João Miguel Tavares é um jovem jornalista a quem embebedaram de vedetismo. O rapaz desde que teve o privilégio de escrever no Diário de Notícias logo pensou que estava no New York Times e que o mundo caira aos pés da sua leitura. À pala disso, tem sido destacado pelo clan dos fabricantes de "estrelas" e de "vedetas" da nossa praça num palanque absolutamente ridículo. E como o jovem Tavares não lhe colhe o ridículo, escreve muitas vezes da forma mais disparatada possível.
Hoje, nas páginas do DN não hesitou em atirar-se a um mestre do jornalismo. Imaginem como a formiga já tem catarro. O jovem Tavares teve o desplante de condenar o ilustre, sério e exemplar Baptista-Bastos, a propósito das casas da Câmara Municipal de Lisboa que teriam sido entregues a muitas pessoas através da "cunha", tal como o o sabichão Tavares sublinha no seu artigo. Mas como é que ele tem provas que foi por cunha que Baptista-Bastos recebeu um simples apartamento? O jovem Tavares não sabe do que fala e devia estar calado. Quer dar nas vistas, quer ser falado, quer ser citado, quer provocar a polémica, quer um mestre do jornalismo a dar-lhe importância e depois sai-se com baboseiras como esta: "O escritor Baptista-Bastos até podia ser ajudado pela câmara. O jornalista Baptista-Bastos, não". Deplorável e desprezível quando um jovem jornalista apenas tem em mente ultrapassar as suas capacidades.
João Miguel Tavares não sabe do que fala e devia estar calado, duas vezes já o escrevi. Porque estou irritado e magoado. Magoado, porque este jovem Tavares envergonha todos os jovens simples, solidários e ávidos de aprender com os mais velhos. Tavares não faz a mínima ideia do que é uma cunha ou o que é uma necessidade. Tavares não sabe o que é passar dias sem comer ou sem lugar para dormir. Tavares não sabe o que é não possuir uma mesa para poder escrever. Tavares não sabe o que é ter mulher e filhos e não lhes poder dar um tecto. Tavares não sabe o que é ter que se dirigir a uma Câmara Municipal, transmitir a sua situação de quase miséria, de jornalista desempregado, de marido-cuidador de uma companheira doente e solicitar uma residência porque acabou de ficar sem os últimos euros de poupança de uma vida de sessenta anos. Tavares não sabe nada disto nem alguma vez sentiu na pele as dificuldades do desespero em função da penúria pecuniária e vem dizer asneirolas pretensiosas. Não recebi qualquer procuração de Baptista-Bastos, nem ele precisa que alguém o defenda. Mas estou a defender todos os cidadãos que têm a honestidade de chegar a uma Câmara e apresentar a sua situação precária e que solicitam um tecto para viver. O jovem Tavares escreveu que o escritor podia pedir uma casa porque deu muito a Lisboa e que o jornalista, não. Defende que o jornalista não pode pedir nada ao poder instituído, correndo o risco de perder a sua liberdade na escrita. Mas quem é que ensinou a Tavares que um jornalista é um ser superior? O jornalista é um cidadão como outro qualquer a quem tudo pode acontecer tal e qual como aos outros semelhantes a quem a má sorte bateu à porta. O jornalista não pede nada ao poder, o jornalista limita-se a interpretar a Constituição que lhe diz ter direito à habitação.
Se Tavares não conhece nenhum jornalista sem casa, sem dinheiro, sem emprego, sem apoio social, sem reforma, eu apresento-lhe um companheiro e calo-lhe a boca para sempre sobre esta matéria.
Há "vedetas" que não têm direito a ser "estrelas" à base da demagogia e do pretensiosismo bacoco. Desejo sinceramente que o jovem Tavares quando chegar a velho não esteja desempregado, pobre e sem casa, para que nunca tenha de escrever um artigo contra um qualquer jovem jornalista que escreva sobre o que não sabe...
Subscrever:
Enviar comentários (Atom)






16 comentários:
Grande João! Grande artigo! Excelente porrada nesse puto que tem a mania que os chatos comem alpista. Adorei o artigo. Que felicidade senti ao ler uma defesa de BB merecida e bem escrita. Obrigada.
Maria de Lurdes Fonseca
muito bom artigo. fantastico. assim tenho gosto em ler este blog
Muito bem, João!
Quem , porventura com uma boa vidinha, vem armar-se em guardião de honras ultrapassadas, sem tarimba nem saber, o melhor era estar quieto e caladinho no seu mundo pequenino.
Tem razão João. Esse Tavares já anda metido numa data de coisas armado em vedeta. Deve ter um bom padrinho a quem meteu cunha e depois atira-se aos outros. Desconfio sempre destes tipos armados em bons.
