Quarta-feira, Novembro 11, 2009

SS DESAUTORIZA O SEU PRESIDENTE

> Santos Silva disse hoje o contrário de Almeida Santos. O actual ministro da Defesa demonstrou um total antagonismo com o presidente do seu Partido Socialista, no que respeita à aquisição de submarinos por Portugal.
Almeida Santos tinha afirmado que "os submarinos não fazem falta para nada" e Santos Silva na sua primeira visita à Marinha declarou que "os novos submarinos constituem uma capacidade de que a Marinha precisa para ser equilibrada e poder desempenhar as funções que lhe estão cometidas".
Afinal, sobre este assunto dos submarinos, qual é a facção do PS que pontua?

CONSOLAÇÃO

> Assim em jeito de consolação acabei de ouvir o professpr Marcelo Rebelo de Sousa na mesma linha de análise que tem sido defendida aqui no JORNAL DO PAU a propósito do caso 'Face Oculta'. Rebelo de Sousa entende que a alteração à lei em 2007, que veio proteger o Presidente da República, presidente do Parlamento e primeio-ministro em casos de escutas telefónicas, é exageradamente protectora das referidas personalidades e discriminatória relativamente aos outros cidadãos quando a escuta estiver a ser feita a um qualquer cidadão que resolve ligar para aqueles três ocupantes dos altos cargos da hierarquia do Estado.
O nosso colaborador Carmindo Mascarenhas Bordalo está de parabéns por ter sido a primeira pessoa a esclarecer publicamente os portugueses sobre esta matéria.

FACE

> A líder do PSD desafiou hoje o primeiro-ministro a prestar esclarecimentos ao país sobre o processo 'Face Oculta'.

José Sócrates deverá nas próximas horas convidar Manuela Ferreira Leite a ocultar a face...

OS DONOS



Usam e abusam do poder como se fosse
direito próprio que algum deus lhes trouxe,
num jogo absurdo que se joga à margem
de regras, normas, ordens e preceitos.
E, porque tudo é seu, eis que a paisagem
se amolda aos seus caprichos e defeitos
e as leis ganham contornos e alçapões
que os poupam a quaisquer complicações.


Torquato da Luz, in Ofício Diário

DESAFIO


Jorge Cabral*


“A ÚLTIMA ESPERANÇA”


> Assistimos presentemente a mais um exemplo degradante da perversão do exercício do “poder”. A coberto do Estado de Direito, cometem-se vergonhosas ignomínias contrariando sem pudor os seus fundamentos, mesmo os mais nobres e inquestionáveis. Com efeito, a Lei, como seu elemento primeiro, deverá sempre respeitar os valores fundamentais da sociedade e nunca poder ser instrumento do seu atropelo. Assim não acontece.

O actual Código Penal, cuidadosa e responsavelmente elaborado por um dos criminalistas mais notáveis de sempre, reconhecido como uma autoridade a nível mundial na matéria, dito pelos seus pares, logo, por quem sabe, foi, logo que possível, subvertido conveniente e estrategicamente, por quem não dispõe nem de competência, nem de credibilidade equivalente ao autor. Estamos naturalmente a referir-nos à Lei 48/2007, feita, segundo consta, pelo ministro Rui Pereira, aprovada por um Conselho de Ministros de um governo com maioria absoluta e promulgada por um Presidente da República que, de tanta “cooperação institucional”, já satura.

Com uma “orquestra” destas ficamos pois nas mãos de quem? Do “Fado”! ou seja, do nosso destino que há muito se vem mostrando demasiado sombrio para que possamos continuar a aceitá-lo como que, se de uma condenação se tratasse. Parece que assim é, mas talvez haja uma ténue esperança que assim não seja…

Assim, embora tenha uma imensa admiração pelas opiniões do meu ilustre colega bloguista, professor catedrático Carmindo Mascarenhas Bordalo, segundo penso de Direito, muitíssimo conhecedor não só desta matéria específica mas dos meandros por onde se decide muita da “vida” deste país e embora tome sempre em devida consideração as suas opiniões, tenho alguma esperança que desta vez ele ainda possa vir a concluir (e julgo saber que ele também ficará feliz por isso) que numa determinada “Crónica” afinal não tinha toda a razão. Trata-se do actual PGR, o Dr. Pinto Monteiro, ser o “Vértice do Problema” ou… quem sabe… talvez uma das “Bases da Solução”. Pelo meu lado, faço figas pela segunda hipótese.

