quinta-feira, setembro 25, 2008

Cantinho dos poetas (24)

A sós, no cais, olhando o barco que partia,
não era de ti que me despedia,
mas de mim, que nessa hora
sem acenos me fui embora.

Descobridor de mares que nem sequer sabia
que nome tinham, se era noite ou dia,
por longo tempo naveguei
até que, por fim, voltei.

Mas do cais da largada não restava já
lembrança alguma e muito menos há
muralha onde acostar.
E, sendo tudo em volta mar e mar,
não me resta senão continuar.

Torquato da Luz, in Ofício Diário (nossos links)

Sem comentários: