Sábado, Maio 23, 2009

Belmiro arruina produtores de leite

Do leitor António Silva recebemos este texto:

Admiro o Sr. Belmiro de Azevedo pelo gestor que é, mas há coisas intoleráveis e que ajudam a destruir o que resta do tecido empresarial português. A Sonae tem vindo a verticalizar o seu negócio, isto é, começa a fabricar, distribuir e vender os mais variados produtos utilizando para o efeito as suas marcas próprias. Um exemplo é o leite de marca "é" que publicita a um custo de €0.39 e que compra a uma empresa alemã, mas cuja origem supõe-se ser polaca. Comprou 1 milhão de litros de leite para vender a este preço e agora temos milhares de produtores de leite nacionais ainda mais arruinados, com o preço do leite a baixar e sem saber o que fazer ao leite que produzem, simplesmente porque não o conseguem escoar e praticar os mesmos preços dos seus congéneres que o vendem a uns €0.16 contra os €0.33 dos portugueses. Nem sempre se justifica o lucro desenfreado como a Sonae e outros grupos procuram, porque isso implica destruir o pouco que ainda se vai produzindo por cá!

2 pauladas:

António disse...

Atente-se a uma coisa: o leite é comprado ao produtor pela cooperativa. Esta transporta e coloca-o nas instalações fabris, i.e., vende o leite colocado na unidade fabril á empresa que depois transforma e vende aos grossistas, retalhistas e grandes superfícies...
Agora pergunta-se: a cadeia não é extensa demais? Quem ganha mais?

Manuel Alcides disse...

Este assunto é pertinente, apesar do título da mensagem ser um pouco "forte", pois a Sonae limita-se a procurar fornecedores com o melhor preço para os produtos que comercializa. Se não fosse a Sonae era (é) uma Jerónimo Martins ou outra a faze-lo, aliás a baixa de preço anunciada pelo Pingo Doce do leite para €0.39 é prova disso mesmo. Se tiverem em atenção à origem dos produtos lácteos, que podem ver através dum pequeno circulo ovalizado na embalagem, em ambas é o mesmo, ou seja "DE" de Deutschland. Trata-se meramente do mercado livre a funcionar, a Sonae limitou-se a ser a primeira a fazê-lo e os outros seguiram-na! Porque se deslocalizam as empresas para os países de leste ou Ásia? Porque as empresas/grupos concorrentes também o fazem e quem não o fizer arrisca-se a não sobreviver ou ser competitivo no mercado.

Quanto à questão do "António", penso que a cadeia não é comprida, senão vejamos: do produtor para a cooperativa e desta para as grandes superfícies, não me parece ser um circuito longo. É impensável abolir as cooperativas ou empresas de lacticínios neste processo, porque não há nenhum produtor que tenha capacidade para fornecer sozinho uma grande superfície. O problema é que já se falava há uns 4 ou 5 anos da Polónia que tem condições excepcionais para a produção de leite e com uma mão-de-obra barata são muito competitivos. Em média paga-se a um produtor de leite nacional €0.31/litro de leite e este valor permite ao produtor nacional "sobreviver", como é possível ser competitivo com valores finais de €0.39? Se calhar uma Lactogal deveria ter pensado em comprar umas quantas empresas de lacticínios na Polónia para agora ter algum poder e controle na entrada deste leite. Assim é mais uma machadada no coitado do produtor de leite nacional que se já tinha a sua vida complicada, com isto ainda vai ficar pior. Se as empresas não conseguem escoar o leite que tem e há excesso deste no mercado, diz a lei da oferta e da procura que o preço a pagar ao produtor terá de diminuir. O excedente de leite é convertido em "leite em pó" que curiosamente é um processo que dá prejuízo às empresas de lacticínios.