domingo, novembro 30, 2008

Bocas na rua (151)

- Ó Gervásio, por acaso sabes porque é que a eleição do Comité Central do PCP é à porta fechada?
- Por acaso, sei!... É para não se constiparem...

Um vestido muito bonito...

Quem será?


O CDS/PP tem cada ideia de uma pessoa cair para o chão... a rir. Agora colocou nas ruas de Lisboa um outdoor contra o previsto alargamento do terminal de contentores e o prolongamento da respectiva concessão à Liscont até 2042, sem concurso público. O partido de Paulo Portas pergunta: "Afinal, quem ganha com isto?". Ora, quem havia de ser: obviamente, Jorge Coelho!

Na sombra da sombra (10)























photo Helder Mendes



Entre os papéis
As tuas cartas
As saudades
As promessas
As mentiras

Vento de Outono
Revolta o espólio
Empurra a lembrança
Corrói o que sinto

Despida de preconceitos
Aceito os papéis rasgados
Coração despedaçado
Mente sofrida
Arquivo de amor e dissabor.

Ana Lencastre (colaboradora do PPTAO)

Um sobe, outro desce




Muito se fala no galardão para o melhor futebolista do mundo. A escolha deve recair entre Cristiano Ronaldo e o argentino Messi, do Barcelona. Enquanto Messi tem encantado quantos têm visto os seus golos (ontem marcou mais dois fabulosos em Sevilha), Cristiano Ronaldo não brilha na selecção nacional nem no Manchester United, e quanto ao comportamento tem sido de "puto mimado": refila com os árbitros, faz gestos para o público e hoje, para confirmar tudo isto, foi expulso no derby City-United, em Manchester. Na minha opinião já não merece o prémio.
Para os que seguem as coisas do futebol, dizer-nos que o United venceu o City por 0-1 e que o Inter, de José Mourinho, venceu o Nápoles por 2-1.

O Sismógrafo (3)


Banco dos aflitos

por J.C.






Mais um banco em apuros. O governo vira as costas ao caso. O jurista da instituição bancária, um conhecido advogado, declara que a esmagadora maioria dos clientes são pequenos e médios empresários. Grande parte deles são pessoas de poucas poupanças e muitos têm até parcos rendimentos.

Ninguém entende porque é que o governo ignora o caso. Não se percebe como é possível o Estado demitir-se das suas funções, quando os indicadores apontam o caso como um agravamento da crise social. Os clientes acorrem aos inúmeros balcões do banco espalhados pelo País. Ao contrário do que possa pensar-se, não há levantamentos: as pessoas fazem novos depósitos e até convencem outros a tornar-se clientes. Acreditam que este novo fôlego pode ser a chave do sucesso.

Os empregados da instituição estão sem receber, mas não abandonam os seus postos de trabalho. Uns aos balcões das delegações a receber os clientes e a atender o público, outros na sede a cuidar dos depósitos, todos eles acreditam que melhores dias virão. O Estado finge que não vê a situação aflitiva que se vive e o banco mantém-se aberto, concentrado no esforço para alcançar o objectivo desejado. Todos juntos, percebe-se que querem dar a volta às dificuldades e ser bem sucedidos. Em breve, os números para enfrentar a crise serão divulgados pelo próprio BACF (Banco Alimentar Contra a Fome)...

A Melhor Primeira do Mês (4)

Superhomem, o reconquistador








Zé,
o superhomem. Esta é a nova alcunha do vereador José Sá Fernandes que conseguiu reconquistar um pedaço de Lisboa aos mouros. O pedaço de terra foi o 'Aquaparque' e os mouros eram os proprietários daquele espaço de diversão que se encontrava encerrada há muito tempo.
O Zé, superhomem, rodeou-se de uns quantos guarda-costas, perdão, fiscais da Câmara Municipal de Lisboa, de todo o armamento possível, perdão, de alicates, martelos e outras ferramentas para rebentar com os cadeados que se encontravam nos portões e pumba!!! aí vai ele pelo 'Aquaparque' dentro, gritando: "Consegui!!! Consegui!!! Reconquistei este espaço importantíssimo da cidade e sem medo algum vim aqui pôr estes gajos na rua que não queriam sair a bem. Consegui! Não saíam a bem, saíram a mal! Agora vou varrer este lixo todo que há por aqui e vou construir um Bragaparques, ai que me enganei, estava a pensar na corrupção que inventei para o outro, e sendo assim, vou mandar construir um Lisboaparque em sociedade com o meu amigo Costa!"

Bocas na rua (150)

- Ó Asdrúbal, já sabes que ao fim de 20 anos os casinos tiveram uma redução nas receitas?
- Vou dizer-te uma coisa, Godofredo! Para mim, os casinos só são notícia quando fecharem todos...

O jornal de hoje (154)

sábado, novembro 29, 2008

O Sismógrafo (2)


Fogo no PS...

por J. C.






A reunião dos socialistas que decorre hoje na capital para preparar o próximo congresso está a deixar os jornalistas completamente baralhados, vá lá saber-se porquê. Pelo menos, o repórter da SIC-Notícias ficou tão atabalhoado que parecia estar a falar de fogo posto.

Em directo, aquele repórter fez uma alusão qualquer a um tal «António José Sócrates». Também explicou que, quem queria empurrar António José Seguro para se candidatar contra José Sócrates, podia estar a querer «queimar» esta candidatura. E acrescentou qualquer coisa relacionada com a recusa de António José Seguro para avançar, o que podia ser para «queimar» quem queria arrastá-lo (para a fogueira, presume-se).

É melhor chamarem os bombeiros para a reunião do PS...

88888

Este número bonito e, assim o espero, de muita sorte, já foi visto no contador de visitas. 88888 cliques já é obra para um blogue unipessoal. Obrigado a todos.

PS quer renovar a maioria absoluta...

'A Vespa' no seu melhor

'A Vespa' é a melhor secção do 'Diário de Notícias'. Imperdível. E hoje, entre muitas novidades, informa-nos que Santana Lopes e Carmona Rodrigues continuam de costas voltadas. 'A Vespa', o único animal voador que consegue estar a par de tudo o que se passa nos bastidores da política nacional, diz-nos que ambos os ex-presidentes da edilidade lisboeta foram a um almoço no Lisbon International Club onde o embaixador dos EUA era o palestrante. A organização sentou os dois na mesma mesa e ali estiveram todo o tempo sem dirigirem a palavra um ao outro. Resta saber quem é que Carmona Rodrigues apoia para Lisboa nas próximas autárquicas...

Inês outsider





Inês
Serra Lopes, que foi directora de jornal, administradora e vêmo-la amiúde pela televisão a comentar da forma mais disparatada e inócua certos temas do quotidiano, assina hoje uma peça numa secção do 'Económico' com o título 'Insider'. Acontece que a articulista mais parece uma outsider sobre o que escreve. Imaginem só, uma prosa a dizer que os banqueiros são uma cambada de vigaristas, que andam a mamar dinheiro ao Estado com fins contrários ao que foi anunciado pelo Governo. Se for verdade o que Inês escreve é de uma gravidade pior que construir o cais de contentores de Alcântara em cima da mona do vereador Zé. Leiam o que escreveu a articulista e depois digam lá se isto tem algum jeito da parte de uma pessoa que anda sempre pelas altas finanças...

