| DISCIPLINA SEM NOME |
![]() | A Ass´rio & Alvim convida-o para o lançamento e apresentação da colecção «Disciplina sem Nome» (integrado na exposição DESENHOS – PROJECTOS EDITORIAIS). Hoje, dia 29, pelas 18h30, na Fundação Carmona e Costa – Espaço Arte Contemporânea (Edifício de Espanha [antigo Edifício da Bolsa de Lisboa]), Rua Soeiro Pereira Gomes, Lote 1 - 6º B/C, Bairro do Rego/Bairro Santos. «Disciplina sem Nome» é um projecto editorial sobre o paradigma, a teoria e a prática do desenho, dirigido por Pedro A.H. Paixão. Tem o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação Carmona e Costa. Uma nova série de estudos, propostas e meditações, onde o desenho é tomado como uma peculiar prática disciplinar, nua de doutrinas e preconceitos, com a qual é possível criar, de cada vez, um regulamento provisório e articulado da potência própria — uma disciplina. Não um regime que auxilie a nos tornarmos, p. ex., pintores ou a nos adequarmos à Pintura, mas uma prática exigente que recria, de cada vez, o pintor e a pintura. Mais que de «inter-», «multi-», ou «trans-» disciplinariedade, trata-se de circunscrever uma ciência inominada que — velada na memória e nos hábitos de cada uma, na intimidade da suas práticas — disponibiliza os territórios singulares, ou regimes, da vocação própria, onde se problematiza a matéria das próprias práticas e as próprias intensidades teóricas. |
| BARTLEBY, ESCRITA DA POTÊNCIA DE GIORGIO AGAMBEN, SEGUIDO DE BARTLEBY, O ESCRIVÃO DE HERMAN MELVILLE |
![]() | Ao indagar acerca dos pressupostos implicados na privação da função de escrivão a que se abandonara o Bartleby, Agamben transforma a análise deste paradigma numa das mais densas meditações acerca dos pressupostos inerentes ao exercício da sua condição de escritor e de filósofo, apresentando simultaneamente as figuras e modos que compõem o seu método. Trata-se de um «experimento sem verdade», no qual «quem se aventura, arrisca, de facto, não tanto a verdade dos próprios enunciados quanto o próprio modo do seu existir e realiza, no âmbito da sua história subjectiva, uma mutação antropológica a seu modo tão decisiva quanto foi, para o primata, a libertação da mão na posição erecta, ou, para o réptil, a transformação dos membros anteriores que o mutou em pássaro». Giorgio Agamben (1942) é editor da famosa edição italiana de Walter Benjamin — enriquecida por manuscritos descobertos por si —, que se interrompe em 1996. Dirige para a editora Neri Pozza a colecção La Quarta Prosa. Ensina no Instituto Universitário de Arquitectura de Veneza (IUAV). |
| DESENHO, A TRANSPARÊNCIA DOS SIGNOS DE PEDRO A.H. PAIXÃO |
![]() | Partindo de estudos acerca dos modos e âmbito próprios do desenho, desde a alba do Renascimento — quando surge como «fundamento e teoria» —, oferece-se aqui um percurso que desagua, em retrospecção, nos debates sobre a «alma», o «amor» e a «felicidade» no Duecento. A cifra é a afinidade entre o desenho e um conhecido paradigma de Aristóteles — uma «tabuinha ainda por grafar», análoga ao pensamento. Acompanhando as exegeses do «desenho» (desde a alba do renascimento) e da «tabuinha», e indagando acerca das correspondências que se podem encontrar com o famoso mitologema de Orfeu, chega-se à primeira ocorrência textual de disegno — a Vita Nuova, de Dante Alighieri —, confirmando que no desenho existe uma tradição disciplinar velada: a de uma «ciência» da transparência dos signos; uma potência que nos espera, um ambiente onde se torna possível aceder à «imagem de felicidade» que no íntimo nos move e que a todo o custo tentamos resgatar. Pedro Paixão (1971) é artista plástico e investigador, primeiro do Instituto de Arte, Cultura e Literatura Comparada da Universidade IULM de Milão e, actualmente, no grupo de investigação Estética, Política e Artes, do Instituto de Filosofia da Universidade do Porto. Para além de dirigir esta colecção, editou na Assírio & Alvim, em 2005, Bouzean. |
| ESTUDOS DO LABIRINTO DE KÁROLY KERÉNYI, SEGUIDO DE A IDEIA RELIGIOSA DO NÃO-SER |
![]() | Preservando o rigor da ciência histórica, Kerényi apresenta nos seus estudos a afinidade entre o tempo dos materiais estudados e a pertinência destes para o tempo em que ele vive: trabalhar sobre o grafema remoto do labirinto durante a Segunda Guerra Mundial, significa entrar no enigma do presente onde qualquer segurança metodológica e historiográfica preexistente é dissolvida. A descoberta — e a razão de correr o risco — é a de que entrar e percorrer o labirinto comporta sempre, por definição, a cifra da saída: uma linha «vida-morte-vida». Os Estudos testemunham hoje a exigência — constante para Kerényi — em perceber qual o sentido do homem na figura do estudioso, na contemporaneidade e materiais que estuda. Em apêndice, apresentam-se duas (as únicas) cartas a Martin Heidegger, até aqui inéditas, e uma conferência, de 1953, na qual medita sobre a interpretação que o filósofo dera de Hölderlin, revelando com tal um fértil substrato ainda por estudar. Károly Kerényi (1897-1973) é um dos mais densos e profícuos historiadores das antigas religiões grega e romana e, em sentido lato, da mitologia mediterrânica. Com uma produção científica vastíssima, e traduzida em diversas línguas, Kerényi é autor de intuições inigualáveis, fruto certamente das permanentes viagens que durante toda a vida o levou aos mais recônditos lugares. É famoso o seu carteio com Thomas Mann. Dos seus estudos, salientamos o monumental Dionysos, Urbild des unzerstörbaren Lebens (München-Wien, 1976), publicado postumamente. Esta é a primeira edição que lhe é dedicada no contexto editorial português. (Textos de Pedro A.H. Paixão) |










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