> Pedro Passos Coelho tem as suas razões fundamentadas para não aprovar o Orçamento do Estado para 2011. Razões que advêm de vários factores, nomeadamente, a falta de transparência na despesa pública registada entre Maio e Setembro. O PSD é um conhecidíssimo saco de gatos, onde todos querem alguma coisa de muito visível, apesar de muitas vezes não fazerem a mínima ideia do que desejam. Como um Grupo Parlamentar que não lhe é favorável, o líder do PSD tem calçado umas botas com duas ou três pedras no interior que lhe provocam dor ao caminhar, especialmente, quando manifestou a sua repulsa pela aprovação do OE. Nesse sentido, Pedro Passos Coelho só tem uma solução para sair bem deste filme. E a minha "dica" é de borla. Não tenho a intenção de cobrar nada ao futuro primeiro-ministro. É uma "dica" simples, mas muito profunda e decisiva:
Pedro Passos Coelho só tem que... dar liberdade de voto ao seu Grupo Parlamentar.
PAU COMMENTS
Jorge Cabral*
PEDRO PASSOS COELHO VERSUS ORÇAMENTO
Sou um simples cidadão, alheio aos partidos políticos que em geral, considero serem os grandes responsáveis pela delapidação do país, quer em termos financeiros, como de valores e sobretudo de futuro, não só, mas também até pela chocante ausência de um elementar Plano Estratégico de Desenvolvimento Nacional a médio/longo prazos, que nos indicasse, só e tão só, para onde caminhamos.
Não tenho qualquer simpatia pelo PSD, sobretudo pelo exemplo de mesquinhez que nos tem dado, nas questiúnculas entre grupelhos de baronetes e que em bicos de pés tem perpretado tristes imagens, transmitindo para a comunidade exactamente o contrário do que deviam fazer. A expressão “saco de gatos” aplica-se com perfeição à ideia que tenho daquele Partido. Não é portanto, por qualquer simpatia, que aqui abordo a questao que o título indicia.
Passos Coelho está numa situação em que só por milagre não será queimado vivo pelos múltiplos “ratos…e ratas” que espreitam o momento certo para o atirar à fogueira que já estão atiçando. Sem um grupo parlamentar coeso e em cuja génese não esteve (aliás até foi dele escandalosamente banido), terá uma enorme dificuldade em não ser violenta e virulentamente criticado, seja qual for a “orientação” que entenda “impor-lhe” em matéria de aprovação do Orçamento de Estado para 2011.
Já se sabe que o dito documento é mais um exercício de merceeiro, sem dignidade, sem inteligência, sem lucidez, e sem quase nada do que é elementar constar num documento de tal magnitude. Mas, a verdade é que de um “governo” destes nada mais haveria de esperar.
Neste quadro, julgo que, no meu mais que humilde entender, Passos Coelho só pode ter uma posição para evitar, por um lado divorciar-se claramente de um Orçamento tão condenável, deplorável e prejudicial para o futuro imediato deste país e por outro lado, não assimilar o odioso das consequências que resultarão (só na boca dos seus opositores, segundo penso), da não aprovação do mesmo.
No lugar de Passos Coelho, eu explicaria fundamentada e conssubstanciadamente, até à exaustão, a minha posição como responsável máximo do Partido mas tomaria a decisão de:
- atendendo a que se trata de algo que, segundo todos os génios apregoam aos sete ventos, pode pôr em causa aspectos fundamentais da vida nacional,
- trazendo calamidades imensas (o que nem sequer é algo que não exista já).
- com consequências gravíssimas para todos nós (anseio pelo momento em que as consequências sejam mesmo para TODOS, o que, como se sabe hoje está bem distante de acontecer).
- e por tantas outras coisas más e péssimas que os arautos da desgraça têm orquestradamente anunciado.
- Atendendo ainda que qualquer imposição de sentido de voto estará longe de ser unânime, como já se sabe pelas declarações impúdicas que muitos dos “donos” do PSD já trouxeram a público.
- E por último, tendo em consideração que só uma posição destas poderá contornar o perigo de iminentes atentados à unidade do Partido (coisa que nunca será conseguida em absoluto, pelo que dele já todos conhecemos).
Ele, Passos Coelho, embora pessoal e intimamente contrário à aprovação de um PÉSSIMO Orçamento como este o é de facto, deveria dar LIBERDADE DE VOTO segundo a consciência de cada um.
Dessa forma poderá passar (quase) incólume ao calor da fogueira que algumas bruxas e bruxos já mantêm em lume brando, acalentando a vontade sempre presente, naquele Partido, de fazer ruído, gerar conflito, exibir vaidades trôpegas, enfim, conflituar infantil e desqualificadamente, como se estivessem palrando em qualquer mesa de café.
Desta forma, o Orçamento passará e Passos Coelho poderá invocar ter assumido tal posição em função do Interesse Nacional, mantendo, simultâneamente a posição que sempre defendeu. Embora pareça dispiciendo, este comportamento mantém intocável o seu carácter e a sua integridade, factores indiscutíveis em qualquer líder.
* Colaborador