sexta-feira, abril 17, 2009

Macau-Lisboa: foi há 21 anos

UMM - o melhor jipe do mundo

Partida das Ruínas de S. Paulo, em Macau. Página do livro 'I Raid Terrestre Macau-Lisboa'

A equipa de pilotos: João Santos, Vitalino de Carvalho, José Babaroca, João Severino, Mok Wa Hoi, João Queiroga e Jorge Barra

Matrículas portuguesas que atravessaram o mundo. Os primeiros cidadãos estrangeiros a conduzir veículos estrangeiros na China com carta de condução chinesa

Entrada na China. A expectativa de Babaroca, Queiroga, Severino, Mok, Santos, Vitalino e Barra

Uma paragem a 5.000 metros de altitude com um nevão enorme

Todas as paragens em cidades era um momento importante para a revisão e manutenção dos carros

Uma travessia de um rio na China

Encontro que começou por ser difícil com os Moujaedin perto da fronteira Paquistão/Afeganistão e que terminou numa fraterna fotografia

Travessia perigosa e arriscada de uma ponte suspensa de madeira no Paquistão

Subir, subir, abrindo caminho até ao cume dos Himalaias

Na subida a caminho da fronteira China-Paquistão

Os três UMM sempre juntos

A multidão de amigos na Torre de Belém prestou uma justa homenagem aos pilotos. Nas mãos de João Severino pode ver-se a única e histórica Mala-Postal com correio oficial transportado por terra desde Macau a Lisboa

O Presidente da República, dr. Mário Soares, recebeu os raidistas na Covilhã, onde se realizavam as cerimónias oficiais do Dia de de Portugal e das Comunidades e onde os raidistas representaram Macau


O I Raid Terrestre Macau-Lisboa teve o seu início nas monumentais Ruínas de S. Paulo, em Macau, há 21 anos. No dia 17 de Abril de 1988 sete 'loucos' pensaram que poderiam atravessar o mundo entre Macau e Portugal. Depois de conseguirem a obtenção de três jipes UMM, iniciaram a maior aventura jamais realizada por terras da China, Paquistão, Irão, Turquia, Bulgária, Jugoslávia, Itália, França, Espanha e Portugal.
Mok Wa Hoi (mecânico), José Babaroca (operador de TV), Vitalino de Carvalho (médico), João Santos (mecânico), João Queiroga (professor de Educação Física), João Severino (jornalista) e Jorge Barra (jurista) conduziram os três jipes ao longo de 22 mil quilómetros durante 50 dias. Um tempo de grande dificuldade, onde não existiam estradas em determinados troços do percurso, não existiam telefones, muito menos apoio logístico de qualquer forma e onde imperava o calor de 50 graus no deserto de Gobi, os 20 graus negativos na cordilheira dos Himalaias, a guerra entre o Irão e o Iraque e a guerra dos Mouajedin na fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão.
Na partida de Macau poucos acreditaram que os aventureiros conseguissem chegar a Lisboa. Na Torre de Belém, no dia 5 de Junho, uma multidão de amigos e amantes do todo-o-terreno abraçaram e beijaram os seus "heróis". O Presidente da República, Mário Soares, recebeu o grupo nas cerimónias do Dia 10 de Junho, na Covilhã.

Trajecto: Macau-Cantão-Shanguan-Chengzou-Changshia-Wuhan-Zhengzhou-Xian-Pingliang-Lanzhou-Changye-Jiayuguan-Angxi-Hami-Turfan-Urumqi-Kuerle-Akesu-Kashgar-Taxgorkan (China)-Gilgit (Paquistão)-Besham-Islamabad-Multan-Quetta-Dalbandin-Zahedan (Irão)-Rafsanjan-Teerão-Dogubeyazit (Turquia)-Erzincan-Ankara-Istambul-Sófia (Bulgária)-Belgrado (Jugoslávia)-Mestre/Veneza (Itália)-Arenzano/Génova-Villefranche Sur Mer (França)-Arles-Lloret de Mar (Espanha)-Madrid-Mérida-Lisboa (Portugal)-Covilhã

Se não lerem esta notícia em nenhum jornal não se admirem. Infelizmente, em Portugal só os grandes feitos dos estrangeiros é notícia.

Neste dia, o meu grande abraço aos companheiros de viagem, os quais se encontram todos vivos. Bem hajam.

21 comentários:

david disse...

Caro Amigo João,
Como sabe, estive em Macau nessa altura - cheguei lá a meio da vossa odisseia.
A comunidade portuguesa residente no território deu grande importância ao evento. A chegada a Portugal foi um acontecimento extremamente marcante e que a todos encheu de orgulho.
Só que em Portugal há a tendência para rapidamente esquecer ou desvalorizar os acontecimentos. É isso que marca uma certa mediocridade da entidade colectiva que somos face a outras, que exaltam e perpetuam os feitos dos seus filhos.
E - que se lixe o politicamente correcto - depois do 25 de Abril isso ainda é pior.
O grande nadador Baptista Pereira, os internacionalmente requisitados actores Virgílio Teixeira e Maria Dulce, o reconhecidíssimo especialista em astronáutica Eurico Fonseca (que sem licenciatura foi credenciado pela NASA!), entre tantos outros, ainda são homenageados por alguém?
A verdade é que em determinados momentos podem ter sido congratulados, referidos na comunicação social ou, até, apoteoticamente aclamados, mas: e hoje?
Temos memória curta - e, por isso, somos colectivamente pobres.

Sérgio disse...

Grande odisseia! Impressionante! E nós aqui sem ouvir falar em nada... terra de gente pequenina mesmo!

h correia disse...

Bravos aventureiros que honraram o nome de Portugal e de Macau!

Foi um grande feito!

Anónimo disse...

Olá João Severino,

Começo por lhe dizer que sou o mesmo anónimo do post do Paulo Rangel. Com isto, acho que ja não sou assim tão desconhecido...

Devo dizer-lhe que acho esta viagem um feito histórico.Pelas fotografias pode-se ter uma pequena ideia do que deve ter sido a odisseia. Há concerteza muito poucas pessoas vivas que possam ter vivido uma jornada semelhante.

A efeméride era digna de ser comemorada e der recordada pela comunicação social. Se calhar, até nem seria difícil coseguir isso, bastava conhecer alguem num qualquer programa da manhã para lá ir contar esta sua estória.Há gente que por muito menos lá vai.

Aconselho-o a tentar a sua sorte num desses programas, os portugueses mereciam ouvir falar deste feito.

Desta vez não discordei de si.

Cumprimentos

Dulce disse...

Cá estão as tão esperadas fotos! Mais uma vez Parabéns pela aventura e pelo espirito de vencer, e provar que os Portugueses (alguns) até são muito bons.
Abraço

Carlos Dias Ferreira disse...

João:

Foi há 21 anos, mas é como se fosse hoje, porque mais ninguém, voltou, a repetir, a façanha.
Como diz a Dulce, os "Portugueses também são muito bons", temos sempre, é um grave problema de inveja. Quem te comhece, sabe bem, que desafios, são contigo e quanto mais complicados melhor, pois o teu profissionalismo, a isso obriga,
As fotos, são prova indelével, do feito e isso ninguém, pode pôr em causa. Quem hoje faria tal raid?
Parabéns, pela efeméride e conta comigo sempre.
Um grande abraço de amizade.

Anónimo disse...

Esta epopeia merece ser recordada na comunicacao social em PORTUGAL e em Macau, para nao dizer em todo o mundo.

E caso para se dizer:

Por terras nunca dantes navegadas.

Um Abraco

Ze da Labia

Jose Martins disse...

Eu estava lá em Macau!

Foi muito bonito observar o vosso entusiasmo.
Abraço

Karocha disse...

Veja se consegue por no Diabo João!
Grande epopeia :-)
Abraço

editor69 disse...

Da minha parte...
PARABÉNS...e claro que não se vai ler em lado nenhum...pois não mete estrangeiros mesmo!

Abraço!

jorge barra disse...

Meu caro João Severino

Por mais anos que passem, e já lá vão 21, é impossível olvidar a viagem que tivemos o privilégio de partilhar. Como esquecer os vários desertos que atravessámos, entre eles o de maior de todos, o de Gobi, o nevão na estrada mais alta do planeta, nos Himalaias, a 5350 metros de altitude, onde ficámos atolados e enregelados, num trilho praticamente invisível. Ou a perseguição a que fomos sujeitos, no Paquistão, por parte dum bando armado com metralhadoras, num trilho de montanha que só seguimos, contrariando a opinião do nosso embaixador em Islamabade que o considerava demasiado perigoso e arriscado, para não perdermos tempo....é que o lema era, lembras-te? ..."Prá frente é que é o caminho, para trás nem pensar, Portugal, aí vamos nós"...Sobrevivemos, tivemos uma estrelinha da sorte ao nosso lado é verdade e hoje interrogo-me se de facto todos nós éramos corajosos ou inconscientes...Bem sei que a idade era outra, a utopia muita, mas tínhamos de facto determinação e, digamo-lo sem falsa modéstia, coragem. Hoje os tempos são outros naturalmente, mas pelo que sei de nós todos, cada um continua a olhar em frente, pese embora um pouco mais de realismo e racionalismo, mas ainda também com uma pontada de utopia e orgulho...É que na verdade o caminho do futuro é prá frente e para trás nem pensar...

Um grande abraço de parabéns para todos e cada um de nós...

once disse...

Uma verdadeira odisseia Meu Caro João :)
Parabéns por tê-la vivido e obrigada por partilhá-la.

Abraço de bom fim de semana

Jorge Cabral disse...