Trata-se pois, de podermos ou não, voltar a acreditar nas instituições nacionais, as mais importantes, diga-se, para que a transparência neste país seja um ponto de honra, aliás, fundamental à mobilização social que se impõe para que possamos colectivamente sair (bem) do “fossa séptica” nacional em que estamos.

Todos sabemos que o PGR, Dr.Pinto Monteiro, não morre de amores pelo actual Meritíssimo (será???) actual presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Dr. Noronha do Nascimento, personalidade, de quem não gosto, não porque possa ou saiba fundamentar tecnicamente tal animosidade, mas porque julgo ter aprendido a conhecer as pessoas através de certos tiques e tal indivíduo, pela forma como fala, como olha, como reage, configura, no conceito de homem que subconscientemente formatei, alguém em quem não se pode confiar, mais ou menos como “aquele” de quem Saramago diz das boas. E diga-se, que apesar de saber que ele é “avermelhado”, essa não será nunca nem é razão ponderável, dados os imensos comunistas que fazem o imenso favor de serem meus amigos, apesar de eu nunca ter alimentado nenhuma simpatia por tal sistema político.

Nesta vergonha da “nulidade das escutas”, para evitarmos mais uma machadada na nossa dignidade enquanto particulares deste estranho colectivo, apesar de presumir que o Dr. Pinto Monteiro possa fazer muito pouco, ainda guardo uma leve réstia de esperança que ele saiba, com base no imenso conhecimento que sem dúvida todos lhe reconhecem, fundamentar uma decisão contrária que nos permita recuperar alguma da dignidade que, factos como este nos têm sistematicamente e injustamente roubado.

Eu até poderei ser capaz de conviver com um primeiro-ministro potencialmente aldrabão e criminoso, o que não posso é aceitar que ele fique impune, e continue a sua cavalgada irresponsável sem que as instituições o façam assumir as consequências dos seus actos. Pior, quando se apregoam as virtudes de um Estado de Direito é inconcebível que seja exactamente através dos seus elementos fundamentais, as “Leis” que se avilte, subverta e amesquinhe os Princípios, os Valores e os Ideais da Sociedade Livre e Moderna que apregoamos ser.

*Cronista residente

BOCAS NA RUA

Sporting

- Ó Bentes, o Sporting já tem um novo treinador!

- Não me digas?!... Quem é?

- Para combater o Jesus... só pode ser o José Saramago...

O feicebuque DA MINHA VIDA (4)

TIMOR (I)

> Em 1970 desembarquei em Díli, capital da Província de Timor, a tal ilha para onde se deportavam os políticos inimigos do regime. Após uma viagem de quase dois meses circundando a costa africana e atravessando o Oceano Índico, o navio 'Timor' com centenas de militares [vestidos à civil não fosse o diabo "inventar" que iam ali militares...] a bordo e comandados pelo capitão Salavessa da Costa, chegámos a Díli sob um calor tórrido e húmido, quase insuportável. Metade da "carga" militar destinava-se a Macau e a outra metade a Timor português. O meu destino era Ermera, uma localidade na montanha timorense, na zona das plantações de café, onde deveria render um camarada artilheiro que tinha sido evacuado em estado lastimável. Contudo, as minhas qualidades para servir na rádio e no jornal militares concederam-me o dom de ficar pela capital, diga-se, à boa vida.
Após ter sido colocado no Quarte-General e ter iniciado os primeiros passos por uma terra tão estranha quanto cativante, apercebi-me que a reputação dos militares andava muito por baixo. O que tinha acontecido ultrapassava o limite do risível em absoluta simbiose com uma falta vergonhosa de seriedade e de princípios militares. O falatório advia, em causa-efeito, de um facto lamentável que tinha passado impune.
O Destacamento de Serviço de Material tinha proposto ao Comandante Militar que se efectuasse uma nova aquisição de jipes, unimogues, carrinhas, escavadoras, camiões GMC e respectivos sobressalentes. Enfim, uma fortuna incalculável em material novo a distribuir pela Província. Como o Comandante Militar era uma personalidade recentemente chegada ao território e tendo estranhado a pretensão de adquirir-se uma tão avultada encomenda de material novo vinda de Lisboa, indagou a razão pela qual o material velho tinha sido abatido à carga. Resposta: destruído pela formiga branca...

