
O caso é grave. Qualquer figura pública com um cargo de responsabilidade no mundo civilizado que seja alvo de uma investigação policial e que a mesma inclua uma gravação de uma conversa sobre um caso de corrupção que lhe diga directamente respeito, só tem uma coisa a fazer: com toda a dignidade anunciar que resigna ao cargo. Tudo o resto é poeira para os olhos e ninguém gosta de andar com conjuntivite... incomoda.
José Sócrates é primeiro-ministro de Portugal. Após a divulgação do DVD, ontem pela TVI, onde se constata que determinados indivíduos, que estiveram directamente ligados ao licenciamento do outlet Freeport, declaram, preto no branco, que entregaram "luvas", quanto entregaram, a quem entregaram, a pedido de quem e cujo objectivo da ilegalidade era precisamente conseguir o licenciamento da obra, não há muitas voltas a dar para que o primeiro-ministro compreenda que não tem mais condições para governar, mesmo que esteja inocente.
Ninguém tem prazer em ver o mais importante executivo governamental nas bocas internacionais a ser apontado como um corrupto. Ninguém tem prazer em ver o nome do seu país enxovalhado por um caso de "toma lá, dá cá". Ninguém tem prazer em ser governado por uma criatura que está constantemente a ser indiciada de suspeitas de fraudes ou ilegalidades, mesmo que se trate de uma "campanha negra" movida por "forças ocultas".
Por muito menos, o ex-Presidente Jorge Sampaio demitiu Pedro Santana Lopes. Justificou a sua posição como não existindo condições de governabilidade por parte do então primeiro-ministro. E agora? Assistimos a um primeiro-ministro que é divulgado em todo o mundo como um corrupto. Há condições para governar? Obviamente que não. Há condições para provar que Smith está a mentir? Nenhumas. Há condições para demonstrar aos portugueses que o processo de licenciamento do Freport teve a maior lisura de procedimentos? Nem pensar? Então, José Sócrates ao anunciar que vai mover um processo judicial contra os caluniadores da sua pessoa terá de repensar quem serão os caluniadores, porque arrisca-se a ter que mover um processo contra todos os portugueses que não têm dúvidas que algo de muito estranho e pouco sério se passou em todo o processo Freeport...
Comentário oportuno de David:
"Qualquer figura pública com um cargo de responsabilidade no mundo civilizado".
O problema está todo aí.
É que Portugal já não faz parte do "mundo civilizado", especialmente desde que Sócrates assumiu o poder e tem mostrado que, haja o que houver, para ele não há consequências, jurídicas ou políticas.
Se fossemos uma nação civilizada, de certeza que, quando há suspeitas de irregularidades que recaiam sobre José Sócrates, não seria sempre encarregada de chefiar a investigação a mesma Procuradora.
Procuradora essa que, certamente não apenas por acaso, é uma conhecida apoiante socialista (fez parte da comissão de apoio da candidatura de Mário Soares à Presidência em 2006) e é viúva de um Procurador que, tendo passado anos a criticar governos não socialistas, foi nomeado Secretário-Geral do Ministério da Administração Interna quando Guterres foi para o poder (e nesse lugar ficou até à choruda reforma).
Em qualquer país civilizado isto seria apenas parte do enredo de um thriller político, nem sequer de um "Sim, Senhor Ministro", pois não tem piada nenhuma. Em Portugal é a realidade que temos.






3 pauladas:
Pela minha parte não tenho quaisquer dúvidas de comportamentos abusivos e em variadíssimas vertentes.
E questiono-me:
Se escumalha desta chega a tão elevado nível do poder, o que é que haverá mais por aí que não sabemos?
Mais, que nojo de sistema democrático é este que permite a promoção de tal gentalha?
E os Partidos? com os seus Directórios, Orgãos de todo o tipo, "bufos" de toda a ordem, Comissões, Núcleos, Distritais, etc., etc., como é que permitem a ascensão destes parasitas?
E as Polícias? são só para controlar o pé descalço?
E as Procuradorias? para "inglês ver?
E o Presidente, continua a ser uma espécie de Américo Tomás?
Haverá alguma coisa que está bem?
Por muito menos já teria o Poder caído na rua em qualquer país com dignidade a defender.
"Qualquer figura pública com um cargo de responsabilidade no mundo civilizado".
O problema está todo aí.
É que Portugal já não faz parte do "mundo civilizado", especialmente desde que Sócrates assumiu o poder e tem mostrado que, haja o que houver, para ele não há consequências, jurídicas ou políticas.
Se fossemos uma nação civilizada, de certeza que, quando há suspeitas de irregularidades que recaiam sobre José Sócrates, não seria sempre encarregada de chefiar a investigação a mesma Procuradora.
Procuradora essa que, certamente não apenas por acaso, é uma conhecida apoiante socialista (fez parte da comissão de apoio da candidatura de Mário Soares à Presidência em 2006) e é viúva de um Procurador que, tendo passado anos a criticar governos não socialistas, foi nomeado Secretário-Geral do Ministério da Administração Interna quando Guterres foi para o poder (e nesse lugar ficou até à choruda reforma).
Em qualquer país civilizado isto seria apenas parte do enredo de um thriller político, nem sequer de um "Sim, Senhor Ministro", pois não tem piada nenhuma. Em Portugal é a realidade que temos.
O pior disto todo são as vinganças sobre o artigo do Marinho Pinto, e as fugas de informação, que sabemos muito bem daonde vêm.
Miserável....
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