem a qual não sairemos da crise, claro)
;- "Fim do uso de animais nos circos" (certamente condição para a recupração económica);
- "Fim de rodeos..." (problema que em todo o mundo leva a convulsões sociais e em Portugal nem se fala...);
- "Fim da produção de ovos por galinhas de bateria (criação intensiva)" (sob pena de o capitalismo nos destruir a todos);
- "...crescente taxação da entrada de automóveis nos maiores perímetros urbanos" (se não vai a bem, vai a mal!);
- "O planeamento urbano assenta no modelo de família nuclear, onde a mulher está predestinada para a vida familiar e o homem para a actividade profissional" (até as ruas e vielas são reaccionárias, camaradas!!);
- "Promoção da cultura da partilha do trabalho doméstico e do cuidado com as crianças" (afinal a liberdade de organização familiar é só para gays!!);
- "É essencial a valorização das migrações enquanto enriquecimento de repertórios culturais; deve ser fomentada a utilização de novas tecnologias e o desenvolvimento de modalidades inovadoras de comunicação externa, sem esquecer o seu cariz instrumental face à missão de cada instituição/equipamento" (???);
-"introdução de uma taxa fixa sobre a comercialização dos produtos e tecnologias de acesso à internet..." (como as taxas ainda são tão poucas...);
-"A utilização comercial dos produtos culturais (em estabelecimentos ou em novos produtos, mas também por via de novos intermediários que fazem negócio com a sua disponibilização) deve remunerar autores e intérpretes, mas a utilização e difusão não-comercial responde a um princípio diferente, o da difusão da cultura" (era uma vez os direitos de autor);
- "DIREITOS DAS LÉSBICAS, GAYS, BI-SEXUAIS E TRANSGENDER" (título garrafal, destacadíssimo num manifesto eleitoral e que contém o que já se imagina);
- "Alargamento da possibilidade de adopção e acolhimento de crianças por parte de todos os cidadãos e cidadãs,sem nenhuma exclusão baseada na orientação sexual, dependendo unicamente de escolha com base no critério da capacidade parental" (Sra. Professora, estes são os meus papás!)
- "...fim da OMC, do FMI e do BM..." (medida para a qual o governo de Portugal tem, evidentemente, toda a competência);
- "...nostalgia luso-tropical..." (ah passado de um raio!)
- "estratégias imperiais e agressivas da NATO e dos EUA" (com o Brejnev é que havia paz!)
- "Portugal deve sair da NATO e pugnar pela extinção deste e de todos os blocos militares" (força, força, companheiro Louçã);
E é com isto que José Sócrates admite acordos de governo!
Se não é a favor que controlem e critiquem o que come, se não quer programas eleitorais que ocupem páginas e páginas a falar de bicharada ou com locubrações pseudo-intelectuais sem sentido e se pensa que a família e o seu bolso ainda são um valor a preservar, enfim, se preza a sanidade mental, não vote PS, pois os socialistas querem viver em união de facto (nem de propósito...) com quem assim pensa.
*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente






1 pauladas:
Não percebo o que tem, concretamente, contra cada uma das medidas propostas que aqui enumera (mas gostava de ler os seus argumentos) e se pensa, sinceramente, que não é já controlado o que come - e com critérios que pouco têm a ver com a qualidade... e muitas outras coisas, deve haver por aí muita distracção.
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