PÁGINA DE ANORMALIDADES







ESMIUÇAR

> Afinal, os irmãos Paulo e Miguel Portas quando se encontram em casa da mãe passam o tempo a 'esmiuçar' as novidades sobre os partidos. Quem nos dá a novidade é a sua mãe, Helena Sacadura Cabral, que escreveu no seu blogue que "(...) A conversa foi longa por causa da ida do euro deputado às eleições de Moçambique. E, como sempre acontece, os dois irmãos ficaram horas a 'esmiuçar' as novidades partidárias (...)".

BOCAS NA RUA

Casamento homossexual

- Ó Adalberto, os bispos são a favor do casamento de homossexuais!

- Estás doido, pá!

- Os bispos é que estão! Disseram que não apoiam o referendo...

VACINA ANTI-SÓCRATES



> José Sócrates foi hoje vacinado contra a gripe dos porcos. Ninguém disse ao primeiro-ministro que a agulha não tinha sido esterilizada...

NEM PARECE NO BRASIL


> O Brasil é dos países (apesar do apagão de ontem) mais esclarecidos e avançados quanto a costumes, moralidade e sexo. Não dá para acreditar, mas aconteceu em São Paulo. Uma jovem foi para a universidade de mini-saia. Caíram os arranha-céus...


SEXO DO MELHOR

> Jane Fonda: "O sexo é melhor aos 71 anos"

A sonhar ou no cinema?

VELHOS A 200 À HORA

> População portuguesa é a que está a envelhecer mais depresa na UE

É natural. Por isso, é que andamos com a face oculta...

ACABAR COM O PETRÓLEO

> Os habitantes do planeta têm, de uma vez por todas, de tomar a decisão de expurgar o petróleo do controlo das nossas vidas e do paradigma de vivência instalado. O petróleo em algumas dezenas de anos mudou os hábitos dos habitantes do planeta, enriqueceu uns árabes atrasados mentais e está a destruir todo o nosso habitat.
O futuro está no desenvolvimento das energias renováveis, especialmente do hidrogénio, e simultaneamente na rejeição do petróleo. Entretanto, anuncia-se mais uma ajuda à nossa destruição. AQUI

NANI ANTI-QUEIROZIANO

> Dedicado especialmente aos fãs de Carlos Queiroz:

"Na selecção fazem-me festas e depois vou para o banco"

Nani, hoje no 'i'

O POLVO PERDEU A GRAÇA

> Já está tudo esclarecido. O 'Face Oculta' já pode ser totalmente arquivado porque o esclarecimento é total. Sabe-se agora que o sucateiro Manuel Godinho realizou o seu primeiro grande negócio quando José Sócrates era ministro do Ambiente.
Acabaram-se as insinuações...

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



SÓCRATES PREVENIDO VALE POR 48.../2007!


