Segunda-feira, Maio 25, 2009

Cagança

Presidente da Câmara Municipal de Gondomar, presidente do Boavista, presidente da Liga de Clubes de futebol, homem forte do Metro do Porto, barão do PSD, amigo íntimo do Presidente da Guiné-Bissau, tu-cá-tu-lá com primeiros-ministros e Presidentes da República, o major Valentim Loureiro era apresentado nos jornais e nas televisões quase como o “rei” do Norte. O seu poder, a sua astúcia e a sua influência conseguiram que o seu Boavista chegasse a campeão nacional. O seu Gondomar também obteve resultados históricos.
Valentim Loureiro falava de alto. “Quantos são, quantos são?”, frase que passou a ser a sua imagem de marca.
Um dia, ficou-se a saber que alguns árbitros comiam “fruta” e apitavam com ruído de ouro. O ambiente nas hostes da nomenclatura Loureiro começou a perder fulgor e a opinião pública ficou desiludida com o dirigente político-desportivo. Frequentou tribunais, discutiu com entrevistadores, zangou-se com políticos, entrou em queda súbita.

No passado domingo, o clube de futebol de Gondomar foi despromovido para a Segunda Divisão e no Estádio do Bessa, um adepto do Boavista, com a lágrima a um canto do olho e ao ver o seu clube derrotado copiosamente pelo Sporting da Covilhã e a baixar para a mesma divisão menor, balbuciou: “Que triste espectáculo… e para que serviu no passado tanta cagança do major?!”.