
CARO HUMBERTO
> Cumpre-me informar a título prévio que pedi para que esta resposta ao comentário ao meu “Desafio” intitulado “UM SINCERO VIVA! AO NOVO COMENTARISTA”, feito pelo nosso caro leitor “Humberto”, (para o qual, aproveito para chamar a atenção de todos, recomendando vivamente a sua leitura) fosse publicada sob forma de crónica, na esperança de que assim possa chegar a um maior número de destinatários e trazer mais leitores a este tema, polémico mas actual e urgente. Só assim contribuiremos para uma sensibilização global de uma matéria tão importante para a vida de cada um de nós, mas imprescindível para o bem-estar dos nossos descendentes e para o futuro sustentado deste Planeta.
Sob pena de tornar este post maçudo e demasiado extenso, não poderei responder como gostaria a todas as questões colocadas, dado que cada uma delas envolveria algumas boas páginas, mas vou fazer um esforço para sintetizar ao máximo o que considero não poder deixar de dizer, não sem que em primeiro lugar, volte a dar-lhe as boas-vindas, agora, por maioria de razão, face à participação construtiva que nos concedeu. Volto também a dizer que a meu ver seria esplêndido poder contar com a sua participação, mesmo que fosse só subordinadamente ao tema da utilização da energia eléctrica nos sistemas móveis, mas isto, é claro só dependerá de si e do autor deste blogue, nunca de mim, limito-me a expressar aqui a minha sincera opinião.
1 – O temor sobre os riscos da utilização do hidrogénio como energia principal dos nossos sistemas dinâmicos. Embora reconheça este facto, não posso dar-lhe importância significativa. Os medos constroem-se ou destroem-se ao bel-prazer dos poderes instituídos e das suas conveniências do momento. Os receios que existem a respeito do uso e manuseio do hidrogénio só em parte têm razão de ser, isto é, existem e deverão sempre existir para que as normas de segurança sejam sempre respeitadas e sejam cumpridas as boas práticas da sua utilização. Quanto a eventuais desastres, havê-los-á seguramente mas ainda há poucos dias vi um carro reduzir em segundos os seus ocupantes a tições, devido a ter explodido – entenda-se, o depósito de gasolina, por mero embate, que, diga-se, nem me pareceu nada de especial e não consta que levasse um só grama de hidrogénio. Quem se não lembra da destruição do Hildenberg. Foi um pavor! alimentado por quem? Não tenho resposta mas alguém saberá dizê-lo. O desastre matou 35 pessoas, das quais 28 porque no desespero de se atirarem ao solo e 8 foram queimadas pelos combustíveis fósseis em chamas. Estamos a falar de uma concentração de 200 mil metros cúbicos de hidrogénio e não da quantidade que será necessária para o abastecimento de uma viatura para uma autonomia de 350 a 400 Km. Mais, se o acidente que se verificou com este Zeppelin fosse com vapores de gasolina e não com hidrogénio alguém tem dúvidas que nenhum dos 97 ocupantes de então sobreviveria?
Por outro lado o acidente só se deu por erro grosseiro, posto que nem sequer os matérias usados na construção do balão obedeciam aos requisitos técnicos elementares para o efeito recomendados. Veja-se a que conclusão chegou uma investigação recente conduzida pelo Dr. Addison Bain ex-cientista da NASA que trabalha há muito com hidrogénio: este cientista analisando pedaços do material utilizado na cobertura do dirigível, constatou que era de um material extremamente inflamável, nitro celulose. Enfim, erro de palmatória do tipo dos que hoje só se cometem por absurdo.
Hoje, com tecnologias já muito avançadas, no campo dos materiais compósitos e outros, bem como na construção de sistemas ultra sofisticados de controlo de todos os parâmetros a respeitar, é possível dispor-se de unidades fiáveis e de sistemas de acondicionamento eficientes para podermos utilizar o hidrogénio como nossa fonte de energia principal para sistemas dinâmicos, com ou sem a complementaridade de unidades criogénicas, para as quais também não me ocorre dificuldade de monta.