>
Notável!
Segundo as notícias de ontem, foi declarada a nulidade das escutas das conversas telefónicas entre Sócrates e Vara.
Certamente que os dois escutados repetirão para todos os portugueses o teor da sua conversa, pois tão inocente conversa de amigos até será um exemplo de dignidade e boas maneiras.
Não sei de nada do processo Face Oculta - até porque sou uma pessoa que não gosta de ouvir conversas dos outros, nomeadamente conversas de dois amigos.
Mas sei que, pelo pouco que conheço da lei processual portuguesa, se a escuta ao Primeiro-Ministro é feita sem autorização do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça é contrária à lei e, portanto, nula.
Reza assim o art. 11º do Código de Processo Penal:
Artigo 11.º
Competência do Supremo Tribunal de Justiça
(...)
2 — Compete ao Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, em matéria penal:
(...)
b) Autorizar a intercepção, a gravação e a transcrição de conversações ou comunicações em que intervenham o
Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República ou o Primeiro-Ministro e determinar a
respectiva destruição, nos termos dos artigos 187.º a 190.º;(...)
Ora, a nulidade é a sanção das escutas feitas em contravenção à lei: art. 190º do Código de Processo Penal.
Visto isto, interessa saber uma coisa.
Quem é que criou um regime de excepção desta natureza e que exige a investigadores criminais, que actuam na pressão do momento e não sabem aquilo que vão encontrar, a autorização da 4ª figura do Estado para poderam actuar contra os criminosos?
Se o telefone de Vara estava sob escuta como é que os investigadores iam saber que ele ia falar com Sócrates?
Teriam de adivinhar e, com base nesses poderes adivinhatórios, pedir a Noronha do Nascimento que autorizasse a escuta da conversa em que Sócrates interviria?
É que, sendo assim, não há melhor cúmplice para actividades criminosas do que quem ocupar a chefia do Governo (ou a Presidência da República ou da Assembleia da República): as conversas com ele, se não esperadas/antecipadas pelas autoridades, não podem ser autorizadas. A normal autorização de um juiz nunca será suficiente pois era preciso ter sido pedida ao Presidente do STJ.
E volta a pergunta: quem criou um regime tão absurdo, tão patético e que permite tão descarada fuga à Justiça?
Fui investigar.
O Código de Processo Penal foi aprovado pelo Decreto-Lei nº 78/87, de 17 de Fevereiro.
Na sua base esteve o trabalho de uma comissão presidida pelo Professor Jorge de Figueiredo Dias, Professor Catedrático (já jubilado) de Direito Penal da Universidade de Coimbra e um dos mais reputados penalistas do mundo. Basta dizer que foi dirigente das mais importantes associações de Direito Penal ao nível internacional e é membro do conselho de de redacção de algumas das mais prestigiadas revistas dessa especialidade em Portugal e no estrangeiro. Se há português que na sua área é reconhecido internacionalmente, é Figueiredo Dias.
Perante estas conclusões, dei comigo a pensar: terá o Prof. Figueiredo Dias feito uma borrada deste tamanho?
Mais uma vez, investiguei.
E descobri que, como é óbvio, o Prof. Figueiredo Dias jamais teve tal nódoa: o art. 11º do Código de Processo Penal não continha a actual redacção.
Como é que isto aconteceu?
De novo, investiguei - fui analisar as várias alterações que o Código de Processo Penal foi sofrendo nos 21 anos que já leva de vigência.
Até que cheguei à 18ª versão do Código, introduzida pela célebre reforma de 2007, a que teve à sua frente o actual Ministro da Administração Interna, Rui Pereira.
Trata-se da Lei n.º 48/2007, de 29 de Agosto, cujo art. 1º alterou, entre muitos outros, o referido art. 11º, tornando impossíveis, na prática, as escutas de conversas em que participe o Primeiro-Ministro.
O socratinismo no seu melhor.
Depois do susto da Casa Pia, os políticos souberam precaver-se.
Sócrates prevenido não vale por dois. Vale por 48.../2007!!



*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

ISTO ESTÁ A FICAR REVOLTANTE

> Ao ver as últimas do dia de ontem na SIC Notícias fiquei mais uma vez perplexo e revoltado. O noticiário televisivo introduziu um caso surrealista. Um menino na casa dos 30 anos, do Partido Socialista, membro da Comissão de Honra eleitoral de José Sócrates, criou uma série de empresas de alta tecnologia e de várias tretas. Concedia entrevistas a torto e a direito no Verão passado porque o Ministério do Ambiente já lhe tinha autorizado a concessão de um enorme espaço de mar, sim de mar - não se riam - para o menino criar um viveiro de bivalves. O menino falava num projecto de mais de 700 milhões de euros, mais de cinco mil postos de trabalho. O menino convidava o primeiro-ministro para cerimónias de propaganda. O menino tinha mais de uma dezenas de trabalhadores. Bem, vamos ao que interessa: o menino desapareceu, a polícia anda à sua procura, não pagou aos trabalhadores que ficaram desesperados nas empresas com o telefone, electricidade e água cortados. O descalabro é enorme e os responsáveis pela Marina de Cascais já disseram que o viveiro do menino amigo de Sócrates seria uma loucura. Depois de várias tentativas, o jornalista da SIC encontrou o menino e ouviu o seguinte: "Sim, sou eu. Já estou contactável. A culpa é toda minha. O problema deu-se porque já tinha dívidas de duzentos mil euros..."