Eis o que se chama escrever com o coração, falar do que se conhece e ensinar quem precisa de aprender. O futuro deste jovem jornalista, será certamente radiante, não o duvido, uma vez que herdou uma parte do brilhantismo de seus pais e avós...Precisa no entanto ainda de crescer, respeitar os mais velhos e ser um pouco mais humilde.Caso contrário o brilhantismo herdado corre o risco de se perder na incompreensão dos outros...Seria por isso de grande utilidade que, a este propósito,tivesse de imediato acesso aos comentários acerca da notícia relacionada com a habitação onde vive e sobrevive o enorme Baptista Bastos, que ao que julgo saber, para ser grande, não precisou de qualquer herança genética...
Abraço
J.B.
Caro João, acabei de ler no teu blogue aquela peça fantástica sobre o menino Tavares, não o conheço, para mim deve de ter nascido ontem e não faz parte dos meus conhecimentos de leitura, porém e da maneira como o descreves deve ser mais um daqueles de aviário e sendo assim para mim continua a não ter quaçquer importância. Quanto ao que escreveste, é mais uma peça brilhante e bem digna do jornalismo a que sempre habituaste os teus fiéis leitores, daqui de tão longe só posso agradecer o modo claro como abordas o tema, revelando como sempre o teu espírito observador e crítico.
Um grande abraço
H.A.
Tavares? Será da família do Miguel Sousa Tavares. Se é, está explicada a arrogância. Só lhe falta o charuto...
João continuas o maior! Brilhante peça... Gostei de ler. Estás como o vinho do Porto, quanto mais velhor melhor.
O Tavares (que mão conheço e nunca li), hoje na "baila" amanhã no passeio a ver o cortejo dos bailadores.
A profissão de jornalista é a mais rasca que conheci.
Dos muitos que conheci só se safaram uma meia dúzia deles...
E foram os que se encostaram, imbecibilizaram e lamberam as botas ao Poder.
Tantos conheci, honestos e com algum valor e hoje não sei aonde param.
Talvez uns sem abrigo ou a viveram da caridade.
O João Severino é bem um exemplo, dos que foram ficando pelo caminho.
Um comunicador (embora pouco tenhamos falado) que sempre admirei pela sua honestidade e irreverência.
Esteve bem na vida em Macau; não alinhou em esquemas e nunca escondeu os pecados dos "pecadores" e isto viria a custar-lhe caro!
Há uma meia dúzia anos perguntei a uma pessoa de Macau (ligada ao Governo), em Banguecoque, pelo jornalista João Severino e respondeu-me: "o Severino é um caso sério...!"
Continua meu caro João mesmo que a profissão de jornalista continue a não dar para dar dente, ter casa, carro e dinheiro para beber uma imperial.
Abraço amigo
Zé Martins
Caros Amigos
Por vezes olho para outros blogues e vejo os seus posts com dezenas de comentários e fico a pensar que não tenho leitores para o efeito. E o desânimo, por algumas vezes, inundava-me a mente.
Mas, o contrário está aqui bem patente. Quando se trata de manifestar certos valores fundamentais aí estão os verdadeiros e atentos leitores e os amigos sinceros. Bem hajam.
Caro João Severino,
Só há pouco tempo descobri esta "pérola" da blogosfera e sou um leitor assíduo, apesar deste ser o meu primeiro comentário a um "post".
Não desanime, porque pode AINDA não ter muitos comentários, mas para algumas pessoa começa a ser um vicío diário vir ao seu blogue.
Gosto da forma directa, fundamentada e "sem medos" com que escreve, sendo esta mensagem um belo exemplo disso mesmo.
Por favor, não desista deste projecto porque o PPTO é dos melhores blogues que conheço.
Caro Manuel Alcides
O seu comentário vale por mil. Obrigado pelas suas palavras de grande ânimo e apoio. Abraço e volte sempre. Tentarei fazer o meu melhor enquanto tiver forças.
Parabéns pelo post
João conheço-te há tantos e
só hoje reparei em ti.
Os meus siceros parabéns.
mco
Oh por favor! Sejam sinceros...não me digam que agora Joao Miguel Tavares nao sabe do q fala?! Secalhar inveja nao?? Ai ai
O senhor, passe o abuso, é um idiota. A única coisa que defende é que o JMT deve estar calado porque sim, porque é novo, e porque diz coisas. Não se dignou uma só vez a explicar às mentes mais desatentas porque é que Baptista-Bastos merece a ajuda que tem - e eu sei bem que a merece.
Ficou por esclarecer convenientemente a situação de Baptista-Bastoses , é pena porque necessidades não deviam envergonhar ninguém. Benesses indevidas sim! Por outro lado, passados estes anos, seria bom sabermos se a opinião de tantos jornalistas seniores sobre JMT ainda se mantém ou se concluíram que o rapaz meteu agua a propósito de BB mas que, entretanto, se transformou num bom jornalista.
Enviar um comentário