"Os banqueiros confessam, em privado, que o dinheiro dos empréstimos avalizados pelo Estado vai ser gasto maioritariamente para transformar as dívidas dos seus próprios bancos de curto em longo prazo. Assim, não vai chegar quase nada à chamada economia real..."

Bocas na rua (149)

- É pá, então o Rendeiro vai deixar o BPP?
- E qual é o espanto?
- É que agora, sem o Rendeiro deixa de render...

Aí está ele!




Porsche Panamera, o mais aguardado

A Porsche revelou as primeiras fotos da versão final do seu Grande Turismo Panamera, um desportivo de quatro portas e quatro lugares que fará a sua estreia no próximo Salão de Genebra.
A simbiose dos princípios de um coupé, a interpretação única de uma carroçaria GT e os benefícios do conceito funcional do espaço interior, determinaram ao novo Porsche a sua aparência exclusiva.
Correia de Oliveira, in Económico

Jornalista política

Judite de Sousa entrevistou em nove dias Maria de Lurdes Rodrigues, Dias Loureiro, Vítor Constâncio e Catalina Pestana sobre os casos mais mediáticos do momento. Há quem lhe chame a jornalista do 'regime'. Judite já esclareceu, através de uma entrevista ao 'Económico' que "não quero ser considerada uma jornalista política". Pois é, doutora Judite, mas parece...

PSD: a coisa está muito mal

Abro o 'Económico', semanário agora a sair aos sábados com uma nova imagem, e dou logo de caras com uma sondagem exclusiva que nos diz que o PSD está pelas ruas da amargura. Os resultados são desoladores e preocupantes. Para quem? Para os sociais-democratas que ainda se preocupam com o partido e com a sua dignidade de ser o maior da oposição. A maioria dos militantes está preocupada com a decadência paulatina do partido e com uma liderança que continua a perder terreno para os adversários. E possivelmente o PSD apresenta um resultado muito negativo porque existem quadros do partido que andam mais preocupados em ganhar dinheiro à custa do partido pressionando Juntas de Freguesia 'laranjas' para pagarem livros da treta com o intuito apenas de 'sacar' à custa de se ser presidente de secção ou de ocupar outro cargo na estrutura partidária.
A sondagem do 'Económico/Marktest' diz-nos que o PS está mais perto da maioria absoluta e o PSD com o pior resultado do ano. Os socialistas passaram a ter 14 pontos percentuais acima do PSD. José Sócrates tem razões para sorrir e gozar com os seus detractores. A sondagem realizada este mês indica o PS com 40,1% das intenções de voto dos portugueses, contra 26,4% do PSD, 13,1% do Bloco de Esquerda, 10% do PCP e 6,2% do CDS/PP.

O jornal de hoje (153)


Não há sono

Esta noite não me vem o sono e, por isso, aproveito para dar uma olhadela por blogues que nunca vi. E não consigo dormir por uma razão simples: tenho um amigo que continua a fazer o favor de ser meu amigo. Ele é um dos melhores jornalistas portugueses. Tem uns pais maravilhosos que lhe proporcionaram uma educação e charme exemplares. Ensinaram-lhe algo de muito sério: que os amigos não são para deitar para o caixote do lixo. Este jornalista é de uma seriedade de princípios que tanto pode exercer a profissão como editor do Internacional no DN, como poderia trabalhar no New York Times ou no Le Monde. Refiro-me a um amigo de longa data, ao Pedro Correia, que me convidou para jantar num dos melhores restaurantes de Lisboa e ali estivemos a deambular pelas recordações que deixámos pelo mundo. De Timor a Macau. Do Ponto Final ao Macau Hoje. De governantes a governados. De escritores a radialistas. De assessores de imprensa a políticos de primeira. Da rádio à televisão. Exercemos a arte de bem recordar com o prazer de termos contribuído muito para todos esses encantos e encantadores (alguns da banha da cobra). Ao Pedro, desejo-lhe as maiores felicidades e o abraço agradecido de quem sabe reconhecer que ele é um amigo dos verdadeiros. A falta de sono é natural. Há que saborear o facto de se ter um amigo. Coisa rara...

sexta-feira, novembro 28, 2008

Para todo-o-terreno...

À boleia... (2)

Timor-Leste fundou companhia de aviação


Timor Air é o nome da companhia aérea de Timor-Leste. O presidente Ramos Horta esteve presente na cerimónia. Anunciaram a compra de um avião brasileiro... o povo continua a morrer à fome, sem casas, sem saúde, sem água, sem electricidade, sem emprego.

Tailândia em estado de sítio


SMS:

Joao perguntas se estou bem. mt bem. quero la saber das manifs da porrada do pm do aeroporto fechado os tailandeses sao optimos aqui em pukhet regresso quando abrirem o aeroporto de cu pro ar eh optimo. beijo su

O candeeiro...

Está em Lisboa?

Está em Lisboa? No escritório? No computador?
Óbvio, estúpido! Se estou a ler isto é porque estou no computador!
OK, não se zangue! Era só para lhe dizer para se deixar estar e não tente arrumar as coisas agora e pôr-se a caminho de casa. O trânsito está caótico em todas as saídas de Lisboa. Não vale a pena ir para os engarrafamentos gastar gasolina, tempo e paciência. Fique por aí mais uma horita e depois ponha-se a caminho. Bom fds.

FENPROF endurece

Coitados dos putos. Por este andar nem vão ter notas no primeiro período, as escolas vão fechar e os professores entram em greve ad eternum. Pode ser este o panorama futuro na área da Educação depois dos dirigentes da FENPROF terem deixado a reunião com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues. A FENPROF diz que a ministra já não tem condições para se manter no cargo e que vai endurecer a sua presença nas manifestações de protesto. Isto assim vai muito mal e pode acabar muito mal. Culpados? Ninguém...

Pacheco não atende

Liguei agora para o professor José Pacheco Pereira mas tem o telemóvel desligado. Deve ter entrado já de fim-de-semana alargado depois daquela 'Quadratura' sem sal que ontem foi para o ar na SIC-Notícias. Afinal, o Lobo Xavier dá outra vida à coisa. Mas, a razão que me levava a ligar ao ilustre comentador do PSD, primário (de primeiro) consultor da líder Manuela Ferreira Leite, prendia-se com a minha incredulidade sobre a sua posição de apoiar a saída de Dias Loureiro do Conselho de Estado. Queria só perguntar ao caríssimo professor se ele está a favor da saída de Dias Loureiro ou da saída de Cavaco Silva...

Socialistas da Madeira não estão a ver bem o filme...

E o filme é o BPN. Realização e produção de uns quantos senhores que viveram à grande e à francesa à custa das associações bancárias, com ligação aos off shores e, obviamente, à Madeira.
Ora, os socialistas madeirenses, diga-se com toda a razão e justiça, querem saber um rol de pormenores relacionados com empréstimos feitos pelo BPN ao governo regional.
O PS-Madeira requereu ontem a constituição de uma comissão parlamentar de inquérito sobre todos os termos das operações de crédito, num total de 600 milhões de euros.
O que possivelmente os socialistas da Madeira não sabem é que a facilitação dos 600 milhões do BPN ao governo de Jardim foi feita através do Banco Efisa. Ops!!! e aí cuidado, senhores socialistas madeirenses, porque podem queimar "ilustres" socialistas que estão ligados ao Banco Efisa...

