sexta-feira, abril 03, 2009

Freegate: já mete um juiz

O juiz de Instrução Criminal Carlos Alexandre é testemunha das pressões que os procuradores do Ministério Público sofreram sobre o caso Freeport. Estava presente quando chegou um telefonema do magistrado Lopes da Mota, ex-secretário de Estado no mesmo Governo de que fez parte José Sócrates e presidido por António Guterres, no sentido de sensibilizar os procuradores que tinham em mão o caso Freeport que a matéria já teria prescrito e deveria ser arquivada.
São pressões de uma gravidade extrema que deixaram o país político estupefacto e que levou o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, João Palma, a pedir uma audiência com carácter urgente ao Presidente da República.
Entretanto, a imprensa inglesa refere que Lopes da Mota na sua qualidade de presidente do Eurojust tem manifestado as maiores dificuldades nas relações com as autoridades britânicas no sentido das investigações do Freeport serem aprofundadas. Para a maioria dos observadores, a principal celeuma que se depara em todo o comportamento sobre a investigação é, pura e simplesmente, a decisão de se ouvir, ou não, para os autos do processo, o primeiro-ministro José Sócrates que na altura licenciou o outlet de Alcochete.
As pressões sobre os magistrados poderão dar origem a um inquérito.

2 comentários:

lusibero disse...

Vamos lá ver ,João, se secomeça a sair deste lodo...O pior é que ,alegadamente,(ou não) há por aí tanto rabo a arder que parece que todos têm medo de abrir a boca!
Venha o primeiro ,com coragem, e depois logo veremos se ainda há,
ou não! tipos com...melões

david disse...

Se é verdade que Lopes da Mota (ex-Secretário de Estado de um governo do PS, ex-colega de Sócrates nesse governo e presidente do Eurojust) fez essas diligências, não vejo que possa continuar sem ser objecto de um processo disciplinar enquanto funcionário do Ministério Público. Pelo menos se o direito vigente for cumprido!
Ademais, saiu no "24 Horas" uma notícia de que membros da polícia inglesa se queixaram de que o mesmo Lopes da Mota tem tido enorme renitência em fazer avançar o processo Freeport.
A tudo se junta o testemunho do Juiz Carlos Alexandre, que corroborará a versão dos Procuradores que dizem que foram pressionados.
Não esquecer, ainda, que outro representante português no Eurojust, Santos Alves, foi inspector-geral do Ministério do Ambiente precisamente quando Sócrates era o Ministro da tutela e se deram os factos que baseiam o processo. Santos Alves morreu há menos de um mês - portanto, já o caso estava em pleno andamento.
São indícios em excesso. Em qualquer País do primeiro mundo já tinha havido consequências jurídicas e políticas.