Segundo a tese de Augusto Santos Silva, nas próximas eleições legislativas «joga-se o futuro do Estado social» em Portugal.
Partindo desta lógica, o dirigente socialista acusou o PCP e a Bloco de Esquerda de contribuírem com a sua estratégia para o enfraquecimento da «esquerda democrática».
«A tentação dos revolucionários é recusar a distinção entre a direita e a esquerda não revolucionária, alegando que se trata ou das mesmas forças, ou (versão ortodoxa do PCP) de forças diferentes mas com as mesmas políticas. O Bloco de Esquerda, que não é dado a estas ortodoxias nominalistas, trata-nos a todos como a grande área dos amigos do capital, dos belmiros e dos amorins», começou por referir Augusto Santos Silva.
Segundo o ministro dos Assuntos Parlamentares, esta tese de confundir social-democracia e direita «já esteve patente nos anos 30, 60 e 70 do século XX».
«Historicamente, sempre que a revolução confunde a social-democracia com a reacção, a reacção triunfa. Também há uma verdade que custa ouvir às forças extremistas, mas é uma verdade da História e do presente: sempre que as forças à esquerda da esquerda democrática mergulham a esquerda democrática no oceano indiferenciado da direita a direita triunfa. É também isso que está em causa a 27 de Setembro», advertiu Augusto Santos Silva.
Logo a seguir, Augusto Santos Silva fez questão de frisar que não acredita numa vitória da direita nas próximas eleições e observou que «algumas vozes à esquerda do PS já têm notado o erro dessa estratégia».
«Aliás, algumas vozes à esquerda do PS, que se juntaram já ao PS e às suas listas, perceberam bem o que está em causa. O nosso combate com a direita, que é o combate essencial nas próximas eleições, tem de ser também um combate com a cegueira ideológica que, na sua hostilidade ao PS - entendido como o inimigo principal -, pode ajudar a que a esquerda e o país percam o combate decisivo do Estado social», avisou ainda o membro do Governo.
Para Augusto Santos Silva, «se a esquerda e o país perdessem o combate decisivo do Estado social, a democracia portuguesa perderia uma das suas dimensões».
«O que está em causa no próximo dia 27 é também o futuro do Estado social e, em particular, o futuro próximo do Serviço Nacional de Saúde», acrescentou.






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