quinta-feira, janeiro 31, 2008

Processo Casa Pia visou decapitar o PS

O bastonário da Ordem dos Advogados, António Marinho Pinto, afirmou no programa "Grande Entrevista" da RTP, transmitido esta noite, que algumas detenções realizadas no decurso do processo Casa Pia visaram "decapitar o Partido Socialista".
Entrevistado por Judite de Sousa, Marinho Pinto considerou que tais acções foram orientadas nesse sentido pela Polícia Judiciária (PJ).
O bastonário mostrou-se muito crítico em relação ao processo Casa Pia, dizendo que "Acusou-se impunemente. Prendeu-se impunemente pessoas que estavam inocentes. Mal chegaram à presença de um juiz foram imediatamente exculpados".
"Aquilo visou decapitar o Partido Socialista (PS), não tenho dúvidas nenhumas. Aquilo esfrangalhou a direcção do Partido Socialista", acrescentou.
Em sua opinião, as detenções foram orientadas politicamente pela Polícia Judiciária, alegando: "Foi orientado nesse sentido. Até ao líder do PS lançaram-se suspeitas".
Marinho Pinto disse, também, que a PJ actua em "roda livre", mostrando-se crítico em relação à Judiciária, a qual deveria obedecer ao Ministério Público e não ao Governo.
"A lei diz que PJ depende funcionalmente do Ministério Público, mas não está. A PJ, que é a principal polícia de investigação criminal em Portugal, está em roda livre", comentou Marinho Pinto.
Acerca da PJ disse ainda: "Se formos a ver bem as coisas, se calhar depende mais do Governo do que do Ministério Público, porque é o Governo que nomeia a sua hierarquia".
Marinho Pinto ao longo da entrevista voltou a acusar as práticas de corrupção existentes no país por grandes grupos ou entidades e que ficam impunes. No entanto, o bastonário da Ordem dos Advogados deixou claro que nunca foi de sua "cultura apontar o dedo seja a quem fôr".
O entrevistado também foi peremptório em deixar uma mensagem esclarecedora de que os males não estão na Justiça, mas sim na política que sustenta as leis, sem no entanto, deixar de frisar que muitas das vezes os juízes estão a decidir com o intuito de atingir os fins sem olhar aos meios, decisões essas onde se enquadra a maioria dos reclusos que são pobres.
Marinho Pinto será recebido em breve pelo Presidente da República, a quem apresentará cumprimentos.


1 comentário:

ergela disse...

Ah!Ganda Márinho,vais começar a ter muitos amigos,vais...