
José Pereira Coutinho era um jovem funcionário da Direcção dos Serviços de Economia de Macau no tempo da Administração portuguesa. Um inspector das actividades económicas que muito colaborou com o meu jornal fornecendo informação preciosa sobre os mais variados aspectos da actividade governamental, incluindo muitas decisões que foram tomadas indiciando corrupção, compadrio e ilegalidades. Pereira Coutinho era um funcionário muito sério e quando no tempo do secretário-adjunto para a Economia, João Costa Pinto, tive o privilégio de criar a revista (ainda existente) 'Macau Image', fui muito ajudado por ele nos contactos com os fabricantes chineses e na compreensão da mecânica existente no território com o fabuloso negócio das quotas de exportação. Pereira Coutinho era um homem ambicioso, visionário e ainda recordo - quando eu e minha mulher fomos padrinhos do seu casamento - de me referir que "um dia vai orgulhar-se de mim". E cumpriu. Foi eleito presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. Foi eleito deputado da Assembleia Legislativa. Foi eleito para o Conselho das Comunidades e de há sete anos para cá, o tempo que passou sem o ver, talvez já tenha ocupado mais alguns lugares de destaque na Região Administrativa e Especial de Macau.
José Pereira Coutinho é das personalidades macaenses com mais conhecimentos sobre tudo o que de bom e de mau se passou na governação daquele ex-enclave português. Hoje, ao ler a imprensa macaense, fiquei surpreendido com uma afirmação proferida por Pereira Coutinho. O deputado mostrou-se muito admirado pelo facto do ex-secretário-adjunto Ao Man Long, que se encontra preso, acusado de crimes de corrupção, ter sido apanhado com cerca de 900 milhões de patacas em dinheiro vivo. Mas será que Pereira Coutinho ficou mesmo muito admirado com a quantia astronómica? Chegou mesmo a acrescentar que "nem em África" se viu uma coisa destas.
Pois é, meu caro Pereira Coutinho. Estás a brincar aos meninos surpreendidos ou já apagaste da memória tudo o que viste de anormal por parte de outros governantes e agentes "prestigiados" da sociedade local?
Já te esqueceste das dezenas de milhões de patacas que directores de Serviços da Administração portuguesa transferiram para Portugal, Espanha, França, Brasil, EUA, Canadá e Austrália?
Já te esqueceste das centenas de milhões de patacas que foram depositados na Suíça para secretários-adjuntos e governadores?
Já não te recordas das centenas de milhões de patacas que serviram para valorizar as contas bancárias de advogados, arquitectos, engenheiros, jornalistas, deputados e presidentes do Leal Senado?
Como podes ficar admirado por Ao Man Long ter na sua posse 900 milhões se, isso, comparado com os milhar de milhões envolvidos na corrupção em Macau nos últimos 40 anos, são apenas uns amendoins?...
E já agora, se estás assim tão admirado, fecha a boca, porque pode entrar mosca...
© jes 2009






2 pauladas:
Eu conheci bem o Pereira Coutinho quando ainda não era nada na vida. Muito ambicioso e foi subindo na vida.
Depois,depois, claro está! Acomodou-se com o sistema!
Os que não se acomodaram lixaram-se dentro do sistema...
Mas segundo alguém me disse, vindo há dias de Macau, aquilo por lá começa a ficar às moscas...
O impérios também caiem...
Caro João
Não fazia qualquer ideia do teu«parentesco» com Pereira Coutinho, soube-o agora depois de consultar o Pau. Vejo que ficaste muito admirado por este ter ficado espantado com o dinheiro «amealhado» pelo ex-secretário, 900 milhões em dinheiro vivo, entretanto fazes um comentário à «falta de memória» de Coutinho e lembras os tempos da Administração Portuguesa em que fanar era a palavra de ordem. Pois bem, há cerca de um ano em pleno plenário da Assembleia Legislativa cá do Burgo, um deputado acusou este governo de ter roubado mais durante estes oito anos que a administração portuguesa em quatro séculos, citei exactamente as palavras proferidas pelo deputado.
Não fazes a mínima ideia do regabofe que tem havido por estas bandas, a árvore das patacas prova que está bem de saúde e que nunca secou…
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