Aliás, já hoje andamos par a par, no transito de todos os dias com unidades de transporte de hidrogénio, nomeadamente líquido e ninguém se sente menos seguro que eu saiba ainda não vi ninguém a fugir desses camiões que transportam no seu seio algumas toneladas líquidas do produto – com risco de acidente? Claramente que sim. Mas também o há com os transportadores de refinados e são aos milhares todos os dias a cruzar as estradas.
2 – Quanto à produção do hidrogénio e do velho chavão do custo, lamento ter que afirmar que são tudo “balelas”. No dia em que os poderes políticos não estejam constrangidos pelas garras das petrolíferas e pelo “cheiro” dos impostos que cobram com base nos combustíveis actuais, tudo se alterará da “noite para o dia”. A electrólise é cara? É se eu utilizar energia dos chulos da REN para alimentar os sistemas, mas nada disso é recomendado. O que digo é que, através de sistemas de baixa rentabilidade, mas ininterruptos de produção de energia eléctrica, com base em energia eólica de baixa potência, energias hídricas (ondas, marés e cursos de água), energia solar, energia geotérmica (onde a houver a baixo custo) e outras energias, todas elas pobres, com base em sistemas de baixo rendimento mas ininterruptos e sem se provocar lesões no ambiente, é possível gerar-se em cada País o suficiente para produzir o hidrogénio de que precisa para alimentar os seus sistemas exigentes e sofisticados, coisa que nenhuma daquelas energias o faz satisfatoriamente.
Recusar esta possibilidade energética é continuar a condenar a humanidade à mingua que mata centenas de crianças por dia à fome e que divide o planeta entre “apaziguados do mais ou menos bem-estar” e os apaniguados do Bin Laden. Há que ser-se pragmático e não estar à espera de séculos para se recusar o paradigma económico em que as nossas sociedades mandantes assentam. Na Idade Média, justificava-se que as coisas demorassem – as notícias iam a cavalo e muitas vezes nem chegavam ao destino. Hoje, agir como então, é simplesmente CRIME.
*Cronista residente






5 pauladas:
Caro Jorge Cabral, partilho da sua opinião que os medos em relação à segurança do hidrogénio são exagerados. Mas não vejo assim tão grande futuro no hidrogénio.
Há que ver que o custo de produção do hidrogénio está intimamente ligado à produção de electricidade. Só há 2 formas de "produzir" hidrogénio, a electrólise da água ou extracção a partir de hidrocarbonetos. Esta última coloca-nos na mesma situação actual, logo não interessa.
Portanto, numa ponta do sistema usa-se electricidade para extrair hidrogénio da água, e na outra ponta usam-se Fuel Cells para produzir electricidade. O hidrogénio não passa assim de uma forma de armazenar e transportar energia eléctrica e tem de ser visto como tal. Tudo resto é secundário. O hidrogénio tem assim de competir com as outras formas de transportar e armazenar energia eléctrica, como os cabos de alta e média tensão e as baterias. E em termos de eficiência energética pura, o hidrogénio perde! Compare os valores de eficiência da electrólise (70%), mais a necessária compressão (90%) e das Fuel Cell (40%), com os 93% apresentados pela carga e descarga das baterias de lítio. Isto dá uma eficiência tomada eléctrica -> motor de 25% para o hidrogénio, contra 86% das baterias! Mesmo com a perda de electricidade nos cabos de alta e baixa tensão, a vantagem ainda é brutal.
Usando gás natural como fonte de hidrogénio ou para gerar electricidade, um carro electrico tem uma eficiência de 35% contra 25% de um carro fuel cell a hidrogénio.
Um dia que o hidrogénio iguale a eficiência da electricidade, pode-se pensar nele. Mas duvido muito que alguma vez lá se chegue! Serão precisas autenticas revoluções tecnológicas na electrólise e nas fuel cells.
Sim, a produção de baterias é poluente e há quem diga que não há lítio suficiente para utilização automóvel. Mas elas podem ser recicladas e já se estão a desenvolver baterias com materiais alternativos, e também os chamados supercondensadores. Vejo neste campo um futuro mais risonho. Os carros a hidrogénio podem ter vantagens em autonomia (embora longe de um carro a gasolina), mas em custo por quilometro os carros eléctricos terão grande vantagem.
