
Há pouco mais de uma hora tinha sintonizado a SIC-Notícias para saber as últimas do mundo. Seguiu-se um programa denominado "Negócios da Semana". E reparei que a entrevistada da noite era a líder do PSD Manuela Ferreira Leite. Logo pensei no zapping porque ando farto de conversa de políticos. Há 30 anos que é mais do mesmo. E quando me remexi no sofá para sintonizar outro canal ouvi a senhora responder com uma clarividência fora do normal sobre a primeira pergunta que lhe fora colocada. Continuei a ouvir a entrevista e só vos digo que nunca imaginei que a "silenciosa" presidente do PSD tivesse tanta desenvoltura na língua para se bater com dois "provocadores" que ali estavam perante si com ar de comissários políticos do Partido Socialista. Fui ficando, fui ouvindo e retive-me com cara de parvo. Nunca tinha ouvido Manuela Ferreira Leite falar daquele modo e bater-se "tu cá tu lá" sobre os mais prementes problemas que afectam o país, nomeadamente, o encerramento de milhares de pequenas e médias empresas este ano, o aumento constante do desemprego e o fiasco da governação de Sócrates no sector económico. A senhora surpreendeu pela elevada preparação na abordagem de todas as questões, pela dureza e frontalidade com que rebateu as "teses" (que deveriam ser perguntas) dos jornalistas interlocutores e pelas alternativas que apresentou para um certo tipo de governo futuro bem diferenciado do actual.
Depois do que ouvi tenho a certeza que Manuela Ferreira Leite, que parecia uma mosquinha morta, vai surpreender muita gente, vai perturbar muitos críticos, como eu, que imaginámos a sua postura política simbolizando uma derrota antecipada. Não, depois de ver como a senhora "arrasou" autenticamente os dois economistas que tinha pela frente - um deles parece-me que é director de um jornal de assuntos económicos -, conclui que esta coisa da política, afinal, vai animar. Confesso que nunca tinha visto Manuela Ferreira Leite num bate-papo televisivo de forma concentrada mas descontraída, contundente no contraditório, esclarecedora nos objectivos e inteligente na propaganda, acabando mesmo por dizer que não tinha que afirmar ali naquele estúdio se iria retirar a maioria absoluta, ou não, ao PS. Afirmou sim, que iria fazer tudo para ganhar as eleições. Sublinhou que quaisquer eleições "ou se ganham ou se perdem" e que ela estava apostada em ganhar e governar melhor do que o actual inquilino de S. Bento. Fiquei com a certeza que isto ainda vai dar muita luta e muita surpresa.






4 comentários:
COMPLETAMENTE DE ACORDO, João. Insolentes, desrespeitosos e perfeitamente rapazolas, em vez de profissionais.
Em comparação com a falta de colhões que as duplas de entrevistadores revelam para com Sócrates, a falta de respeito durante essa entrevista a Manuela resume tudo: a pureza e a independência faz urticária a muita gente.
Não sendo um espírito eminentemente político, convincente no show off da convincência, insinuado, liderante, arrastante e arrostante, MFL não pertence mesmo a este mundo, provavelmente para mal de este mundo.
Este mundo pertence a desonestos facínoras irresponsáveis e mentirosos. É a esses que imberbes jornalistas aplaudem e com eles uma massa enorme de acéfalos que outrora todos se encolhiam perante Salazar ou Estaline, se Estaline fosse português: manda? Deve ter razão, ainda que a razão seja uma merda prepotente qualquer.
COMPLETAMENTE DE ACORDO contigo caro Joshua. Eu não quis ser tão duro quanto o teu belíssimo comentário, não fossem acusr-me de já me ter vendido à MFL. Simplesmente as verdades devem ser ditas e a senhora deu uma lição aqueles rapazolas de economia, de finanças, de educação, de personalidade e até de verdade. A dada altura os rapazolas atirara-lhe à cara a situação económica de 2004 e compararam com 2008 e ela respondeu-lhes bem, sublinhando que não se podia ter tanta falta de seriedade e que estava ali apenas para comentar o Governo e a sua triste figura em 2008 e que acabara de apresentar um OE vergonhoso e demagogo para 2009.
Abraço e obrigado pela visita.
João
Com toda a estima que possuo por ti, sempre te digo no entanto, que não devemos ter visto o mesmo programa ou entrevista....Achei que a senhora foi, simplesmente, um desastre em termos de conteúdo,imagem e comunicação...
Abraço
J.B.
Caro J.B.
O que posso dizer é que não inventei nada. Limitei-me a transmitir o que ouvi e que me surpreendeu, precisamente por a senhora anteriormente ser "um desastre em termos de conteúdo, imagem e comunicação". Ontem, não o foi. Lamento não concordar.
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