Quarta-feira, Junho 24, 2009

NUNO BARRETO (1941-2009)

Auto retrato de Nuno Barreto


Macau O pintor morreu

> Nuno Barreto deixou-nos. Quando chegou a Macau estivemos na conversa sobre o seu irmão António, pessoa que muito admiro, durante duas horas. Sobre Macau falámos durante anos. Quando Nuno Barreto dirigiu a Escola de Artes Visuais o meu jornal foi a publicação que mais divulgou a sua actividade. Hoje, o Nuno resolveu ir pintar outros céus. No dia de São João, na sua cidade do Porto. Um dia triste para todos quantos viveram em Macau e conheceram o homem bom Nuno Barreto.

José Pedro Castanheira escreve no 'Expresso online': Considerado habitualmente o melhor pintor português das últimas décadas de Macau, Nuno Barreto morreu aos primeiros minutos do dia 24 de Junho, dia de S. João, no Porto. Foi aliás no Porto onde nasceu, em 1941, numa família de sete irmãos, todos rapazes, um dos quais António Barreto. Frequentou a Escola Superior de Belas Artes do Porto, onde se graduou em 1967 com vinte valores.

Bolseiro da Fundação Gulbenkian, fez uma pós-graduação na prestigiada Saint Martin's School of Art, de Londres. Professor da ESBAP, dirigiu durante 15 anos a respectiva Oficina de Serigrafia. Em 1986, foi 'Artist in Residence' em duas instituições do estado norte-americano de Massachusets. Convidado para trabalhar em Macau, foi o principal dinamizador da Escola de Artes Visuais, inaugurada em 1989 e que está na origem da actual Escola Superior de Artes. Foi a partir de Macau que a sua pintura se tornou mais conhecida. O quadro porventura mais popularizado chama-se "O Embarque no 'Pátria'" e é uma fantástica alegoria ao fim da administração portuguesa daquela minúscula colónia na China - e que foi, simultaneamente, o fim do império. Morreu num hospital do Porto, vítima de cancro.

Sobre a pintura de Nuno Barreto, a Fundação Oriente editou em 2006 o álbum "Galeria Imaginária", realizado a partir de um CD-ROM com o mesmo título concebido pelo próprio pintor. O álbum foi coordenado por Fernando António Baptista Pereira, que escreve no texto de abertura: "Na pintura de Nuno Barreto surpreendemos um talento muito especial para captar o espírito de um lugar, assim como os sentimentos das pessoas que o povoam. Todavia, o pintor fá-lo mediante uma capacidade de invenção que combina o gosto pela síntese por vezes geometrizadora do espaço e a ironização sobre os comportamentos e as situações".