segunda-feira, setembro 29, 2008

A recessão vem aí



não há S.Sócrates, Santa Manuela ou S. Cavaco que nos valha. A recessão vem aí e vai bater forte. Os que se habituaram já a uma refeição por dia estão salvos. Os restantes terão que começar a vender um dos carros, uma das casas, uma das quintas, um dos montes no Alentejo, um dos barcos e a pensar que os fins-de-semana na casa do Algarve vão também acabar. A recessão vai atingir superiormente a classe média-alta. Foi um dos melhores economistas da nossa praça, que me pediu anonimato, que acabou de me transmitir este quadro, depois de ter tido a confirmação que a França e a Espanha estão já em pré-recessão.
Em França a crise financeira e o aumento do desemprego - mais 40 mil pessoas sem trabalho em Agosto, 12 vezes mais do que a média dos meses anteriores - levou esta segunda-feira as autoridades francesas a evocarem abertamente a ameaça de uma recessão no país.
O ambiente era hoje à tarde, em Paris, de visível agitação e inquietação porque da Bolsa também chegavam más notícias. A meio da tarde o indíce CAC 40 perdia 4%, com alguns valores financeiros em queda acentuada - o banco franco-belga Dexia perdia perto de 24%, o francês Natixis quase 17% e algumas outras instituições bancárias enfrentavam perdas entre 6 e 8%, como era o caso do Crédit Agricole e da Société Générale.

Para tentar tranquilizar o país e fazer o ponto sobre a saúde da banca francesa, o Presidente Sarkozy convocou para amanhã, no Eliseu, uma reunião de emergência com os patrões dos principais grupos financeiros. Na reunião estará igualmente em foco o crédito às empresas e aos particulares. Em França, foi até agora o sector do imobiliário o mais atingido pelas dificuldades na atribuição de créditos com uma diminuição de actividade nas transações da ordem dos 35%.

Na semana passada, o chefe de Estado gaulês garantiu que "nenhum francês perderá um euro se um banco ou uma companhia de seguros não puder fazer face aos seus compromissos".
A situação económica e financeira da França levou o conselheiro especial de Sarkozy, Henri Guaino, a dizer que o país se encontra à beira de uma recessão. "A questão, hoje, é saber se esta situação se vai agravar ou se se vai prolongar", acrescentou o conselheiro.
O orçamento francês, que agudiza os défices da França, foi calculado com base num crescimento de apenas 1%. Mas Sarkozy excluiu há dias a necessidade de avançar para uma política de rigor.
Guaino explicou que o Presidente poderá optar por "medidas de relançamento" porque, acrescentou, "o orçamento é modificável". E concluiu: "Esta crise financeira levou-nos ao fim de um ciclo do capitalismo - vamos assistir ao regresso do Estado e, talvez, a uma certa forma de capitalismo de Estado".
Além dos banqueiros e patrões de seguradoras, participam na inédita reunião de amanhã, no Eliseu, o primeiro-ministro, François Fillon, a ministra da Economia e das Finanças, Christine Lagarde, e o governador do Banco de França, Christian Noyer.

Por cá tudo pode ser semelhante por simbiose e não seria má ideia que o primeiro-ministro José Sócrates tivesse uma palavra na televisão pública dirigida aos portugueses no sentido de esclarecer a verdadeira situação e o que poderá acontecer no futuro. Temos aí o exemplo do Presidente Sarkozy, que, sem receio, enfrentou o touro pelos cornos, sem se preocupar se há ou não, lá fora, manifestação anti-touradas...


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