Terça-feira, Agosto 25, 2009

BANCOS AO SERVIÇO DO GOVERNO

> O vice-presidente do PSD António Borges acusou hoje a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e o Banco Comercial Português (BCP) de servirem de "instrumentos" da política que o Governo quer pôr em prática, financiando projectos que mais ninguém financia.

Considerando que a CGD tem "uma situação muito privilegiada" e que podia ter "um papel disciplinador do mercado", além de apoiar as pequenas e médias empresas, António Borges lamentou que o banco se tenha deixado instrumentalizar pelo Governo.

"O problema é quando a CGD, e hoje em dia não é só a CGD porque é também o BCP, se deixam instrumentalizar pelo Governo e passam a utilizar uma parte muito importante, desmesurada mesmo, dos seus recursos, para financiar projectos que mais ninguém financia", afirmou António Borges, durante uma 'aula' sobre economia na Universidade de Verão do PSD

Como exemplo, António Borges referiu as concessões de auto-estradas que "o Governo anda a lançar a torto e direito, por todo o lado, sem justificação".

"Se não for a CGD e o BCP a financiar, mais ninguém financia, praticamente, pelo menos um bom número delas", sublinhou.

Ou seja, acrescentou o vice-presidente social-democrata, estes dois bancos, "em que o Governo tem um controlo muito, muito grande e pesado, acabam por servir de instrumentos da política que o Governo quer pôr em prática, seja ela boa ou má".

"Isso está a desvirtuar completamente um papel que podia ser muito positivo e construtivo da CGD no mercado financeiro português", criticou António Borges, que há um ano defendeu a privatização daquele banco.

Antes de falar da CGD e do BCP, o vice-presidente do PSD abordou também o caso do BPN e do BPP, recordando os três anos, no início da década de 90, em que trabalhou na instituição.

"Na altura não era assim. O Banco de Portugal era uma estrutura muitíssimo independente, partidariamente muito independente, havia gente de todas as cores políticas, mas tinha uma seriedade, um profissionalismo, um rigor na maneira de trabalhar, que não tinha nada a ver com isto", afirmou.

Por isso, continuou, "é lamentável que tenha vindo a verificar-se este declínio na seriedade com que o Banco trabalha ao longo dos tempos".