O que eles dizem (83)

"Sou um social-democrata como Olof Palme"

José Sá Fernandes, vereador da CML, ex-apoiado pelo Bloco de Esquerda

Vê lá se te matam, ó Zé...

Terras de Portugal que visitam o PPTAO (55)

PENHA GARCIA, Castelo Branco

A liberdade no PCP

Os comunistas realizam este fim-de-semana o seu XVIII Congresso... em sessão fechada à comunicação social.

A avestruz


Eis aqui o ministro Manuel Pinho com o seu novo transporte depois de ter sido apanhado pela BT da GNR 43 vezes em excesso de velocidade nas auto-estradas de Norte a Sul...

Não se riam (61)

A ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, em entrevista ao Público, disse que era anarquista...

Bom fim de semana alargado com boas vistas...

Noticiarista política

Eduarda Maio é jornalista na Antena 1. Editou recentemente a biografia do "menino de ouro" José Sócrates, passou a editar e a apresentar os noticiários da manhã, mas discute-se se teria passado também a comissária política. Porquê? Porque esta manhã durante um dos noticiários apresentados pela senhora, ouviu-se um professor, que ontem participou numa manifestação, a dizer: "É importante, desculpem o termo, dar agora a estocada final, cortar as orelhas e o rabo...". Logo de seguida ouviu-se o comentário da noticiarista, pasme-se, sublinhando: "eis um forcado, mais uma tourada!"...
Não sabíamos que a função de um noticiarista agora também é a de fazer comentários jocosos aos intervenientes em manifestações anti-Governo... e ainda por cima ignorante, porque nem sequer sabe que numa tourada o forcado não dá estocadas...

Ricardo Costa pode vir para o PPTAO

Ricardo Costa, o irmão do presidente da Câmara de Lisboa e director-geral da SIC, pode vir a ingressar nos quadros do PPTAO, adiantou o próprio ao autor do bogue. Ricardo Costa transmitiu-me que ainda é capaz de arranjar uns minutinhos livres na sua vida depois de ter sido nomeado director adjunto do Expresso. O Costinha continuará como director-geral adjunto na SIC, como assessor do director-geral Luís Marques igualmente na SIC e apresentador do programa da SIC-Notícias 'Expresso da Meia-Noite. O Costinha adiantou que lhe sobram três minutos para escrever um post no PPTAO. Grande contratação esta onde há mãos para tudo, muito melhor que a "mão de Deus" do Maradona...

Bocas na rua (148)

- Esta é boa!
- O que é, pá?
- O Governo vai pôr as embaixadas a fazer comércio!
- Sendo assim, na Tailândia deve abrir uma casa de massagens...

Agora está tudo explicado

Vejam bem a primeira página do "Jornal de Hoje" mesmo aqui por baixo. Agora está tudo explicado porque é que o PS não queria autorizar a ida de Dias Loureiro à Assembleia da República para explicar "tudo" sobre o BPN...

O jornal de hoje (152)

quinta-feira, novembro 27, 2008

Benfica: cada bola à baliza é golo

E era este o guarda-redes que alguns gritavam para pôr o Ricardo na rua da selecção? Pobre Benfica, que tem um "frangueiro" que há muito não se via. É impossível a qualquer equipa pensar vencer um jogo quando qualquer remate do adversário que vá à baliza é golo. Noite infeliz do Quim? Não! O homem ainda defende alguma coisa quando o remate vem de fora de portas, de resto, não tem a noção de nada. Não sai aos pés do adversário, não sabe estar colocado na baliza quando as jogadas se desenrolam pelos flancos, não sabe sair a soco e não sabe chutar a pontapé. 5-1 a favor do Olympiacos é uma tragédia grega e um resultado humilhante para um clube da grandeza do Benfica. Tanto dinheiro gasto para no primeiro momento em que Luisão não pode jogar, a equipa desmoronar-se de uma forma pior que um baralho de cartas. O Benfica fez dos piores jogos da sua história. Dizer ainda que o Moreira é bom guarda-redes desde pequenino...

O reflexo...

Novo deputado na Madeira...

Já?!...

Por mares nunca dantes blogados (34)

Até lá, nada a dizer

Quanto mais leio as notícias menos me apetece escrever sobre elas. Tenho dito. E não fora este desabafo me sair tão natural que os meus dedos ter-se-iam por certo recusado a apalpar teclas a esta hora para vos dar o recado, por mais prazer que a coisa dê depois de feita. Sim, é quase como o sexo, que dizem chegar a um ponto da existência em que terá alturas cujo prazer não justifica o esforço dispendido para lá chegar, para não falar na posição, que pode ser bastante incómoda se nos concentrarmos na própria e não no propósito que deveria servir. Tudo isto dizem, claro. Mas mesmo assim continua inigualável como actividade lúdica e imbatível na relação preço/qualidade, digo eu. Não, não sai barato, a vida é que está muito cara, queria eu dizer.

Seja como for vinha só dizer-vos o que já disse, que nada tenho a dizer. E pronto, está dito. Escusam por isso de me vir falar da nova gaffe da doutora Manuela, de mais um ou dois banqueiros presos, árbitros comprados, meninos enrabados, conselheiros desaconselháveis ou doentes acabados à espera, que isso é apenas Portugal no dia-a-dia, meros detalhes de uma normalidade já comentada por baixo e por cima e pela direita e pela esquerda e por todos os lados, o a da asneira incluído e com natural destaque. Que esperam que eu diga, se a natureza humana pouco muda a marca que deixa em cada acontecimento a que se dedica? Comentar os pormenores repetindo o óbvio? Não, obrigado. Ando de birra com o disparate dos outros, explica em demasia o meu próprio, mesmo reduzido à escala. Não tenho nada a dizer e acabou-se. Por isso o deixo aqui dito e assinado, com validade para os próximos trinta minutos ou mais. Ou me provam bem provado que Cavaco Silva foi apanhado em flagrante tráfico de bolos secos e alcagoitas para o Afeganistão ou então não há conversa sobre esta triste actualidade que é a nossa, não sei que diga por isso não digo, nada, zero, zip, nestum. É esta a situação, lamento informar. E mesmo que o Presidente seja apanhado com a mão na alcagoita, por assim dizer, eu cá quero primeiro saber quem foi o agente infiltrado que o denunciou à Justiça. E só, mas só mesmo só e apenas depois de ficar provado que foi a D.Maria a operacional envolvida na detenção é que me arrancarão uma opiniãozita, talvez mesmo 'zona' nessa circunstância em particular. Porque por menos do que isso já disse, leiam lá atrás que ficou escrito. Não me arrancam um pio.

Rui Vasco Neto, in Sete Vidas Como Os Gatos

Gaveta de primeiro-ministro...


Comprimidos para as dores de cabeça e colheres de pau para os ministros...

Bocas na rua (147)

- É pá, o Vale e Azevedo é mesmo um tipo muito viajado, não achas?
- Porque é que dizes isso?
- Vê lá tu, que o homem foi para Londres há tão pouco tempo e já vem aí outra vez...

O Sismógrafo (1)


Parlamento e infracultura

por J. C.






Estou a seguir em directo o debate e votação na especialidade do Orçamento de Estado no Parlamento. O panorama de subcultura é desolador. A começar pelos tratos de polé que a língua portuguesa sofre, até à imagem de um certo caudal de deputados que tende a engrossar.