Sem comentários.

MAIS VERÃO

> Com uns agradáveis 21 graus de temperatura e uns raios de sol muito luminosos celebramos hoje mais um Verão de São Martinho. Levanto o meu copo de água-pé à vossa saúde e não se esqueça: se gosta de beber, deixe o carro e a moto em casa. À vossa!

MARIA LISBOA, MARIA BONITA


Alfama

Terça-feira, Novembro 10, 2009

NO MELHOR DA VIDA


> Estas são as piores notícias. A morte de jovens na flor da vida e no auge da carreira. Robert Enke, ex-guarda-redes do Benfica, 32 anos, morreu quando atirou o seu carro para debaixo de um comboio, na Alemanha. Enke, que estava indicado como o guardião alemão para o Mundial da África do Sul, deixa mulher e uma filha adoptiva. Só Enke sabe a razão da vida já não lhe dizer nada quando as palmas eram imensas.

50 CASSETES PARA O LIXO

> No caso 'Face Oculta' algo está errado ou alguém nos anda a enganar. A PJ de Aveiro enviou certidões de escutas telefónicas para a Procuradoria-Geral da República que implicavam o cidadão Armando Vara em conversa com vários outros cidadãos, incluindo José Sócrates. As certidões foram enviadas ao Supremo Tribunal de Justiça por precisamente a lei induzir que no caso de se tratar de um primeiro-ministro, as decisões necessitam do crivo do STJ.
Entretanto, o presidente do STJ, Noronha Nascimento, informou que há dois meses que enviou o despacho para o procurador-geral da República. E o 'Expresso online' anunciou que esse despacho do presidente do STJ insere a anulação das certidões porque se tratou de escutas realizadas ao primeiro-ministro sem a indispensável autorização de um juiz do STJ. Errado. Balela. Cambalacho noticioso. Tentativa de aldrabar a opinião pública porque... porque as escutas não foram realizadas ao primeiro-ministro, mas sim a um cidadão normal como todos nós, que por acaso se pôs ao telefone com vários "amigos", entre eles, José Sócrates que, por sinal, é primeiro-ministro.
Não vale atirar com as 50 cassetes de escutas que deram tanto trabalho à PJ para o lixo acompanhadas de uma justificação irracional.
Não vale atirar com areia para os olhos...

POR ACASO

> "Por acaso hoje de manhã encontrei-me com o senhor procurador-geral..."
Noronha Nascimento, presidente do Supremo Tribunal de Justiça

Realmente, só por acaso é que estas coisas acontecem...


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Blogues Democracia em Portugal?

O feicebuque DA MINHA VIDA (3)

RTP (I)

