

Férias
Férias são férias. Uma série de dias, consecutivos de preferência, sem horários a cumprir, refeições a preparar a horas certas, crianças mandadas para a cama porque no dia seguinte há uma enormidade de deveres a cumprir. Corolário de um ano de trabalho, de um ano de estudo, de um tempo, por vezes, sem tempo para nada.
Férias. Que podem ser passadas em casa, num acordar preguiçoso, uma saída tardia, uma viagem de comboio que se goza de maneira diferente de todas as viagens de comboio que se fazem no resto do ano. Uma ida à praia sem a preocupação do trânsito e dos mosquitos, o preparar de uma refeição que é indiferente que comece às 22h porque não há obrigações de despertador no dia seguinte. Férias para relaxar, descansar, fazer o que nos der na real gana. Por vezes penso que fazemos pouco isto. E precisamos. A mente precisa, o corpo também. De férias. Pensamentos mais leves, roupa a condizer, chinelo no pé e aquela ideia que temos ainda uma eternidade até sermos chamados a cumprir, executar, obedecer, realizar. Já passei férias em imensos lugares, sozinha e acompanhada, com trabalho – outros trabalhos – e sem trabalho nenhum. E de todas as vezes, a perspectiva do tempo de férias faz-me sempre sorrir. É talvez a única altura do ano em que nada me é pedido. Ou será a altura em que nada peço a mim mesma? Acho que é isso que estou prestes a descobrir.
Até Setembro J*Cronista residente






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