Tiro o meu chapéu a Francisco Louçã, que conseguiu fazer vingar a política de camisa aberta. O estilo foi outrora inaugurado, ainda no PREC, por um irrequieto deputado da extrema-esquerda (o precocemente desaparecido Acácio Barreiros), que aprendeu um dia a fazer nós de gravata quando se passou para o PS. Hoje, vai-se banalizando o número de deputados que seguem o exemplo reposto. Com uma diferença: Louça não usa mesmo gravata e não se sente tentado pelas camisas à padre (e apertadas no pescoço) de que Judas (o socialista) gostava; quanto aos outros, usam-na, sim, mas cada vez mais a usam apenas fora da Assembleia da República. Para o hemiciclo, qualquer dia vão até de fato-de-treino e sapatilhas.

Perguntarão os leitores: mas isso é importante? Claro que não é. É só a rentabilização do traje que vestem ao sábado de manhã para ir ao centro comercial. Mas não deixa de ser espantoso ver um deputado de camisa aberta e o topo da peitaça à mostra a usar da palavra na tribuna e a tratar os seus pares por «vossa excelência». Quando os centros comerciais frequentados pelos parlamentares passarem a ser órgãos de soberania, prometo não falar mais no assunto. Até lá, enquanto os bons costumes do País continuarem a mingar, continuarei a achar isto um sinal de infracultura...

PSD vê Braga por um canudo

A primeira bronca no seio do PSD de contestação directa à lider Manuela Ferreira Leite rebentou em Braga. A Comissão Distrital vai reunir os militantes pondo em causa a actual liderança e a pensar num congresso extraordinário.

Socratugal (3)


José Sócrates não pára de impingir o computador 'Magalhães'. Última vítima: o primeiro-ministro timorense Xanana Gusmão, que foi obrigado a regressar ao seu país com o computador debaixo do braço e a encomendar uns milhares, pasme-se, "para que os timorenses aprendam português", disse Xanana... não há pachorra para tanta aldrabice!

Seguro não está seguro

António José Seguro estuda avançar contra Sócrates, diz o DN de hoje. Segundo escreve João Pedro Henriques, o deputado socialista está a ser pressionado pela ala esquerda do PS a fim de se candidatar à liderança do Partido Socialista no próximo congresso.
Seguro estará seguro do que quer fazer ou já pensou que pode ser alvo de alguma oferta na OCDE, na UNESCO ou num banco com sede numa qualquer capital europeia?...

Conselho ao DN

O Diário de Notícias, de vez em quando, oferece como suplemento uma espécie de revista com o título de capa "LIFE". Não sei se o DN adquiriu os direitos da famosa revista internacional do mesmo nome, mas isso pouco me importa. O importante é que o conteúdo desta espécie de revista do DN é assim uma coisa chocante para a maioria dos leitores. Umas páginas dedicadas aos muito ricos ou mesmo milionários portugueses. Seria bom que o DN lançasse uma inscrição unicamente dedicada às pessoas muito ricas para que estas manifestassem o interesse em receber a espécie de revista. E depois enviavam o "luxo" apenas aos inscritos...
O meu avô dizia que havia leitores que não mereciam os jornais do seu tempo, tais como O Século, A Democracia do Sul e o Notícias de Évora. Hoje existem jornais que não merecem certos leitores...

Revista Focus: não pode ser verdade







Conheci
há momentos uma jovem que está a terminar o curso de jornalismo. E o que me contou não dá para acreditar. Que esteve a estagiar na revista Focus e que gostaram muito do seu trabalho. Convidaram-na a ficar mas... de borla. Que a revista apenas tem na redacção dois jornalistas efectivos. O resto é exercido por estagiários a recibos verdes precários que entram e saem em catadupa. Deve ser devido à "dieta do pensamento" dos responsáveis da revista...

Não se riam (60)

Aquele ministro que se diz dos Estrangeiros, um tal Luís (mal) Amado, teve uma ideia brilhante: pretende a adesão da Indonésia à CPLP...

Ser conselheiro de Estado é bom

O cargo de conselheiro de Estado tem as suas benesses. Não pensem que é assim uma coisa onde os senhores vão lá dar uns palpites ao Presidente da República. Não, é óptimo ser-se conselheiro de Estado. Tem regalias que vocês nem imaginam. Por exemplo, o 'rei' da Madeira, Alberto João Jardim, já anda há 11 anos com um processo judicial às costas mas... suspenso. Sem mais. O facto resulta da imunidade que aufere a sua condição de conselheiro de Estado. E ainda diz ele mal dos "colonialistas" do contnente...

Solenemente

Solenemente, Manuel Dias Loureiro, administrador e accionista do BPN, abriu uma sucursal do banco em Aguiar da Beira, em casa de seus pais.
Desculpem, não foi Dias Loureiro que abriu... foi Oliveira e Costa. Solenemente...

Recorde de visitas

O nosso blogue voltou a bater o recorde de visitas num só dia. O Sitemeter indicou que no dia de ontem tivemos 484. Obrigado a todos.

Índia em sangue

Bombaim é a sede dos magnatas indianos. Cinema, indústria e turismo faz de Bombaim a segunda cidade mais populosa do mundo. O terrorismo atacou Bombaim. Mais de 100 mortos, mais de 300 feridos, ataques a 10 locais diferentes da cidade onde num dos melhores hotéis ainda se encontram dezenas de turistas reféns dos terroristas moujaeedin. Tudo está em cima da mesa sobre a origem dos atacantes: islamismo radical da Al-Qaeda, Paquistão, Afeganistão, Bangladesh ou Caxemira. 15 portugueses que se encontravam num hotel conseguiram escapar ao ataque.

O jornal de hoje (151)

quarta-feira, novembro 26, 2008

Aconteceu tudo ao Sporting

O Sporting a jogar em casa contra o Barcelona não podia ter mais falta de sorte, medo e ingenuidade q.b.. Para além da superioridade na categoria dos jogadores do Barcelona, especialmente o melhor jogador do mundo - Messi -, o Sporting sofreu todas as agruras durante o jogo. Uma derrota por 5-2 quando um 3-2 seria mais justo. O Sporting entrou em campo com um respeito exagerado pelo Barcelona, amedrontado e azarado. Em três minutos sofreu dois golos, sendo um deles um auto-golo. O árbitro viu um penalti inexistente expulsando o guarda-redes Patrício. O Barcelona foi muito superior ao Sporting, mas o Derlei falhou na cara do guarda-redes espanhol o que seria o terceiro do Sporting. Há 25 anos que o Sporting não perdia por 5 golos. É isto o futebol.