Já agora, está completamente enganado na densidade energética do petróleo. As tais 10800 Kcal correspondem a 1Kg de crude, não 1 tonelada! Bastava ver que 1 tonelada de petróleo tem MUITO mais do que 1kg de hidrogénio para perceber que tal valor não fazia qualquer sentido.
O hidrogénio tem uma densidade energética de 143 MJ/kg (queimado) contra 41-46 MJ/kg para o petróleo. E se formos a ver a densidade energética por volume as coisas invertem-se com 37 MJ/L para o crude, e 34 para a gasolina, contra 10,1 do hidrogénio liquido, 5,6 comprimido a 700bar e 0,01 gasoso sem compressão. Isto porque até a gasolina tem mais hidrogénio num litro do que 1L de hidrogénio liquido!
Quando se conseguir fazer fusão do hidrogénio de forma fácil e economicamente viável, ai sim, vai valer a pena. São uns meros 645 terajoules por kg. :)
Sites com os números mencionados no meu comentário anterior:
http://en.wikipedia.org/wiki/Energy_density
http://en.wikipedia.org/wiki/Hydrogen_economy
http://www.eia.doe.gov/kids/energyfacts/science/energy_calculator.html
Caro Nelson Cruz,
Obrigado pelo seu atento e oportuno comentário.
Agradeço-lhe também ter anotado o lapso sobre o equivalente energético do crude.
Reconheço-lhe razão em quase tudo o que diz e adivinho em si, embora “prudente”, um defensor desta causa (hidrogénio como fonte principal de energia).
Não pretendemos aqui (num blog que se pretende generalista) descrever minuciosa e exaustivamente todos os factos abordáveis em cada um dos temas, mas julgo que foi demasiado redutor quando limitou a dois, o número de formas de obter o hidrogénio para fins energéticos. Por mim, até podia reduzi-los todos à electrólise, pois, sendo a menos utilizada e aquela que mais “anti-corpos” tem gerado, é o único processo em que considero devamos investir, por ser o que menos prejudica o ambiente e garante a possibilidade de uma evolução francamente sustentada (sob a vertente de necessidade energética) da sociedade, o que, diga-se, hoje está seriamente posto em causa com o modelo vigente.
Devo também dizer-lhe que sou um defensor da utilização directa do hidrogénio em motores de explosão e que julgo que a utilização deste sob forma de energia intermediária através de células estará a curto prazo (15 a 20 anos) condenada a utilizações muito específicas.
Por outro lado, sendo o hidrogénio o elemento conhecido de menor massa, não é de estranhar que em análises comparativas volumétricas não expresse a vantagem que, sob o ponto de vista energético na prática tem, em relação a outros elementos de massas incomparavelmente maiores.
Independentemente do interesse que deposito e no valor que reconheço a todas as análises comparativas, que como sabe, estão sempre no cerne de qualquer trabalho que neste âmbito tenha sido efectuado por “génios da ciência”, meros cientistas, ou até simples académicos, eu tenho muito claro para mim que neste momento é imprescindível que seja a sociedade global a “puxar” pela ciência e pela política. Isto é penso que é indispensável fazer com que a sociedade creia que há melhores soluções que a existente e que a humanidade não tem que estar condenada à mingua que os senhores da energia, através dos seus mafiosos carteis, decidem e lhe impõem.
Veja que para justificar os seus inconfessáveis objectivos, propalam até que a energia nunca poderá abundar, sob risco de uma explosão demográfica incontrolável. É que, só eles é que são inteligentes, o resto, somos todos uma cambada de dementes mentais que temos que ser mantidos à fome, caso contrário morreremos todos de indigestão.
