terça-feira, setembro 30, 2008

Os fantasmas

1. A crise económica está aí em todo o seu negro esplendor. Algo de muito grave se está a passar e o cidadão comum ainda não percebeu a dimensão da tragédia que poderá vir a cair-lhe em cima. Esta manhã escutei no café uma conversa exemplar entre dois indivíduos que se interrogavam sobre falências de bancos, de seguradoras, de financiadoras; de como poderiam ou não ficar sem casa, sem carro e sem dinheiro. Não possuiam grandes conhecimentos de economia, de mercados internacionais, de bolsas, de off shores, mas iam dizendo que estranhavam muito que nos últimos anos apenas tivessem andado a ouvir da parte dos governantes a ideia de que andava tudo no melhor dos mundos. Os fulanos acham que os políticos mentiram, os economistas mentiram, os fiscalistas mentiram, os auditores mentiram, ao fim e ao cabo, para eles, tudo tem sido uma grande mentira. E remataram a conversa assim: "Agora percebo como é que via milhares de tipos a ficarem milionários de um ano para o outro...".

2. Os riscos da crise económica são elevados. A generalidade dos economistas e comentadores de televisão apenas sabem dizer que "é preciso fazer alguma coisa" para evitar o colapso dos mercados financeiros. Fazer alguma coisa, mas não dizem o quê. O próprio ministro da Economia, Manuel Pinho, habitué da asneira, até teve a leviandade de afirmar que "os tempos de prosperidade acabaram". Este é o mesmo governante que ainda há dias dizia que a nossa economia estava em crescendo, que os investidores estavam aí por todo o lado, que a crise não atingia Portugal e outras diatribes verbais à la maitre Pino (Pino como o seu camarada Chávez lhe chama).
Uma recessão das principais economias mundiais parece inevitável, como salientou o professor Álvaro Santos Pereira da Universidade da Califórnia, mas o mais grave é que nenhum dos intervenientes deste capitalismo que nos vendertam ao longo dos tempos apresenta uma qualquer solução para o problema. Aonde estão, afinal, as tais grandes "cabeças" que nos têm governado ou governado-se?...

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