Queridas motos (33)

Blogando com prazer (149)

BESTAS DO APOCALIPSE LUSO


O apocalipse português é feito de começos de desmoronamento como este.
Uma multidão de máscaras que se desposicionam na sua fealdade bem-falante
para nos revelar uns personagens sinistros, requintados nos gostos criminosos,
sodomizando, pervertendo, humilhando, rasto de décadas em nojeira,
que longamente se arrastaram pelos bancos da Justiça
e tudo gastaram e se desgastaram a pagar que se provasse o improvável,
quando em rigor e para abreviar: «Não se faz aquilo às crianças.»
lkj
Um conjunto de personalidades que caçam com el-Rei de Espanha, que são amigos
do topo da sociedade, que aprendem a mentir com solenidade, que não se mancam,
que em dias de tédio passados viajaram a enterrar uns milhões e outras coisas
gloriosamente erectas numas falências exóticas, nuns hotéis com muito falo,
gente cuja memória e consciência são uma real bosta, um atrevimento boçal.
Sim, o apocalipse português é feito disto e é feito de um núcleo central
de partidos nos quais os Portugueses colocavam esperança de progresso
e expectativa de bem-estar para uma vasta maioria de seus filhos,
e que se revelaram, esses partidos nucleares, somente uma máfia sôfrega
de interesses promíscuos, de imoralidades indecentes, circuito fechado de abjecção,
e de má governança incompetente, controleira, brutal e corrupta.
lkj
Agora os portugueses estão a pagar tudo isto por todos os lados e de todas as formas.
Pagam electricidade alta, pagam a falácia de caros combustíveis obscenos,
não proporcional e homologamente compatíveis com a baixa sistémica do petróleo,
mas imediatamente encarecidos em caso de alta sistémica do petróleo,
pagam gás caro, pagam água cara, pagam prestações de habitação altas
que não há euribor baixa e mais baixa ainda que as baixe.
Pagam. Pagam e pagam!
lkj
Pagam em vergonha, pagam em desânimo, pagam em horror!
Pagam por todos aqueles que, escapando às malhas amigas
e por vezes laxas, por vezes maleáveis de uma Justiça sequestrada,
não se sentem obrigados a justificar-se perante os cidadãos.
Escapam os seus sinais corporais, que outrora empalavam adolescentes
cujos olhos olhavam e viam. Fogem às consequências dos seus actos,
ficam ao abrigo da verdade, e devem ficar a rir descaradamente
da própria impunidade servida numa bandeja gloriosa, em ombros,
apoteose filha da puta, nacional venalidade.

Joshua, in Palavrossavrvs Rex (nossos links)

Isto é grave

Em Portugal, 30 por cento das pessoas infectadas com o HIV/SIDA não sabem que possuem a infecção.

Terras de Portugal que visitam o PPTAO (54)

MONCHIQUE, Algarve

Ai, que horrrrror!!!...


Manuela Ferreira Leite vai anunciar Pedro Santana Lopes como candidato à Câmara de Lisboa...

Na sombra da arquitectura...

A nova mala-arma de senhora...

Ingratidões






O
magnata dos casinos de Macau e de Portugal, Stanley Ho, fez ontem 87 lindas primaveras. Uma vida dedicada à administração do jogo e das mais diversas empresas. Sobre Stanley Ho não me quero pronunciar aqui, porque teria de escrever um post do tamanho do mundo com passagens muito desagradáveis para a maioria dos governantes que passou por Macau e, especialmente, para a classe dos advogados residentes naquela Região Administrativa Especial da China e ex-colónia portuguesa.
O que pretendo referir sobre o aniversário de Stanley Ho foi a minha estranheza por, precisamente ontem, dia de anos do patrão, o administrador dos casinos de Ho em Portugal, Mário Assis Ferreira, ter estado na Antena 1 a dar uma grande entrevista, onde falou de si, e de si e mais de si, e nem sequer se tenha lembrado de uma palavrinha dedicada ao patrão e aos seus 87...

Não se riam (59)

Ouvi agora no rádio, a propósito da visita de Xanana Gusmão a Lisboa, que são os bancos (falidos) portugueses que irão salvar a economia dos timorenses...

Ou, à séria, temos os bancos portugueses à caça do Fundo de Petróleo de Timor-Leste?

Pires Veloso fica mal no filme

Depois de afirmar que o general Ramalho Eanes "não fez nada no 25 de Novembro" e que tudo foi "prefabricado para o transformar em herói", o general na reserva Pires Veloso foi totalmente desmentido por vários militares incluindo pelo visado.
António Ramalho Eanes foi ontem à SIC-Notícias e "arrasou" o autor do livro "Vice-Rei do Norte", Pires Veloso. Eanes manifestou-se "magoadíssimo" e foi contundente ao afirmar que no 25 de Novembro não houve heróis porque se tratou de um "trabalho de equipa". Esperemos pelo livro de Vasco Lourenço para continuarmos a confirmar, certamente, as muitas inverdades, invenções, deturpações e algumas verdades sobre o 25 de Novembro.

Post Scriptum - O general Ramalho Eanes confirmou a entrega de armas a militantes do PS.

Fascista!!!... Chulo!!!

Mas o que é isto? Não era suposto este blogue ser uma coisa decente?...

Peço desculpa, mas estava apenas a reproduzir a linguagem "oficial" da Assembleia Legislativa da Madeira...

Os vários PS's


"Este PS tem sido muito bom para Lisboa"

José Sá Fernandes, vereador da CML, na primeira página do DN





Ora
cá está um homem bem informado sobre o interior profundo do Partido Socialista. É fantástico! como é que uma pessoa em apenas uns meses de mordomias dadas pelo seu camarada António Costa na edilidade lisboeta, ficou de imediato catedratizada sobre matéria tão peculiar - o maior partido português e as suas tendências políticas. O denominado "Zé" (tudo menos Povinho) pronunciou-se descaradamente sobre "este" PS, do que se pode concluir que o seu novo grande amigo António Costa já o autorizou a ser mais um mentidero ao serviço da desestabilização do PS.
Sendo assim, já que Sá Fernandes anunciou ao mundo que existe "um" PS na Câmara de Lisboa, podemos nós também dar a conhecer um segredo de que poucos têm conhecimento e que seja:
Há o outro PS de José Sócrates.
Há o outro PS de Mário Soares.
Há o outro PS de Manuel Alegre.
Há o outro PS de António José Seguro.
Há o outro PS de Ana Gomes.
Há o outro PS de António Vitorino.
Há o outro PS de Carlos César.
Há o outro PS de Armando Ramalho.
Há o outro PS de Narciso Miranda.
E há o outro PS de... (escreva você)

A força da solidariedade bloguista é isto...

http://joshuaquim7.blogspot.com/2008/11/risco-contnuo-o-blogue.html

Ferraris em greve...

A nossa rádio...

Oiço um locutor de rádio dizer: "... e hoje em Moscovo vai estar zero graus, zero... não é calor nem frio".

E se alguém lhe colocasse a temperatura do estúdio em zero graus, para ele ver se tinha frio ou não?...

A Educação vai bem...

Um aluno do 9º ano da Escola Secundária das Caldas da Rainha escreveu esta redacção. Exemplar.

