quinta-feira, setembro 25, 2008

Blogando com prazer (136)

Aos filhos de puta




1959


A todos os que se vendem e abandalham
a todos os que crêem que são os únicos
os melhores e a elite entre os demais e
se pavoneiam na sua imbecilidade estonteante
intelectuais de pacotilha e militantes da mediocridade
a todos que se aplaudem em salamaleques de familiaridades
e consanguinidades de palavras para aplauso umbilical
aos curtos de vista viscerais defensores da pequenez
provinciana travestida de francesismos e transatlânticas
vitualhas literárias a peso ou a metro milimetricamente
deglutidas entre croquetes e champanhes de imitação
pechisbeques de cabeças vazias embevecidas na vã cegueira
dos que se acreditam os únicos olhos como se em terra de cegos vivessem

ergo a minha taça
e desejo que a terra lhes seja pesada aos ossos
fragilizados de tanto curvar a cerviz
em cansaços vividos na inverdade da sua académica peralvilhice

bebo aos filhos de puta
aos inúteis
aos sem afectos
aos sem memória
aos medíocres
à matilha e à corja
bebo a todos os filhos de puta
mas bebo de pé aos filhos de puta maiores
a todos eles e aos que me enojam

Fátima Pinto Ferreira

3 comentários:

Anónimo disse...

Este texto ressuma ódio e despeito, sentimentos inconciliáveis com poesia.

Anónimo disse...

Este texto tem uma grandiosidade humana ímpar. É de uma grande verdade do que acontece a todos nós. É um texto maravilhoso. Parabéns à autora e ao João que aqui o deixou.

Anónimo disse...

Com tanta "poesia" estaria ao espelho?