quinta-feira, outubro 30, 2008

Golpe de Estado militar não é utopia



Os militares estão descontentes. Há muito. Os militares sentem-se perseguidos. Há muito. Os militares constatam que a sua classe é desprezada pelos políticos. Há muito. Os militares perderam a cabeça quando lhes retiraram os seus direitos, nomeadamente, o seu sistema de Saúde. Escrevemos aqui há dias que o Governo andava a brincar com o fogo e que se acautelasse porque os militares não são de ferro. E viu-se no dia 25 de Abril de 1974. Os militares estão fartos de serem minimizados na sua vertente pilar de suporte da segurança nacional. E não me admirava nada que já estivesse em preparação uma tomada de posição de força a levar a efeito contra os políticos que governam actualmente o país, sejam eles Presidente de República, Governo ou deputados. Os militares quando decidem pegar em armas não olham para os galões do inimigo. Essa tomada de força poderia ter vários contornos, segundo me dizem alguns militares das minhas relações, inclusivamente um golpe de Estado para impor um governo de salvação nacional. Traduzido por miúdos: pela força exigiriam a dissolução da Assembleia da República, a formação de um novo governo para determinado período de tempo e posterior eleições gerais. Utopia? Para os que acham ser esta matéria pura utopia, então, podem continuar a brincar com o fogo...

O que eu sei é que para já o antigo chefe de Estado-Maior do Exército general Loureiro dos Santos defendeu hoje que é o primeiro-ministro que tem "a responsabilidade primária" de atender aos problemas e reivindicações feitas pelas associações militares ao longo dos últimos anos. "Eu julgo que a solução deste problema passa pelas principais figuras do Estado, pelo primeiro-ministro e pelo Presidente da República - como comandante supremo, "as questões essenciais - o sistema remuneratório, o pagamento de pensões e a questão do apoio de saúde [aos militares] não têm sido resolvidas" pelo Governo de José Sócrates.

"Penso que o primeiro-ministro estará preocupado com isto, pretende resolver este problema ou pretende minorar as situações inconvenientes que existem, mas convém que não fique para as calendas, a verdade é que isto já se anda a dizer há muito tempo e em termos concretos não tem sido nada praticamente feito", afirmou o ex-chefe de Estado-Maior do Exército.

Questionado sobre os "cortes" na Assistência na Doença aos Militares (ADM), uma das principais reivindicações associativas, Loureiro dos Santos deu o exemplo dos magistrados estão a ganhar o dobro do que ganham os militares", explicou. "O Governo é que é o representante sindical da instituição militar e, por conseguinte, tem de velar pela justiça(...) não pode deixar crescer este fosso, esta distância, que vai criar uma sensação de injustiça enorme".

Segundo o general, esta conjuntura de "injustiça" pode levar a atitudes mais "irreflectidas" por parte de militares mais jovens, um alerta que já tinha deixado hoje de manhã à TSF.

"Penso que está fora de questão qualquer coisa organizada, mas [podem surgir] actos um pouco irreflectidos que normalmente as pessoas mais novas são levadas a praticar, não têm a prudência, nem a experiência, nem as precauções dos mais velhos", concluiu.

No último sábado, num artigo no jornal "Público", Loureiro dos Santos estabeleceu um paralelo entre os actuais "sinais preocupantes" que se vivem no meio militar e o 25 de Novembro de 1975.

"[Presidente da República e primeiro-ministro] leiam com atenção os sinais que saem da instituição e ajam, sem demora, em conformidade", lê-se no artigo, intitulado "Instituição militar: sinais preocupantes".

"Convém não nos julgarmos blindados contra situações desagradáveis que possam vir a surgir, nem que insistamos em pensar que 'acontecimentos (funestos) do passado não voltam a acontecer", acrescenta.

4 comentários:

Anónimo disse...

Diz bem, andam a brincar com o fogo

(c) maioria silenciosa: P.A.S. disse...

Seria estranho na Europa a 27?
Seria!
Seria injusto?
Talvez não!
E porquê?
Porque a iniquidade, a injustiça e o desespero campeiam ... e não só na família militar!

Gente a quem deixam sem o mínimo de proveitos, desempregados sem subsídios, recibos verdes sem subsídios ... e viagens de deputados a subir, mordomias a subir, roubos descarados na E.M's e similares ... empresas e empresários afogados ... autismo declarado ... se apoiava um golpe de Estado? Não sei! Sei que a Constituição da República Portuguesa consagra o direito à justiça e à indignação ... e esses direitos estão-nos a ser sonegados por uma classe política rasteira e vilã! E esse dado, esse sim está consagrado!

Jorge Cabral disse...

Não considero que um golpe de estado, (desculpem a letra pequena, mas é de propósito), nos termos em que estamos habituados a vê-los, seja possível. Hoje, a democracia teceu uma trama que a autoriza a coisas que nunca passaram pela cabeça dos coitados dos fascistas. Tirando a merda da pide, dos pidescos e dos bufos (que ainda por aí abundam), não considero que este regime se possa colocar nem nos calcanhares do anterior, com as devidas diferenças da eras a que cada um pertence. senão vejamos:
- a dignidade dos políticos está de rastos, porquanto
a) a irresponsabilidade é total
b) só impera o oportunismo,
c) é chocante a falta de vergonha
d) a incompetência é gritante
e) desgovernam governando-se
f) e fazem-no sem pudor
g) são mentirosos nojentos
h) e poucos agem em prol do bem comum.
i) os exemplos de desonestidades multiplicam-se exponencialmente,
j) etc., etc., etc.
enfim, é uma escória que, se o Estado(este com letra grande), se conseguisse ver livre deles, muito ganharia. Sugam como parasitas e enredam-se em teias de anúncios de bem comum e da defesa dos mais desprotegidos que mais não são que logros publicitários da pior qualidade. Obnubilam-nos e cospem na nossa indignação com uma desfaçatez aviltante.
É por isso que compreendo os militares e me sinto irmanado da mesma vontade.
Mas creio que nunca chegará a acontecer nenhum acto de rebelião violenta, porque esta gentalha de que vos falo, tem pouca coluna e com um sério "bater de pé", fará o que os militares impuserem, sem grande esforço e angelicalmente conseguirão explicar-nos que não operaram nenhuma alteração ao que tinham planeado, os militares é que ainda não se haviam apercebido da "profundidade" das medidas que estavam em curso para a defesa dos seus direitos.
E nós, restar-nos-à mais uma vez ficar com estas carinhas de tansos a ver a destruição desta pobre jangada e a corrosão quase irreparável da coluna vertebral do seu povo.
Lamento deveras dizer-vos isto, mas tal como Zaratrusta há séculos atrás não pôde deixar de o afirmar também eu, hoje, face à realidade, não saberia como fazê-lo.

Jose Martins disse...

O meu parecer é que pode não estar fora de hipótese de um "Golpe de Estado"...

Não venham cá os que nos governam, apregoar a democracia, um golpe é anti-democrático etc.etc.etc.

Não se admirem, por aí (não será para o meu tempo)que uma ditadura seja novamente instaurada em Portugal...

É que a situação no país está a rebentar pelas costuras e, está provado, que a globalização não funcionou nem nunca irá a funcionar em Portugal, um país minúsculo e a ser invadido por gente de outras etnias que tem causado muitos problemas a Portugal.

Essa "treta" de Portugal ter sido inserido no clube dos ricos não veio favorecer em nada o país que cada vez mais caminha para uma, inevitável, falência económica.

O exército português tem tradições através de séculos e, tem sido, humilhada pelos sucessivos governos, depois do 25 de Abril.

Nunca se entendeu a razão de alguns políticos pretenderem acabar com as forças armadas em Portugal, enquanto na vizinha Espanha cada mais se modernizam, mesmo estando inserido o pais na UE.

O que com isto nos dá a entender que os espanhois se estão maribando para UE.