
Carmindo Mascarenhas Bordalo*
DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS E O SOCRATINISMO QUE ESPREITA
> Em política é tradicional haver dois pesos e duas medidas: a tolerância e a desculpa para quem tem as garras bem cravadas na comunicação social e a espada de gume afiado para os que não caem no goto dos fazedores de opinião.
Basta atentar no vocabulário com que todos os dias se envenena o público: o regime abrilino é sempre jovem apesar de já contar 35 anos; o Estado Novo durou demais e estava caduco (pergunta-se: mas aos 35 anos ainda era jovem?).
Sócrates tem beneficiado por essa benevolência, aqui e ali beliscada por irredutíveis gauleses (muitos deles bloggers). Imagine-se que tinha sido Santana Lopes quem tinha uma Ministra da Educação que vomitava que os Açores não faziam parte da ordem jurídica portuguesa. Ou que era ele quem tinha uma licenciatura com um diploma falso (concluída ao Domingo??) e eivada de irregularidades ou assinava projectos de arquitectura que não tinha feito, só para contomar proibições legais.
É impossível esquecer que a única televisão que não fazia o que Sócrates queria no domínio informativo, a TVI, vê agora o seu director afastar-se. Depois de Sócrates ter dito, em directo no canal do Estado, as maiores atrocidades sobre essa televisão e o seu telejornal de 6ª Feira. Até lhe chamou telejornal travestido - será isto linguagem para quem, devido ao alto cargo que ocupa, devia portar-se como um Infante?
Ora, as reacções a isso são zero se comparadas com um episódio, muito menos grave, que ocorreu em 2004, com as críticas do Ministro Rui Dias da Silva ao comentador político dominical Marcelo Rebelo de Sousa, na altura a soldo da mesma TVI.
Nessa altura não estava envolvido o Primeiro-Ministro.
Gomes da Silva não usou linguagem ordinária, própria apenas dos corredores de universidades de fachada ou de bares de Amsterdão onde os meninos desocupados se drogam.
Não se usou uma entrevista propositadamente oferecida pelos dinheiros de quem não tem outro remédio senão ser contribuinte.
Não havia contraditório para as críticas de Marcelo (algumas tão cegas de ódio que eram contraditórias, algo que posso provar), ao contrário do que se passava com o jornal de 6ª da TVI, que sempre procurava reacções dos visados - estes é que fugiam...
Contudo, repare-se que as críticas sofridas por Gomes da Silva e pelo governo de então superam em muito aquilo que se disse sobre os ataques de Sócrates à TVI. Até o Presidente da República - à época Jorge Sampaio - recebeu Marcelo em Belém, como que ouvindo a vítima. E fê-lo antes de receber o governo!
Claro que essas atitudes de Sampaio, que pouco depois dissolveu o parlamento para permitir a Sócrates ir para o governo, foram bem recompensadas, pois a sua filha Vera até já nomeada foi para assessora do sósia socretino Pedro Silva Pereira. Para que se registe.
Claro que essas atitudes de Sampaio, que pouco depois dissolveu o parlamento para permitir a Sócrates ir para o governo, foram bem recompensadas, pois a sua filha Vera até já nomeada foi para assessora do sósia socretino Pedro Silva Pereira. Para que se registe.
A saída de Moniz da TVI, e a quase falta de reacção que mereceu, mostra que os tentáculos do PS continuam activos e vigorosos. Vão manter-se bem firmes mesmo com uma derrota eleitoral, pois em breve os seus comparsas vão querer que ele, ou a sua gente, voltem à mó de cima. Nem que seja clamando por um sórdido "Bloco Central". E vão preparar tudo, como sempre. Os escândalos deles são varridos para debaixo da carpete e tratam-se os outros impiedosamente. Receita velha e já conhecida de quem sabe o que é o poder da Maçonaria socialista.
*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente






1 pauladas:
João:
Excelente "post".
Um comentário apenas:
O "Polvo Socrático" existe e para quem tinha dúvidas...
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