domingo, outubro 21, 2007

Currículo a iniciar o blogue

Há pessoas que apresentam um Curriculum Vitae com dezenas de páginas. Fizeram um curso de um mês, vai para o CV. Proferiram uma palestra, vai para o CV. Estagiaram duas semanas numa estação de rádio regional, vai para o CV. E por aí fora nunca mais terminava com exemplos.
Hoje ao iniciar o meu primeiro blogue, e como sinto que já não estarei cá neste mundo muitos anos por razões que nem vêm ao caso, penso que sou devedor de apenas deixar aqui o principal do que fiz na vida, para que o meu obituário não seja apenas composto por duas linhas.
Iniciei o prazer de fazer notícias, e de as ler, em Timor-Leste. Decorria o ano de 1970 quando para ali fui mobilizado militarmente. Trabalhei no jornal do Exército e na Emissora de Radiodifusão de Timor. Em 1973 ingressei como profissional do telejornal da RTP e nos Serviços de Informação da Rádio Renascença. Na sequência do golpe de Estado de 25 de Novembro de 1975 fui despedido sem justa causa da RTP em Outubro de 1976 com dois bebés nos braços. Fui colaborador do diário A Capital e dos Parodiantes de Lisboa. Emigrei para Macau em 1981. Ali fundei e dirigi a Revista Macau Image; a Revista High Speed Racers; a Revista Macau Desporto; o semanário Vector; o diário Futuro de Macau; fui o primeiro jornalista, não sacerdote católico, a dirigir o semanário O Clarim; fui o primeiro jornalista a dirigir o diário Gazeta Macaense; fui director e proprietário do diário Macau Hoje até 2001, ano em que um advogado local me moveu uma perseguição com processos judiciais que motivou a minha saída do território; fui jornalista, locutor e realizador da Rádio Macau; fui apresentador e editor da TDM (TV de Macau); fui locutor e realizador da Rádio Vila Verde-Macau; fui autor e editor do livro I Raid Terrestre Macau-Lisboa, aventura de 22 mil quilómetros ao longo de 50 dias que atravessou a China, Paquistão, Irão, Turquia, Bulgária, Jugoslávia, Itália, França, Espanha e Portugal no ano de 1988; fui editor do primeiro disco CD em Macau com composições interpretadas por Isabel Tello Mexia, tendo sido igualmente a primeira vez que se misturaram instrumentistas portugueses e chineses; fui assistente de realização no cinema tendo trabalhado com Franklin Shaffnner, Laurence Olivier, Gregory Peck, James Mason, Steven Guttenberg e outros em Inglaterra, Áustria e EUA; fui comentador oficial durante muitos anos do Grande Prémio de Macau, das corridas de automóveis e de motas; fui co-fundador da Associação de Patinagem de Macau; fui praticante e campeão de Macau de Hóquei em Patins; fui um dos mentores do Motocross em Macau; fui um dos mentores do Karting em Macau; fui participante na maior aventura automobilística mundial, o I Raid Terrestre Macau-Lisboa em 1988, após o qual fui condecorado com a Medalha de Mérito Desportivo pelo Governador de Macau, Carlos Melancia, sob a indicação do Presidente da República, Mário Soares; fui piloto de carros no Grande Prémio de Macau tendo subido ao pódio ao obter o 3º lugar em 1983, ano em que Ayrton Senna venceu em F3; fui declamador dos poetas portugueses mais consagrados em centenas de espectáculos ocorridos em Portugal, França, Espanha, Macau, Timor-Leste e Austrália; fui correspondente da BBC, da CNN, da 2VOX-FM (Austrália) e do diário Hongkong Standard; fui membro da Comissão de Apoio ao Povo de Timor-Leste; fui co-fundador do Clube de Jornalistas de Macau. Na Austrália trabalhei na rádio, num restaurante e na construção civil, estudei tendo tirado um curso de jornalismo na Universidade de Sydney e fui correspondente da rádio TSF-Portugal e da Rádio Macau. Sempre fui anarquista, defensor da seriedade e da liberdade, sou casado com uma cidadã nascida em Timor-Leste e tenho dois filhos maravilhosos e um neto lindo, com sangue português, timorense e australiano.

Quero prestar homenagem aos meus companheiros de profissão Norberto Lopes, Vasco Hogan Teves, José Manuel Marques, Fernando Pessa, José Mensurado, Cáceres Monteiro, Rui Romano, Rodrigo Emílio, José Rebordão Esteves Pinto, Herculano Carreira, António Ribeiro Soares, Francisco Ribeiro Soares, Jaime Saint-Maurice, Armando de Carvalho, Pedro Mariano, Cordeiro do Vale, Bessa Tavares, João Coito, João Fernandes, Alves Fernandes, Alves dos Santos, Horácio Caio, António Duarte, Handel de Oliveira, Adriano Cerqueira, Mário Zambujal, Fernando Dacosta, Afonso Praça, José Gabriel Viegas, Afonso Rato, Maria Elisa, Raul Durão, Fernando Balsinha, Manuela de Melo, Pedro Correia, Joaquim Letria, Augusto Vilela, Maria Antónia Palla, Maria João Avillez, José Pedro Castanheira, Nuno Rocha, Luís Alberto Ferreira, José Rodrigues dos Santos, Augusto Cabrita, Carlos Morais José, João Varela, João Paulo Borges, César Camacho, João Carvalho, Fernando de Sousa, Carlos Fino, António Esteves Martins, Margarida Ângela, José Videira, António Capinha, Judite de Sousa, Luís Andrade de Sá, Jorge Silva, Pedro Dá Mesquita, Severo Portela, Paulo Azevedo, João Barradas, Adelino Gomes, João Paulo Guerra, Helena Falé, Luísa Fernanda, Nuno Rogeiro, Joaquim Furtado, Joaquim Vieira, Beltrão Coelho, Cecília Jorge, João Canedo, Fátima Cid, Hélder Fernando, Alfredo Vaz, Filipe Luís, Jorge Schnitzer, Miguel Sousa Tavares, Luís Pinhão, José Alberto de Sousa, Rui Ochôa, Eduardo Gageiro, Domingos Piedade, Mário Gonzaga Ribeiro, José Miguel Barros, Manuel Neto, Cesário Borga, Avelino Rodrigues, Mário Cardoso, Pedro Sousa Pereira, Cecília Malheiro, Fernando Quinas, Carlos Blanco, Hélder de Sousa, Luís Filipe Costa, João Facha, João Moreira de Almeida, Fernando Assis Pacheco, Baptista-Bastos, Carlos Albino, Francisca Aurélio, Teresa Quintela, Josué da Silva, João Corregedor, Alfredo Maia, Abílio Abrantes, João Paulo Diniz, Carlos Barbosa de Oliveira, Paulo Aido, Carlos Carvalho, Pedro Sousa Pereira, João Botas, Fernando Cascais, Veiga Pereira, Ribeiro Cardoso, José Figueira, Carlos Borges, Vasco Centeno Barata e tantos outros que irei colocando aqui sempre que a memória não me falhe.

