> O blogue Escrita em dia teve a gentileza de fazer referência ao nosso novo JORNAL DO PAU. Aqui fica o nosso agradecimento e registo.
Um blogue sem caixa de comentários é um blogue amputado. Por muito que nos custe (refiro-me aos que escrevem nos seus próprios blogues) aturar alguns chatos que por aqui aparecem, a caixa de comentários é a ponte do blogue com o resto do Mundo e é um palco privilegiado para a troca de ideias, para a discussão. Vem isto a propósito de um texto publicado no Novo Mundo e que eu gostaria de ter tido oportunidade de comentar publicamente, até para ter reacções ao meu próprio comentário.
Bom, a Isabela fala sobre o futuro dos jornais, se as edições impressas vão morrer e ser ou não substituídas por versões on line. Diz ela que não se imagina a ler o seu jornal favorito num ecrã de computador... pois eu já só leio jornais no computador e acredito que dentro de alguns anos teremos alguns novos meios de comunicação bem mais populares que os tradicionais.
De acordo com dados do Netscope, o número de visitas aos principais sites noticiosos portugueses aumentou 15 por cento nos primeiros meses de 2009, quando comparado com o período homólogo do ano passado. Os
sites noticiosos mais visitados este ano foram A Bola, o Record, O Jogo, o PÚBLICO, Sapo Notícias, Correio da Manhã e o Jornal de Notícias.Na média dos cinco primeiros meses deste ano, o PÚBLICO lidera entre os jornais generalistas, atingindo pouco mais do que cinco milhões de visitas por mês, um crescimento de 17 por cento face ao ano passado. Já no ranking relativo a Maio de 2009, o PÚBLICO ocupa também a primeira posição no segmento dos generalistas, com 5,3 milhões de visitas. Falamos do Público, um jornal que não consegue vender de modo a tornar-se um verdadeiro negócio para o seu proprietário e que só ainda não fechou porque Belmiro de Azevedo não quis.
De resto, alguns dos grandes patrões do sector acreditam que essa mudança é impossível de conter. Há dias, li uma notícia que dava conta de que Rupert Murdoch vê num futuro próximo o fim da maioria das edições em papel e a transformação dos jornais em produtos analógicos, com actualização constante de notícias. Não haverá volta a dar-lhe, é uma questão geracional, os jovens já não compram jornais mas lêem no computador, no notebook, no iPhone.
Esta revolução já está em marcha. Já há exemplos, como nos EUA e na Finlândia, por exemplo, de jornais que abandonaram o papel para se dedicarem em exclusivo à internet.
Em Portugal, essa mudança ainda não aconteceu, ainda nenhum jornal se atreveu a abandonar o papel, mas todos os principais órgãos de comunicação social têm uma versão net, quer sejam jornais, revistas, rádios ou canais de televisão. E não se limitam a difundir texto, mesmo os jornais e as rádios incluem notícias vídeo nos seus sites, o que revela o formato futuro dos órgãos de comunicação social, que deixarão de se diferenciar em imprensa escrita, rádio ou tv, para serem todos tudo isso ao mesmo tempo.
Alguns jornalistas portugueses mais empreendedores, julgo que empurrados pelo desemprego e a falta de perspectiva de voltarem a ser assalariados, já estão a ensaiar os seus próprios sites noticiosos. Chamo a atenção para o Jornal do Pau, o Diário2.com ou, se quiserem ver uma coisa estrangeira, a Current TV americana. Espreitem… é o futuro.






2 pauladas:
João:
Como vês vale a pena acreditarmos em nós próprios, e a mudança que fizeste vai dando resultados palpáveis. Uns gostam outros não, a verdade é que vir aqui ao teu (nosso) Jornal do Pau, é obrigatório, há isenção, pluralismo e acima de tudo VERDADE.
Já trabalhei em jornais on-line e em papel e digo-te já a grande diferença entre ambos: a mentalidade.
Quando sai de um on-line para um jornal em papel, um colega da informática perguntou-me: "Vais para um jornal mesmo a sério?"
Ainda existe uma barreira mental entre o on-line e o papel. Só o segundo ainda é considerado, pelo grande público, como verdadeiramente fiável, criativo, investigador... e fisicamente real. Obviamente, esta é uma mudança que vai mesmo ter de acontecer, mas que ainda vai ter de vencer muitas barreiras, sendo uma delas a publicidade institucional, que ainda alimenta demasiados jornais em papel.
Uma nota: do mesmo modo que a caixa de comentários é uma forma de ligação de um blogue ao Mundo, um Fórum de discussão é a melhor forma de animar um jornal on-line, mesmo que isso obrigue a haver membros do jornal a fazer horas extra como administradores do Fórum; quando passei por essa experiência, tive a oportunidade de contactar directamente com as pessoas que me liam (acabei por ficar amigo de muitas delas e bebia café com vários leitores, sendo que alguns acabaram como visitas de casa), mas também aturei gente intragável, que, atrás de um computador, se transformavam nas criaturas mais imbecis do Mundo.
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