sexta-feira, outubro 31, 2008

Angolagate: grande escândalo com contornos mafiosos


"Luvas" de tráfico de armas para Angola passaram por bancos portugueses

Um caso de grandes repercussões com contornos mafiosos que envolve o actual Presidente de Angola José Eduardo dos Santos e outras figuras de Luanda. O diário Público apresenta hoje em manchete este grande escândalo que envolveu, entre muitos contornos obscuros, o pagamento de comissões de 54 milhões de dólares por negócios ilícitos durante o período de embargo de armamento a Angola.

Mais de 21 milhões de dólares recebidos por altos responsáveis do regime angolano no negócio ilícito de venda de armas da Rússia a Angola passaram por bancos portugueses. Os muitos milhões beneficiaram muita gente do regime angolano, tais como o Presidente Eduardo dos Santos, o embaixador Elísio de Figueiredo, o ex-chefe da Casa Civil da presidência José Leitão e a mulher e o filho deste, e altas patentes das Forças Armadas Angolanas, como os generais Salviano Sequeira e Carlos Alberto Hendrick Vaal Neto, hoje ligado a uma sociedade no negócio de diamantes, Fernando Araújo, general e na altura também conselheiro do Presidente. Também o general Fernando Miala, que foi chefe dos serviços secretos e fazia parte do círculo íntimo de Eduardo dos Santos.
Os bancos portugueses que entraram na cabala são a Caixa Geral de Depósitos (que todos pensávamos ser o banco sério do Estado português) e o Banco Comercial Português (BCP), que receberam as somas maiores em depósitos. Outros bancos citados no negócio com depósitos recebidos são o Banco Bilbao Viscaya, Banco Nacional de Crédito, Banco Nacional Ultramarino, Banco do Comércio e Indústria e Totta & Açores, Banco Pinto & Sotto Mayor e Barcklays. A negociata envolveu figuras gratas do Estado Francês e o Angolagate já começou a ser julgado nos tribunais franceses. Estão acusados como principais suspeitos de terem pago as comissões o empresário franco-brasileiro Pierre Falcone, o milionário israelo-russo Arkadi Gaydamak, o senador da UMP Charles Pasqua e o "senhor África" de Mitterand Jean-Christophe Mitterand.
Com as pressões de Luanda a fazerem-se sentir cada vez mais junto dos centros de investigação e de poder, o desfecho deste caso é imprevisível.

Faço votos para que José Manuel fernandes, director do
Público, tenha criado os mecanismos adequados para defesa e salvaguarda da integridade física da jornalista Ana Dias Cordeiro, que corajosamente assina o trabalho sobre toda esta rede de mafiosos.

1 comentário:

ergela disse...

Infelizmente a "clic" mafiosa que governa Angola continua a delapidar um estado e um povo que não merece estes mafiosos Angolanos e outros.
João sabe que a filha de Eduardo dos Santos sem mexer um dedo recebe uma percentagem por cada importação feita por Angola, fora o churudo negócio dos diamantes, madeiras preciosas, de que muitos figurões em Portugal tiram proveito e de maneira.