REDAXÃO
'O PIPOL E A ESCOLA'
Eu axo q os alunos n devem d xumbar qd n vam á escola. Pq o aluno tb tem Direitos e se n vai á escola latrá os seus motivos pq isto tb é perciso ver q á razões qd um aluno não vai á escola. Primeiros a peçoa n se sente motivada Pq axa q a escola e a iducação estam uma beca sobre alurizadas.
Valáver, o q é q intereça a um bacano se o quelima de trásosmontes é munto Montanhoso? Ou se a ecuação é exdruxula ou alcalina? Ou cuantas estrofes tem Um cuadrado? Ou se um angulo é paleolitico ou espongiforme? Hã?
E ópois os setores ainda xutam preguntas parvas tipo cuantos cantos tem 'os Lesiades''s, q é um livro xato e q n foi escrevido c/ palavras normais mas q no Aspequeto é como outro qq e só pode ter 4 cantos comós outros, daaaah.
Ás veses o pipol ainda tenta tar cos abanos em on, mas os bitaites dos profes até dam gomitos e a Malta re-sentesse, outro dia um arrotou q os jovens n tem Abitos de leitura e q a Malta n sabemos ler nem escrever e a sorte do gimbras Foi q ele h-xoce bué da rapido e só o 'garra de lin-chao' é q conceguiu Assertar lhe com um sapato. Atão agora aviamos de ler tudo qt é livro desde o Camóes até á idade média e por aí fora, qués ver???
O pipol tem é q aprender cenas q intressam como na minha escola q á um curço De otelaria e a Malta aprendemos a faser lã pereias e ovos mois e piças de Xicolate q são assim tipo as pecialidades da rejião e ópois pudemos ganhar um Gravetame do camandro. Ah poizé. Tarei a inzajerar?

BPN: a inútil declaração

Devido aos muitos dissabores que sofri ao longo da profissão por culpa do ímpeto genético que alguns amigos entendem ser uma desculpa para certos devaneios jornalísticos que assinei, (que atire a primeira pedra quem...) tenho por bem aqui no PPTAO contactar a 'Autoridade de Consultores' (órgão colegial que me aconselha...) sempre que se me depara um tema quente (com mais de 50 graus).
O Eng. J. Pitágoras é, por exemplo, uma proeminente figura da política, da economia, da história, do desporto, das artes e dos oceanos versus ilhéus atlânticos... que normalmente é confrontada com os mais díspares assuntos que o PPTAO pretende introduzir à consideração da blogosfera. Na maior parte das vezes, o seu conselho é determinante para que eu avance para a luta...
Quando o Presidente da República emitiu um comunicado sobre a sua ligação à existência de poupanças suas no BPN e eventuais boatos que se desenvolveram na maledicência nacional, eu descrevi aqui que o comunicado era absurdo, despropositado e ainda escrito com erros ortográficos como aquele do "discriminado" em vez de "descriminado". E hoje confirmei que a minha 'Autoridade de Consultores' funciona com plena eficiência, de tal modo, que até o mestre Baptista-Bastos escreve no DN que "o documento de Belém não representa a instância de um protesto nem representa nada " e não passando de uma "inútil declaração"...

O jornal de hoje (150)

terça-feira, novembro 25, 2008

Só na Austrália...

Sá Fernandes à pesca

O Bloco de Esquerda já leu a cartilha ao vereador lisboeta José Sá Fernandes. O Bloco fartou-se das "independências" do Zé, especialmente o amor manifestado pelo vereador ao empilhamento de contentores à beira-Tejo. Por isso mesmo, o recado dos bloguistas foi direitinho para que o Zé vererador se dedique à pesca bem juntinho do cais de Alcântara...

Escândalo BPN: procissão ainda no adro

129, 5 milhões de euros ocultados na venda de empresa brasileira

O BPN ocultou 129,5 milhões de euros da venda da empresa brasileira ERGI, em 2006, através de uma sociedade off-shore controlada pelo grupo Sociedade Lusa de Negócios (SLN), apurou a Lusa com base nos registos oficiais.
Segundo os registos da Junta Comercial de São Paulo, a ERGI Empreendimentos era detida em 20 por cento pelo BPN e em 80 por cento pela Swiss Finance, uma off-shore que o Banco de Portugal, numa carta remetida em Junho à administração do BPN, a que a Lusa teve acesso, identifica como pertencente à SLN (a proprietária do banco).

Um antigo responsável da SLN, que pediu para não ser identificado, confirmou à Lusa que a Swiss Finance é, de facto, uma das várias sociedades off-shore controladas pelo grupo.

A ERGI foi vendida em Dezembro de 2006 ao grupo brasileiro WTorre, por 135 milhões de euros. Mas no relatório e contas desse ano, a administração do BPN refere um encaixe de apenas 5,5 milhões de euros com a operação, o que significa que os restantes 129,5 milhões de euros não foram incluídos nas contas do banco.

Além deste valor, entre 2003 e 2006 o BPN injectou um total de 242,2 milhões de euros na ERGI Empreendimentos, na forma de empréstimos concedidos pelo Banco Insular de Cabo Verde, uma instituição off-shore que a SLN controlou de forma clandestina durante vários anos.

Os empréstimos concedidos à ERGI não chegaram a ser liquidados, pelo que deverão fazer parte dos cerca de 407 milhões de euros em crédito malparado que, segundo o Banco de Portugal, consta do balanço do Insular.

Segundo a Junta Comercial de São Paulo, o administrador da ERGI na altura da venda à WTorre era Jorge Vieira Lobo de Sousa, um cidadão português com residência em São Paulo. A Lusa tentou obter esclarecimentos junto do responsável, mas não foi possível.

Bocas na rua (146)

- Ó Zeca, não és tu que tens um carro a gasóleo?
- Sou sim, pá!
- E não te divorciaste há pouco tempo?
- Há um mês, pá!
- Então, os meus pêsames!
- O que é, pá? A minha ex morreu?
- Nada disso! É que os teus amigos do Governo, em quem tu votaste tão entusiasticamente, ofereceram-te já a prenda de Natal!
- O que foi, pá?! Diz depressa!
- Os carros a gasóleo vão passar a pagar mais 250 euros de imposto e os divorciados vão pagar mais IRS...

Queridas motos (32)

WC único...

1,2,3,4,5 minutos de jazz...

Terminou o mistério

RISCO CONTÍNUO é um novo blogue colectivo, onde este vosso servo teve a honra de ser convidado por nomes de peso e de grande prestígio do jornalismo, da literatura e das artes.

RISCO CONTÍNUO tem como assinatura: uma estrada dos bravos, blog dos livres.

RISCO CONTÍNUO um blogue onde tudo pode acontecer, excepto o insulto.

RISCO CONTÍNUO um blogue que irá dar muito que falar... porquê? Porque é um grande "risco" hoje em dia escrever seja o que for. Pior ainda, continuamente.

Visite o RISCO CONTÍNUO e verá que vai gostar.

http://risco-continuo.blogs.sapo.pt


Cavaco Silva, num dia: "Não comento as actividades de conselheiros, embaixadores, membros do Governo, deputados..."

Cavaco Silva, no outro dia: "Recebi o doutor Dias Loureiro que me garantiu solenemente não ter cometido quaisquer ilegalidades no uso das suas funções como administrador da sociedade do BPN"...

Timor-Leste: a ilha insustentável


Alguns leitores deste blogue manifestaram-me a sua surpresa pela mensagem que aqui deixei no domingo passado, onde salientei que Timor-Leste não passava de um país onde o mote para o futuro será a "porrada", mais "porrada" e ainda "porrada". Tinha sido o alerta de um timorense que acabara de chegar de Díli e que me tinha transmitido que o seu país não tinha futuro, que era um Estado falhado e que a corrupção já era pior que na Indonésia. Não me quis alongar nos detalhes porque jurei a mim próprio que devido à ingratidão de certos timorenses para com a minha pessoa após uma dedicação à causa timorense de mais de trinta anos, não ocuparia mais tempo da minha vida com os assuntos de Timor-Leste, a não ser nos momentos de grande tensão e que eu verificasse que os leitores do PPTAO mereciam uma informação verdadeira.
Coincidência das coincidências, aí está hoje o jornal Público a dar à estampa a grande verdade do que se passa naquela "ilha insustentável" - título do excelente trabalho de Pedro Rosa Mendes e que vos deixo aqui para vossa apreciação.