9 comentários:

j.c. disse...

«Ganda» João! Parabéns! Gostei de saber e vou estar atento.

Olha! Encontrei um tipo com um nome igual ao meu na tua lista! É a vantagem de se ter um nome profissional tão vulgar que até chateia!

Um abração para ti, meu caro!

Anónimo disse...

Sempre o admirei e respeitei. E não fazia ideia que tinha sido tão pau para tanta obra. Bem haja e fique sabendo que faz falta em Macau

Francisca disse...

Quando o tempo começa a aquecer, habitualmente, durante o mês de Junho, tudo me sabe a Macau. Ou melhor, apetece-me Macau. O tempo que passei em Macau foi por certo o melhor que tive até hoje. E devo dizer que o devo a si, Severino, que me recrutou para trabalhar consigo no Hoje e me deu liberdade total para escolher e fazer o meu trabalho diário no jornal. Se nunca lhe agradeci, aproveito a oportunidade para lhe agradecer agora perante um olhar global. Tenho de si, da Lila e do Gijo, as melhores recordações, e agradecimentos infindáveis para fazer pela forma como me receberam, por duas vezes, e pela forma como aceitou as minhas saídas. Ao saber que ia deixar Macau, algumas pessoas chegaram a perguntar-me: Então estás farta? Chateada com o Severino? Quem não o conhece pessoalmente, não sabe, nem conhece o Homem, eu tive a sorte de me cruzar no seu caminho.OBRIGADA pelos melhores tempos de sempre.

joão severino disse...

Querida Francisca

Fiquei extremamente sensibilizado pela tua mensagem. Nunca terás que me agradecer nada. O contrário é que é obrigatório. Foste uma das melhores jornalistas que trabalharam comigo. És mulher de verdade, mãe adorável e sempre te entendi porque és franca, frontal, leal e sentimental. Adorei ler as tuas palavras porque alenta quando encontramos alguém que sabe que fomos alguma coisa de bom. Quando for ao Algarve vou ver-vos. Beijo

vasco hogan teves disse...

Olá João. Há muito que não sabia de si. Foi um bom reencontro! Lembrando sempre os velhos tempos, um abraço amigo
Vasco Hogan Teves

jes disse...

Grande amigo Vasco Hogan Teves. Grande alegris. Grande emoção. Grande gratidão por me ter reencontrado e dirigir-me estas palavras que senti fraternalmente. Que Deus o proteja e que lhe dê muita saúde.

Quero aqui dizer aos meus leitores que Vasco Hogan Teves é uma personalidade que nunca esqueci durante toda a vida porque foi a pessoa que apadrinhou a minha entrada na RTP. Foi o meu primeiro director e foi quem me ensinou muito sobre ética e deontologia no jornalismo. A este grande senhor agradeço o exemplo nobre que sempre deu a uma classe que nem sempre sabe disponibilizar-se para o bom exemplo dss gerações vindouras.

Teria grande prazer se o Vasco pudesse enviar-me o seu contacto para o email do blogue.

Grande, grande abraço de amizade sincera.

BE disse...

Olá João, apesar de ter trabalhado consigo apenas 2 dias, foi uma experiência enriquecedora. Pena que este Portugal esteja cheio de gente sem valor que ocupa cargos. Estamos feitos. Vai daqui um grande abraço do Jorge Dias. Posso dizer com orgulho: «Sim, sim, conheço-o, trabalhei com o João Severino, não esquecerei, pena ter sido tão pouco tempo.» Jorge Dias

vasco_centeno disse...

Olá Severino.Então ainda se lembra de mim no Telejornal em 1974? O Rodrigo, que tinha a minha idade, já partiu,assim como o Rui e o Horácio Caio. Mas eu ainda por cá ando...
Um abraço,
Vasco Centeno Barata

joãoeduardoseverino disse...

Grande Vasco, grande amigo. Então, não me lembro de ti? E bem. Eras dos que escrevias melhor na Redacção e, talvez por isso, dos mais respeitados.
Soube da ida do Rodrigo, do Rui e do Horácio e sofri muito com isso, especialmente quando constatamos que as ideologias não conseguem vencer as amizades.
Grande satisfação por me teres descoberto por aqui. Teria grande gosto em rever-te. Envia-me um email para o endereço do blogue. Grande abraço.