
Carmindo Mascarenhas Bordalo*
CAVACO: UM CÚMPLICE NÃO ASSIM TÃO SURPREENDENTE
> Apesar de as eleições presidenciais estarem distantes, parece-me que a questão do exercício da função presidencial é importante neste momento, particularmente porque ela é decisiva quanto ao futuro do País. É que o governo de Portugal - que será escolhido em breve - está profundamente dependente do que fizer o inquilino de Belém.
Ninguém pode duvidar que o desastre socretino (subida a pique do desemprego, queda acentuada do produto interno bruto, descalabro na educação e na saúde...) teve em Cavaco Silva um cúmplice de primeira água.
Apesar de durante anos se ter apresentado como defensor do rigor financeiro e das reformas estruturais, Cavaco Silva aplaudiu expressamente a governação socretina em diversos momentos e noutros deu-lhe a mão quando se afundava.
Quem não se lembra de que Cavaco menorizou os graves escândalos que envolvem Sócrates? Ou que aplaudiu a Ministra da Educação quando esta mandava examinar com mais rigor os professores do que os alunos? Ou que até disse que o governo era "reformista"?
Tudo em nome de comprar votos do centro-esquerda para a sua reeleição - já que dá como garantido o apoio da área PSD/CDS. O interesse nacional foi sempre postergado.
O recente episódio, não desmentido, da tentativa de meter uma cunha a favor do seu mandatário, garantindo-lhe um lugar no Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida, é o culminar da falta de princípios na actuação presidencial. Algo que aqui denunciei no passado dia 7 de Agosto e que três dias depois mereceu comentário absolutamente idêntico de um conhecido advogado da nossa praça. ( http://josemariamartins.blogspot.com/2009/08/promessa- de-socrates-cavaco-siva-para.html ).
Mas, como bem afirmou em comentário o meu colega colaborador no JORNAL DO PAU, Jorge Cabral, esta conduta de Cavaco Silva não nos deve surpreender.
De escândalos que mancham o seu carácter está Cavaco cheio: desde o caso sórdido de esconder ao EXPRESSO as suas participações na Sociedade Lusa de Negócios (do seu querido Dias Loureiro), que vendidas a tempo lhe deram enorme lucro, até às faltas injustificadas que dava enquanto professor universitário. História pouco edificante mas que permite compreender que quando quer atingir meios (como a sua reeleição), Cavaco não olha a fins. Para que se recorde, aqui vai o relato feito pelo 'Correio da Manhã' dos tempos em que alguém que tanto se gaba de ser académico se portava como um académico nunca deve fazer:
"Em 1985, já então líder do PSD, Aníbal Cavaco Silva é alvo de um processo disciplinar – por iniciativa do director da Faculdade, Alfredo de Sousa, que acusa o professor Cavaco Silva de não ter cumprido, por faltas, as suas obrigações académicas. O Governo do Bloco Central, chefiado por Mário Soares, dá as últimas. O ministro da Educação, João de Deus Pinheiro, evita a nódoa na carreira de Cavaco Silva: concede-lhe uma licença sem vencimento e as faltas são esquecidas" (veja-se http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?channelid=00000009-0000-0000-0000-000000000009&contentid=00189068-3333-3333-3333-000000189068 ).
Deus Pinheiro (que depois foi recompensado com os Negócios Estrangeiros e a Comissão Europeia, apesar de só andar a jogar golfe) pode ter-lhe tirado a nódoa do processo disciplinar, mas ninguém lhe tira de cima a mascarra chamada Sócrates. *Professor Catedrático Jubilado, cronista residente






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