Timor-Leste
ilha insustentável

Pedro Rosa Mendes

Este é o retrato implacável de uma realidade que não podemos continuar a fingir que não existe. Estas são algumas das verdades, duras como punhos, sobre um país que sonhou ser diferente - e nos fez também sonhar
1. Timor não é um Estado falhado. É pior. Falhou o projecto nacional idealizado há uma década

Em nove anos de liberdade, Timor-Leste não conseguiu assegurar água, luz e esgotos para a sua pequena capital. Baucau, a segunda "cidade", é uma versão apenas ajardinada da favela que é Díli, graças à gestão autárquica (oficiosa) do bispado.
O resto, nos "distritos", é um país de cordilheiras que vive o neolítico como quotidiano, longe do mínimo humano aceitável. Chega-se lá pelas estradas e picadas deixadas pelos "indonésios". Há estradas principais onde não entrou uma picareta desde 1999.
O bem público e as necessidades do povo são ignorados há nove anos com um desprezo obsceno. O melhor exemplo é a companhia de electricidade: durante cinco anos, a central de Díli não teve manutenção de nenhum dos 14 geradores - todos oferecidos -, até que a última máquina de grande potência resfolegou.
O Hospital Nacional Guido Valadares, onde se inaugura esta semana instalações rutilantes, não teve até hoje um ecógrafo decente nem ventiladores nos Cuidados Intensivos. Não há um TAC no país (embora custe o mesmo que dois dos novos carros dos deputados); a menina timorense com que Portugal se comove teve o tumor diagnosticado pelo acaso de um navio-hospital americano que lançou âncora em Díli. A taxa de mortalidade infantil é apenas superada a nível mundial pelo Afeganistão. A mortalidade pós-parto é assustadora. Entretanto, cada mulher timorense em idade fértil tem em média 7,6 filhos.
Circulam entre diplomatas e humanitários os "transparentes" de um relatório do Banco Mundial que conclui que "a pobreza aumentou significativamente" entre 2001 e 2007 (um balanço arrasador do consulado Fretilin, porque o estudo usa indicadores até 2006). Cerca de metade dos timorenses vive com menos de 60 cêntimos de euro por dia e, desses, metade são crianças. Timor é um país rico atolado na indigência, onde os líderes se insultam por causa de orçamentos que ninguém tem sequer unhas para gastar.


2. A "identidade maubere"
é uma ficção dispendiosa

A identidade "nacional" do espaço político timorense não existe, como explicam os bons historiadores, que sempre referem no plural os "povos" de Timor. Sob o mito do "povo maubere" existe um mosaico de dezena e meia de entidades etnolinguísticas que se definem por oposição (em conflito, separação, desconfiança, distância) ao "outro", mesmo em aliança. O "outro" de fora, ou o "outro" de dentro. É um tipo de coesão circunstancial e oportunista que morre com o conflito, engendrando a prazo outros conflitos, em ciclos de calma e crise numa ilha com paradigmas medievais.
A gesta "maubere" produziu, finalmente, uma inversão cronológica. A RDTL é uma cristalização política de uma sociedade que teve alforria de Estado antes de construir uma identidade que o sustentasse.
A filiação de cada timorense continua a ser à respectiva "uma lulik" (casa sagrada) e às linhagens que definem outros territórios e outras leis que não passam por ministros, juízes nem polícias, mas por monarcas, oligarcas e chefes de guerra. É isto que os líderes tentam ser - ou, de contrário, não são.


3. O Estado independente
é sabotado pelas
estruturas da resistência

O Estado timorense funciona. Não significa, porém, que produza algum resultado, exceptuando a Autoridade Bancária de Pagamentos, única instituição onde a aposta na localização de quadros e a recompensa do mérito fizeram do futuro banco central um oásis de probidade nórdica.
As estruturas operativas do país são paralelas, oficiosas e opacas. Vêm do tempo da resistência e não houve coragem ou inteligência para as formalizar no jovem Estado.
Um caso óbvio é o dos veteranos das Falintil que não integraram as novas Forças de Defesa (FDTL). Em 2006, foi a 200 desses "civis" que o brigadeiro-general Taur Matan Ruak recorreu num momento crítico de sobrevivência do Estado. O Estado-Maior timorense está, porém, a contas com a justiça. Se passar da fase de inquérito, talvez o processo das armas e da milícia "20-20" abra um debate que devia ter acontecido antes. O lugar das "reservas morais" tem de ser formalizado, sob pena de não haver linha de separação entre patriotismo e delinquência. O major Alfredo Reinado ilustrou, de forma trágica, a facilidade deste salto.
As estruturas paralelas, porém, não são exclusivo do sector de segurança. O ex-comandante Xanana Gusmão não esconde que a Caixa, a rede clandestina de "inteligência", continua activa. As fidelidades, mas também os reflexos e atavismos da resistência, continuam em vigor. A "velha" voz de comando é, por vezes, a última instância e, mesmo em Conselho de Ministros, o último argumento é por vezes o voto de qualidade por murro na mesa.
José Ramos-Horta, diasporizado das Falintil e do mato até 1999, não tem cão mas caça com gato. O chefe de Estado, em linha com os símbolos maçónicos debruados nas suas camisas, é desde há dois anos o segundo "pai" da Sagrada Família. É uma sociedade fundada em 1989 pelo comandante Cornélio Gama "L7", que evoluiu para uma combinação algo mística de grupo religioso, partido político e milícia justiceira. Foi "L7", com a bênção de Xanana Gusmão, que apresentou a candidatura de Ramos-Horta à Presidência em Fevereiro de 2007, em Laga. Vários elementos da Sagrada Família integram a guarda do chefe de Estado.
A República timorense é limitada e sabotada pela recorrência do ocultismo, apadrinhamento, vassalagem e mentalidade de célula. No entanto, se não fossem as redes informais de confiança e de comando, por onde passam também os códigos de fidelidade e os valores de grupo, a RDTL já teria implodido.
Versão moderna dos Estados dentro do Estado: a última contagem, confidencial, dá conta de 350 assessores internacionais junto do IV Governo Constitucional.