Amigo João,
Envio daqui um grande abraço de parabéns a si e a todos o que então o acompanharam.
Em nome de todos os "desconhecidos" mas gratos cidadãos deste país, receba também deste seu anónimo conterrâneo uma humilde mas sincera homenagem de agradecimento pela realização deste feito, muito especialmente, diga-se e sublinhe-se, tanto mais valioso, porque realizado DESINTERESSADAMENTE.

Tiago Barra disse...

Recordo aquelas Ruínas de S. Paulo cheias de gente, tinha eu 7 anos de idade, havia uma certa interrogação no ar: «Será que eles voltam?»



Parabéns a todos, pela coragem desinteressada e sentido de alcance.

Foi fantástico para todos nós, familiares e amigos destes «guerreiros».


Um abraço!

joão severino disse...

Um abração do tamanho do mundo que já conheci para todos os amigos que deixaram aqui comentários. Obrigado e bem-hajam.

aLEX cORDEIRO disse...

boas...

o dia 21 de Abril de 1988 fará sempre parte da história de Portugal...

na altura tinha 9 anos e passou-me totalmente ao lado...
hoje posso aqui deixar/dar os meus parabéns a todos os "Raidistas"...

cada foto que vi, fiquei com uma certa nostalgia e orgulho nestes sete magníficos, que organizaram e participaram nesta maratona de 50 dias e 22000km...

e para ajudara a que este feito seja mais português... os jipes utilizados serem os "nossos" UMM... pois para tão bravos aventureiros... só mesmo os dignos UMM para se comportarem à altura e serem uma boa companhia durante esta viagem e desbravarem aqueles montes e vales como mais nenhuns... aguentando todas as adversidades...

o vosso lema de ..."Prá frente é que é o caminho, para trás nem pensar, Portugal, aí vamos nós"... faz-me lembrar o nosso amigo que partiu recentemente para o seu ultimo Raid... o José Megre, também ele grande aventureiro e "Raidista" que sabiamente gostava de prenunciar...

"...a sorte protege os audazes!!!" JOSÉ MEGRE

obrigado e bem hajam!!!

um grande abraço para todos e de um modo especial para o João Queiroga...

aLEX cORDEIRO

El Comandante disse...

Uma verdadeira odisseia! Os UMM são um espectáculo!
Muitos parabéns por esta grande aventura

João Queiroga disse...

Meu caro João;

Passaram 21 anos e eu sinto tudo isto com a mesma intensidade de como se tivesse sido ontem!...

Tudo tem o seu tempo!...
Este foi o nosso tempo do sonho sem tamanho nem fronteiras!...

Foi o tempo de, como portugueses, ousarmos assumir e promover com
orgulho a nossa cidadania como condição distintiva de saber ser e estar no mundo!...

Resta-me hoje uma nostalgia quase romântica das muitas peripécias e de cada um, em concreto, de todos os momentos.

Guardo, é claro, aquele alto sentimento de orgulho por saber do que fomos capazes!...

Fica-me ainda, por último, a cada passo, a lembrança dos companheiros de aventura, mitigada no conforto de saber que estamos e andamos por aí, todos felizmente bem!...

Um abraço a ti, João, por trazeres este assunto à ribalta da WEB e um abraço igual ao Jorge Barra, ao Vitalino, ao Mock Wa Hoi, ao João Santos, ao Babaroca e ao Carlos Marreiros.

Termino, comovido!...
Um grande e fraterno abraço a todos

João Queiroga

Anónimo disse...

Meu caro João;

Passaram 21 anos e eu sinto tudo isto com a mesma intensidade de como se tivesse sido ontem!...

Tudo tem o seu tempo!...
Este foi o nosso tempo do sonho sem tamanho nem fronteiras!...

Foi o tempo de, como portugueses, ousarmos assumir e promover com
orgulho a nossa cidadania como condição distintiva de saber ser e estar no mundo!...

Resta-me hoje uma nostalgia quase romântica das muitas peripécias e de cada um, em concreto, de todos os momentos.

Guardo, é claro, aquele alto sentimento de orgulho por saber do que fomos capazes!...

Fica-me ainda, por último, a cada passo, a lembrança dos companheiros de aventura, mitigada no conforto de saber que estamos e andamos por aí, todos felizmente bem!...

Um abraço a ti, João, por trazeres este assunto à ribalta da WEB e um abraço igual ao Jorge Barra, ao Vitalino, ao Mock Wa Hoi, ao João Santos, ao Babaroca e ao Carlos Marreiros.

Termino, comovido!...
Um grande e fraterno abraço a todos

João Queiroga

Tânia Sousa disse...

Boa tarde João. Tive um gosto enorme ao receber uma mensagem hoje de que o Jipe que adquiri à uma semana, um sonho realizado a dois, foi o desta Grande Aventura! É um grande gosto ter um jipe com tanta história! E acredite...ele ainda tem tanto para viver! 😊 com os melhores cumprimentos Tânia e João

joãoeduardoseverino disse...

Obrigado Tânia Sousa. Que seja feliz com o jipe. Esse jipe era do dr. Carlos Monjardino? Cumprimentos