O candidato à presidência da distrital do PS/Porto, Pedro Baptista, responsabilizou hoje José Sócrates pela perda de eleitorado à esquerda, considerando que esta tendência vai agravar-se e que o actual líder socialista não tem condições para a inverter. "Não vejo que o primeiro-ministro, pelas suas posições tão vincadas, tenha margem de manobra para recuperar o eleitorado à esquerda", sustentou Pedro Baptista, em declarações à Lusa.
O ex-deputado socialista comentava os resultados de uma sondagem efectuada pela Marktest, para o Diário Económico, que atribui ao PS 36,1 por cento das intenções de voto, ficando o PSD com 29,3 por cento. Esta sondagem, realizada entre 16 e 20 de Setembro, com base nas respostas de 802 inquiridos, indica um crescimento das intenções de voto na CDU, com 12,6 por cento, e do Bloco de Esquerda, com 10,9 por cento, colocando o CDS/PP em quinto lugar, com apenas 7,1 por cento das intenções de voto. Na perspectiva de Pedro Baptista, "o único elemento estranho nesta sondagem é a votação do CDS/PP tão alta, tudo o resto é normal e lógico".
"O PSD mostra que não é alternativa e o PS, com uma política muito na área das medidas tradicionais do PSD, foi-se desgastando à esquerda", considerou o candidato à presidência da distrital do PS/Porto onde vai defrontar o deputado Renato Sampaio, que se recandidata. Na opinião de Pedro Baptista, "pela primeira vez desde o 25 de Abril, a alternância no bloco central está a ser abalada e está a surgir uma alternativa entre esquerda e direita".
"Se juntarmos os eleitores da ala esquerda do PS, com a CDU e o Bloco de Esquerda somos capazes de estar muito perto da maioria absoluta", frisou Baptista, salientando que, perante a evolução da situação política nacional "o crescimento da esquerda era evidentíssimo".
"Quem não contasse com isso não tem noção do que anda a fazer", frisou.
Para o antigo deputado socialista e professor universitário na Universidade do Porto, "o voto que oscilava entre PS e PSD, por falta de credibilidade do PSD, deslocou-se para a esquerda".
"Tenho muitas dúvidas que o PS consiga inverter esta tendência, que considero que se vai confirmar e até acentuar nos próximos meses", defendeu.
Pedro Baptista sustentou que José Sócrates, pelas posições políticas que tem assumido "não tem rosto para ser alternativa à esquerda".






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