4. A estratégia dominante na sociedade está
tipificada no Código Penal.
Chama-se extorsão

A simpatia pela "causa" timorense estagnou num ideal de sociedade e de pessoa que é desmentido pela frustrante experiência quotidiana. Ignorância, trauma, miséria e negligência, polvilhados com os venenos da complacência, paternalismo e piedade, banalizaram comportamentos de rapina, desonestidade, egoísmo e má-fé. A solidariedade, a generosidade e a gratidão estão em minoria. O que é marginal ou criminal noutros sítios faz, no Timor de hoje, catecismo nas repartições, nos negócios, no mercado, no trânsito, no lar.
A "liderança histórica" reina sobre um país intratável, em passiva desobediência civil, que pensa e age como se todo o mundo lhe devesse tudo e como se tudo estivesse disponível para ser colhido, do petróleo ao investimento e à atenção internacional. A cobiça e a inveja social infectam a esfera política, social, laboral e até familiar. "Aqui todos mandam e ninguém obedece", para citar um velho timorense educado em princípios que deixaram de ter valor corrente no seu país.
A "estabilidade" actual é comprada com um Natal todos os dias. Tudo é subsidiado, desde o arroz ao combustível, com uma chuva de benesses e compensações a um leque impensável de clientelas e capelas. A sociedade civil, digamos, é uma soma de grupos de pressão que recebem na mesma moeda em que ameaçam com incêndios e pedradas, desde os deslocados aos peticionários ou aos estudantes.
Todo esse dinheiro nada produz. Algum sai para a Indonésia, que os novos-ricos timorenses consideram um sítio mais seguro para investir. O que fica compra motorizadas e telemóveis. A Timor Telecom vai fechar o ano com 120 mil clientes na rede móvel, 12 por cento da população, uma taxa ao nível de países com o triplo de rendimento per capita do timorense.
A maioria dos timorenses não paga o que consome: água, electricidade (por isso o consumo aumenta 25 por cento ao ano, um ritmo impossível de acompanhar por qualquer investimento nas infra-estruturas), casa, terra, crédito, arroz. Este modelo de pilhagem e esbanjamento é insustentável na economia, na banca, na ecologia, na demografia e, a prazo, até na política.


5. A ocupação indonésia
foi implacável e a líderança timorense desmantela
com zelo o que restava:
a dignidade

O gangster mais conhecido do submundo de Jacarta nos anos 1990 - o timorense Hércules - é, hoje, o dono de obra no melhor jardim da capital. Os condenados por crimes contra a humanidade, como Joni Marques, da "Tim Alfa" (pôs Portugal de lenço branco em Setembro de 1999 com um massacre de freiras e padres), voltam às suas aldeias com indemnizações por casas que foram queimadas, enquanto eles estavam na prisão.
Na Comissão mista de Verdade e Amizade (CVA), foi a parte timorense, perante a surpresa indonésia, que tentou conseguir uma amnistia geral para os crimes de 1999, com uma persistência de virar o estômago.
O relatório da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR), uma monumentae historica de 24 anos de dor em sete volumes, espera há três anos a honra de um debate no Parlamento. Duas datas estiveram marcadas em Novembro, mas, nos bastidores, os titulares políticos tentam obter uma prévia sanitização das recomendações da CAVR.
Mari Alkatiri, Xanana Gusmão e José Ramos-Horta, ao sectarizar a memória da violência, desbarataram o capital obtido à custa de duzentos mil mortos (incluindo os seus entes queridos). A herança do genocídio é aviltada na praça como capital de risco e como cartão de visita. O resultado é uma distopia moral, um abismo de proporções tremendas em que se afunda um país cuja soberania teve, afinal, uma legitimidade essencialmente moral no seu contexto geográfico e histórico.
Os mortos são a parte nobre de Timor, merecedores de tributos em rituais, lutos e deslutos. Mas nesta terra de cruzes, valas comuns e desaparecidos, não houve ainda a caridade de 200 mil euros para instalar um laboratório de ADN que permitisse, enfim, devolver os ossos ao apaziguamento dos vivos.
A injustiça e a impunidade são valores seguros em Timor-Leste.


6. Timor fala todas
as línguas e nenhuma

Timor é uma ficção lusófona onde a língua portuguesa navega contra uma geração culturalmente integrada na Indonésia, contra a geografia, contra manipulações políticas internas e contra a sabotagem de várias agências internacionais. A reintrodução do português só poderá ter êxito com a cumulação de duas coisas: firmeza política, em Díli, sobre as suas línguas oficiais; massificação de meios ao serviço de ambas.
O Instituto Nacional de Linguística tem 500 dólares de orçamento mensal (exacto, seis mil USD por ano).
Na "Babel lorosa'e", como lhe chamou Luiz Filipe Thomaz, não se fala bem nenhuma das línguas da praça (tétum, português, inglês, indonésio). Uma língua é a articulação de um mundo e do nosso lugar nele. Perdidos da gramática e do vocabulário, uma geração de timorenses chegou à idade adulta e ao mercado de trabalho sem muitas vezes conhecer conceitos como a lei da gravidade, o fuso horário ou as formas geométricas, apenas para dar exemplos fáceis.
Aos poucos bancos com balcão em Díli (três) chegam projectos de investimento estrangeiro cujos planos de amortização não prevêem mão-de-obra timorense ou que contam os timorenses como peso-morto na massa salarial, ao lado de operários ou técnicos importados que responderão pela produção.


7. "Entrar nas Nações Unidas é ficar
politicamente inimputável"

Diz um diplomata que gosta do teatro de sombras javanês: "A ONU em Díli está em sintonia com os dirigentes timorenses. Todos fabricam fantasmas: o grande estratego, o grande diplomata, o grande guerrilheiro. Se não fosse assim, as máscaras cairiam e seria um grande embaraço..."
A UNMIT, uma das missões mais caras da ONU, afunda-se penosamente no mesmo vazio moral da liderança timorense. Três mil funcionários, polícias e militares, uma massa crítica formidável que poderia ser um contrapeso à incompetência e à insensatez, são esmagados pelo cabotinismo carreirista do chefe de missão, Atul Khare, e de acólitos que acham bem em Timor aquilo que jamais admitiriam nos seus países desenvolvidos. "Entrar nas Nações Unidas é ficar politicamente inimputável", explicou um alto-
-funcionário da UNMIT.


8. Não há nenhuma bandeira de Portugal
no mar de Timor

Não há interesses portugueses em Timor-Leste, porque não há condições objectivas mínimas para fazer vingar qualquer interesse mensurável. Não, decerto, pelos critérios que vigoram em qualquer outro lado. Seria bom que isto fosse entendido pelos nossos responsáveis políticos. Portugal concedeu mais de 440 milhões de euros de 1999 a 2007 em ajuda ao desenvolvimento a Timor-Leste, que consome quase metade do bolo total da nossa cooperação.
Continuando uma tradição portuguesa, as projecções pós-
-imperiais e os fascínios com sucessivos aprendizes de Mandela ganham precedência sobre as informações que chegam dos operadores económicos no terreno. "Mas você nunca ouvirá um governante português dizer nada contra Timor", dizia, este ano, à mesa do café, um governante português de visita.


9. "Tudo ainda não aconteceu"

A ferida feia no corpo de Ramos-Horta, quando o Presidente jazia numa poça de sangue depois de levar dois tiros de cano-longo, é um buraco tão fundo como a vergonha da nação. A ressurreição do profeta-Nobel criou um cristo gnóstico mas as chagas, nesta terra dilacerada, já não fundam religiões com a facilidade com que há dez anos fundavam Estados.
Díli, como um circo máximo de gladiadores, fervilha de jovens empurrados para a luta. Não têm emprego, educação ou perspectiva. Alguém lhes diz: "Não sois bandidos. Sois guerreiros." Mas dos aswain, os heróis das montanhas timorenses, resta-lhes a coragem física, um retalho de rituais dispersos por grupos rivais e a intransigente sacralização do seu território. Uma mistura inflamável para toda a nação. "A resistência continua mas agora sem rumo. E, sem rumo, só faz merda", diz o ex-assessor de Ramos-Horta para a Juventude José Sousa-Santos.
"Tudo ainda não aconteceu", avisava um "espírito" antepassado, pela voz de uma menina de Ermera, no Natal ainda inocente de 2005.
Díli, Novembro de 2008