E para que todos vivamos com dignidade, nem é preciso que o nosso controle sobre a fusão do hidrogénio chegue aos 645.000 TJ de que fala. Fico-me à escala deste Planeta, pela fusão do Deutério que gera 345.000 TJ, o que, para traduzir numa linguagem que todos percebam, equivalerá a energia de uma explosão de 82500 toneladas de TNT , isto, diga-se, a partir de 1 Kg de H2. Nessa altura, também para que todos possamos fazer uma ideia, 2gr de H2 chegarão para suprir todas as necessidades energéticas de uma habitação familiar com 4 a 5 elementos, durante 1 mês.
Um grande abraço para si e obrigado por aparecer.
Eu sou sobretudo um defensor das energias renováveis. O petróleo, mesmo ignorando os problemas ambientais que está a causar, não vai durar para sempre. Actualmente temos toda a nossa economia apoiada nestas fundações que vão desfazer-se em pó (ou areia) mais década menos década. E nem é preciso que o petróleo acabe para ficarmos numa situação mt complicada. Basta chegarmos ao ponto em que a produção não acompanhe a procura e os preços vão disparar. O preço do petróleo no verão de 2008 é só uma amostra do que nos espera. Basta ver que estamos em período de retracção económica, em que a procura desceu significativamente, e no entanto os preços continuam relativamente elevados. Os próprios países do médio oriente ricos em petróleo estão a diversificar as suas economias, pois sabem perfeitamente que mais cedo ou mais tarde só vão ter areia para exportar.
Extrair hidrogénio do gás natural ou outros combustíveis fosseis, não resolve nada. Resta a electrólise a partir de energias renováveis (eólica, solar, etc). Mas aí, como os números que mencionei anteriormente revelam, as coisas complicam-se. Essas energias vão continuar caras a curto-médio prazo e a electrólise + compressão do H2 implica deitar fora logo à partida 37% da energia produzida. Depois há que contar com as perdas nas Fuel Cells. E se falarmos de motores de explosão a hidrogénio, ainda menos eficientes são!
Por tudo isto julgo que o H2 não será a forma mais barata/eficiente de armazenar e transportar energia, que à partida já será mais cara de produzir do que as "tradicionais".
Mas será ainda assim a forma mais fácil e barata de converter o parque automóvel existente para energias renováveis? Também não me parece. Um carro a gasolina ou diesel não pode começar a usar H2 sem adaptações significativas. O motor precisa de trabalhar a altas pressões, o que implica um turbo, ajudado por outro sistema quando em baixas rotações. Todo o sistema de exaustão tem de ser inoxidável para resistir à água resultante da combustão do H2. E finalmente (mas talvez mais importante e dispendioso) o depósito e tubagens de admissão têm de aguentar com hidrogénio a altas pressões e integrar sistemas de segurança contra fugas. Resumindo, não será mt mais fácil ou barato converter um carro para H2, do que para funcionar a electricidade. E se levarmos em conta o custo por km depois da conversão...
O H2 fará sentido para veículos capazes de grandes viagens, pela autonomia superior, e a facilidade de abastecer que os veículos eléctricos só poderão igualar com estações de substituição das baterias (em vez da recarga). Talvez seja uma solução para os camiões por exemplo. Ou autocarros, como os SCTP cá do Porto têm já há alguns anos. Mas para veículos pessoais citadinos, para ir e vir do trabalho e das compras, aposto muito mais nos veículos eléctricos.
Caro Nelson Cruz,
Resisti estoicamente à tentação de escrever, em lugar de "caro", "amigo". mas quero que saiba que é assim que o sinto. É que... a família a gente não pode escolher... só com os amigos existem as afinidades verdadeiras!
Bom, vamos ao que interessa.
A minha intervenção neste blog não contempla nem nunca contemplou ensinar a alguém seja o que for.
O meu maior objectivo é catalizar vontades conscientes em torno de questões que considero primordiais para o bem geral, ou seja, que a todos beneficiem.
Na primeira linha, entre outras duas considero que está a premência na alteração do paradigma energético em que assenta a economia mundial.
Como tal, o que aqui se diz a este respeito, é importante que chegue ao maior número de leitores possível.
Como tal, vou dar seguimento ao seu comentário, sob forma de um novo post, para que o senhor e eu possamos contar com outras colaborações. Bem haja pela sua intervenção.
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