
> O actor Morais e Castro faleceu hoje vítima de cancro, no Instituto Português de Oncologia, onde se encontrava internado. O actor tinha 69 anos e, para além das artes, foi também advogado e dirigente do Partido Comunista Português (PCP). Em 2006, fez 50 anos de carreira.
José Armando Tavares de Morais e Castro nasceu em Lisboa a 30 de Setembro de 1939. Foi actor, encenador e licenciado em Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Crescido num ambiente familiar que privilegiava a cultura, Morais e Castro começou a frequentar o teatro desde pequeno e estreou-se no palco com o Grupo Cénico do Centro 25 da Mocidade Portuguesa quando ainda era estudante do liceu.
Apesar de a sua paixão ter sido sempre o teatro, o pai foi peremptório em relação à licenciatura. “O meu pai, além de advogado, também tinha uma costela ligada ao teatro (…) mas, conhecedor da vida, foi peremptório, dizendo-me: "Está bem, se é isso que queres. Mas continuas a estudar. Não somos ricos e a única coisa que te posso deixar é um curso".”, explicou, numa entrevista dada à Sociedade Portuguesa de Autores.
Em Julho de 1964, quando terminou a licenciatura com 24 anos, já tinha contracenado com Carmen Dolores, Armando Cortez, Fernando Gusmão, Armando Caldas, Glicínia Quartin, Paulo Renato, no Teatro Moderno de Lisboa. Nessa companhia integrou o elenco de várias peças entre as quais "O tinteiro", de Carlos Muñiz, e "Humilhados e Ofendidos", de Dostoievski, onde obteve grande sucesso.
“O TML foi a minha formação universitária em teatro”, disse na mesma entrevista, acrescentando que foi uma pedrada no charco no panorama teatral português. Ficou na companhia entre 1961 e 1965, quando terminou. Em 1967 fundou o Grupo 4 no Teatro Aberto com Irene Cruz, João Lourenço e Rui Mendes. “Um grupo fundamental na História do Teatro Português”, admitiu o actor. No Grupo 4 representou vários autores como Peter Weiss, Brecht, Peter Handke e Boris Vian e encenou "É preciso continuar", de Luiz Francisco Rebello.
Em 1985 integrou o elenco da comédia "Pouco Barulho", com Nicolau Breyner, passando depois pela Companhia Teatral do Chiado. Aí, ao lado de Mário Viegas, integrou o elenco de "À espera de Godot", de Samuel Beckett.
Em 2004, dirigido por Joaquim Benite, interpretou "O fazedor de teatro", de Thomas Bernard, com a Companhia de Teatro de Almada, que lhe valeu a Menção Honrosa Crítica nesse ano. Participou ainda nas décadas de 1980 e 1990 em novelas e séries portuguesas de televisão. Entre 1996 e 1998 popularizou-se ainda na interpretação do professor em "As lições do Tonecas". Outro grande êxito na tv foi a série "Patilhas & Ventoinha" tendo interpretado textos originais de Ruy Andrade, dos 'Parodiantes de Lisboa'.
Lado a lado com a vida de actor, Morais e Castro exerceu advocacia e manteve uma forte actividade política. Desde sempre que o lisboeta esteve ligado ao PCP, já que a casa dos seus pais servia de apoio à direcção do partido.






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