Domingo, Abril 12, 2009

O lençol

"Este ano é que vai ser!", disse-me um amigo benfiquista o ano passado, uma semana antes de se iniciar mais uma Liga de futebol. Referia-se à sua convicção de o Sport Lisboa e Benfica poder ser campeão depois de várias aquisições de jogadores "fantásticos" como o Aimar, Reyes, Di Maria, Balboa, Suazo e companhia. E ainda com a mais-valia Quique Flores, um "dos melhores treinadores de Espanha", tal como sublinhara o meu interlocutor. Respondi-lhe que não deitasse foguetes antes da festa e salientei-lhe que o treinador estava a começar mal a sua experiência em Portugal, precisamente por desprezar certa mística benfiquista, que incluia os adjuntos Diamantino e Chalana, os quais seriam pedras fundamentais na engrenagem de controlo do balneário e, na sábia e experiente informação sobre as outras equipas de um campeonato que o espanhol desconhecia por completo.
Passados estes meses assistimos a um espectáculo degradante que inseriu uma espécie de equipa de futebol, mais parecida com uma manta de retalhos, onde os jogadores fizeram o que lhes apeteceu incluindo as noitadas e passagens de modelos até às cinco da manhã. Uma equipa sem estrutura táctica, poder organizativo no desenvolvimento da prática futebolística e onde as divisões e invejas entre os contratados imperaram ao longo da época.
O treinador espanhol, por seu turno, nunca demonstrou controlar o colectivo e, muito menos, jamais imprimiu um esquema global que perrmitisse resultados positivos a partir de uma movimentação pré-estabelecida e bem treinada. O Benfica viu fugir-lhe a Taça dos Campeões, depois a Taça UEFA, depois a Taça de Portugal e agora despediu-se da Liga com uma derrota escandalosa, em casa, contra a Académica.
E os benfiquistas? Esses, revoltados com o gasto de milhões de euros que não serviu para nada, restou-lhes desdobrar os lenços, perdão, os lençóis e da bancada enviar um recado bem explícito de que muitas cabeças têm de rolar.

1 pauladas:

John Holmes Reys disse...

O número de jornalistas desportivos isentos no nosso país começa a ser inversamente proporcional ao número de mulheres que ficam lubrificadas quando se vêem a 2 metros do George Clooney. Eu tive a sorte de ter nascido num ano em que os únicos órgãos oficiais de imprensa do Futebol Clube do Porto eram as folhas de papel higiénico cobertas de fezes que o Teófilo Cubillas deitava fora do recipiente pelo facto de a casa de banho do Estádio das Antas estar às escuras por falta de pagamento à EDP. Depois, com o advento da era Pinto da Costa, já sabemos o resultado: «O Jogo», «JN», «O Comércio do Porto», «RTP» e «SportTv», isto enquanto não concretizam a aquisição do «Boletim Paroquial de S. Geraldo da Gonorreia».
Já ouço os epítetos à minha pessoa: «Tendissioso», «Fáxista» (toda a gente sabe que os portistas xiitas têm baixas habilitações literárias), «Então e A BOLA não é benfiquista?», «Vocês só ganhavam no tempo do Salazar e do Calabote, porra, acabou-se-me o bagaço!!».
É verdade: houve jornalistas que confessaram o seu benfiquismo e pagaram um preço profissional extremamente amargo por isso. A excepção terá sido Alfredo Farinha, voz de uma era em que o jornalismo era uma vocação e não um acto de felação. Mais recentemente, as confissões de amor à Mística foram premiadas com o exílio: José Carlos Soares, Carlos Daniel e José Marinho são os exemplos mais gritantes.
Os primeiros jornalistas avençados surgiram na década de 80, altura em que o «mega-patrão» Joaquim Oliveira ainda andava nos estádios a prender com alfinetes de bebé os seus placards em madeira da Olivedesportos. Aquela vozinha irritante do luso-brasileiro Gomes Amaro aliado ao tom «Vat 69» de José Nicolau de Melo e de Trindade Guedes ainda hoje surgem nos meus pesadelos. Com o passar dos tempos, as avenças evoluíram e adaptaram-se a uma premissa que foi sendo admitida aos poucos no Código Deontológico dos Jornalistas: «Quem falar mal do FCP vai para a fila da Sopa dos Pobres». Para corroborar a minha linha de pensamento, três pérolas VERÍDICAS ouvidas na rádio e na televisão nos últimos dias:

1- João Ricardo Pateiro (relatador da TSF aquando do Man Utd-FCPorto para a Liga dos Campeões):
«Gooooooooooolo do Poooooortooooooooooo!! Porto, Porto, Porto, és a nossa glória! Dá-nos neste dia, mais uma alegria, mais uma vitóriaaaaaaaaaaaa!!!»
(Iríamos ser capazes de jurar que no Código Deontológico dos Jornalistas não existe nenhuma alusão à obrigatoriedade de relatores desportivos serem obrigados a conhecer o refrão do hino do FCP. O tom orgásmico que João Ricardo emprega às suas comemorações obriga-nos a sugerir que faça o favor de não limpar o seu esperma aos cortinados da Sala de Imprensa, já que aquela é uma substância cuja nódoa obriga a uma lavagem a temperatura superior a 70 Graus. Este conselho doméstico foi-nos fornecido por Bernardino Barros).

2- Luís Freitas Lobo (comentários em directo ao Man Utd-FCP na RTP):
« Ganda corte do Fernando! Este miúdo é unhe espectácule!»

(Iríamos ser capazes de jurar que o Código Deontológico dos Jornalistas obriga a sua classe profissional a não assassinar a língua portuguesa. E mandaram o Gabriel Alves para a gaveta devido aos seus comentários elaborados? E isto do Lobo é erudição pura, ao jeito de Guerra Junqueiro, não é?)

3- António Tadeia (comentários em directo ao jogo Benfica-Académica na RTP, pronunciando-se sobre o lance entre Nuno Gomes e Peskovic):
«Não dá para ver nada! O lance é inconclusivo».

(Iríamos ser capazes de jurar que o Código Deontológico dos Jornalistas…DESCULPEM??!! IMPORTA-SE DE REPETIR?? INCONCLUSIVO? MAS JULGA QUE SOMOS CEGOS OU AMBLÌOPES?)