quarta-feira, janeiro 28, 2009

Desafio (3)


O Sindrome do Titanic







Jorge Cabral






Quem é que não se lembra do célebre ministro da Informação do último governo de Sadam Hussein, aquando da invasão do exército americano e mais precisamente da sua entrada a Bagdad? Pois bem! Não há dúvida que ele próprio era uma tragédia.
E das últimas horas do Titanic (à superfície, claro)? Quem é que se não lembra também? É claro que todos nos lembramos também de mais esta tragédia.
Agora imaginem o que seria um Titanic com um comandante igual ao tal ministro da Informação.

Pois bem. É esse o Titanic em que estamos todos!!!
O desastre final já se está a ouvir, pelo menos para muitíssimos de nós. Há gente com água pelos tornozelos, outros com as bavaroises encharcadas, outros ainda com as suas lingeries adquiridas a preços pornográficos já enlameadas, há até os que já não conseguem esticar mais o pescoço e se vão afogando, ao encontro dos muitos que já submergiram. O quadro exige uma mudança brusca e radical de rumo, medidas profundas mas que nos apontem um futuro diferente do que aquele para que todos nós sabemos estar a ser conduzidos.
Todavia o “comandante” ordena que a orquestra continue a tocar numa exibição tétrica, e quando todos estiverem debaixo de água, ele dirá, por gestos, que se trata de uma inigualável exibição artística subaquática só ali possível de ser admirada.
Eis o quadro que não me abandona face ao que vejo em todos os Titanics em que se estão a transformar as economias ocidentais, desde a Islândia aos Estados Unidos, com a UE todinha lá dentro.

Haveria que dar já passos concretos e consistentes em direcção a um novo paradigma, a nível do consumo, da energia, da mobilidade e dos transportes, da gestão responsável e criteriosa dos recursos estratégicos do Planeta; e, gizar as novas políticas de Educação que conduzissem a uma sociedade mais justa, mais verdadeira, mais solidária, onde o egoísmo e a ganância fossem melhor controlados e devidamente tributados.
Isto parece impossível, mas não é. Impossível é continuar-se nesta saga de inverdades e de embustes, para se continuar, muito para além do que já é possível, a esbanjar recursos e energias na pandilha que originou a situação em que nos encontramos.
É que, não sei se já repararam, as calamidades surgem como, “cada sachadela, cada minhoca”, mas até hoje, nenhum destes imbecis, foi capaz de arrepiar caminho. Ninguém assume os erros, nem toma medidas para que de futuro nunca mais surjam. Em vez disso, e note-se bem, a única coisa que têm sabido fazer, é deitar “papel” para a fogueira. Mais grave ainda, estes imbecilóides nem sabem bem como é que tudo isto aconteceu, como é que podemos esperar deles qualquer competência para a sua resolução?!

2 comentários:

Anónimo disse...

Mas não disse se este Titanic ainda tem salvação?

Anónimo disse...

Caro Anónimo,
Eu não sou Deus nem tenho complexos de qualquer tipo de superioridade.
Todavia, se quer que lhe diga o que penso, faço-o com gosto.
Penso que tudo o que estamos a viver é reflexo de um acumulado irracional de medidas que só têm tradução no "homem inferior". Ganância desenfreada, egoísmo cego, avareza incompreensível, detenção do poder sem noção de serviço público, são algumas das regras pelas quais as sociedade se têm pautado.
Há que inverter este paradigma e a Economia não tem culpa nenhuma, a matriz em que este modelo se baseia é que está totalmente errada.
E isto é só uma resposta o mais genérica possível, porque é a nível sectorial que medidas concretas têm lugar, muitas das quais todos nós conhecemos.
Para terminar, deixe-me dizer-lhe que este Titanic virá de novo à superfície, o que nos deve preocupar são os milhões de nó que ele eliminará enquanto estiver submergido.