> Quando frequentei o Colégio La Salle, em Abrantes, um dos meus professores, o Irmão Florentino, disse um dia em voz alta perante a turma que "o Severino só vai ser uma de duas coisas: advogado ou jornalista". O Irmão Florentino, psicólogo exímio e profundo conhecedor do ego de todos os alunos, acertou em cheio. Na adolescência a tendência era para participar em tudo o que fosse jornais de parede e mais tarde, no serviço militar, a minha escrita esteve sempre presente nos jornais de caserna. Com 14 anos já debitava notícias para microfones com ligeireza e o pontapé de saída para uma carreira no jornalismo estava dado.
Durante a minha comissão de serviço militar em Timor, o coronel Sales Grade, chefe do Estado-Maior do Comando Territorial, encontrou em mim qualidades para que me dedicasse ao jornal e programa de rádio militares naquelas paragens orientais.
Quando regressei a Portugal, em 1972, soube de uma vaga para o Telejornal da RTP. E como o sonho de vir a ser jornalista não me deixava pensar em outra hipótese, e como os estudos universitários tinham ficado a meio, resolvi meter uma cunha ao meu padrasto Ruy Andrade, dos Parodiantes de Lisboa, e este falou com o seu amigo Soares Louro que, por sua vez, indicou-me a Vasco Hogan Teves que era o director de informação. Hogan Teves ainda hoje é um homem de elevada correcção e cordialidade. Naquele tempo distinguia-se por um profissionalismo exigente que colocava em todas as acções na redacção uma competência exemplar, mas recordo com precisão a disponibilidade do director Teves para ensinar os mais novos nas mais diversas e complicadas tarefas do jornalismo televisivo. De salientar, que naquele tempo quando se partia para uma reportagem íamos na companhia de quatro companheiros: o motorista, o operador de imagem, o assistente de operador de imagem e o operador de som. De regresso ao estúdio, entregava-se o filme e o som para revelação e registo, gravava-se com a nossa voz o som off quando fosse caso disso, passávamos à sala de montagem onde as senhoras montadoras realizavam o trabalho sob a orientação do jornalista (fartava-me de rir quando o som não condizia com a imagem) e no final chamava-se o chefe de redacção ou o director para a luz verde de transmissão do nosso trabalho. A censura só era apertada em tempo de eleições.
O meu ingresso na RTP foi aprovado em 1973 por Ramiro Valadão, presidente do conselho de administração da empresa, que logo no primeiro dia de trabalho quis conhecer-me. "Você é muito jovem mas disseram-me que tem muito boa vontade e vem de família da rádio. Boa sorte e cuidadinho com as moscas...". Nunca me explicou de que moscas se tratavam, mas pelo seu sorriso e pelo ar de malandrice de quem o acompanhava no momento - um dos maiores apreciadores das caras bonitas da RTP (o chefe de redacção José Manuel Marques) - logo compreendi onde quereria chegar o "patrão" da televisão portuguesa.
Na RTP conheci pessoas de todo o género e feitio. Não tenho memória para todos, mas quero aqui homenagear aqueles de quem me recordo: João Soares Louro, Vasco Hogan Teves, Miguel de Araújo, José Manuel Marques, José Mensurado, Isabel Wolmar, Manoel Caetano, Henrique Mendes, Fialho Gouveia, Carlos Cruz, José Gomes Ferreira, Adriano Parreira, Alice Cruz, Rui Romano, Ana Zanatti, Maria Fernanda, Irene Carrapiço, Afonso Rato, Serafim Marques, Bessa Tavares, Armando de Carvalho, João Coito, António Ribeiro Soares, Francisco Ribeiro Soares, Rodrigo Emílio, Vítor Direito, Licínia Gomes, Sarsfield Cabral, Fernando Pessa, Eládio Clímaco, Raul Durão, António Santos, Maria Elisa, Maria Margarida, José Rebordão Esteves Pinto, Herculano Carreira, Abílio Abrantes, Adriano Cerqueira, Pedro Mariano, Paulo Morais, Mário Gonzaga Ribeiro, João Facha, Luís Andrade, Armindo Mendes, Álvaro Guerra, Carlos Albuquerque, José Eduardo Moniz, Sousa Veloso, Artur Ramos, António Borga, Cesário Borga, Avelino Rodrigues, Mário Cardoso, José Gabriel Viegas, Seruca Salgado, Joaquim Vieira, Manuel Bom, António Manuel, Manuela de Melo, Alves dos Santos, Fernando Balsinha, Joaquim Letria, Luís Alberto Ferreira, Adelino Gomes, Joaquim Furtado, Carlos Blanco, Hélder de Sousa, João Moreira de Almeida, Maria de Lurdes Modesto, Vasco Granja e muitos actores, cançonetistas, fadistas, realizadores e produtores que passaram por aquela casa e que poderão vir a terreiro ao longo das nossas histórias sobre a RTP.

VISÃO


> Observou bem a foto? Viu bem? Viu o rabo da menina que está lá atrás? Viu?... Então, está a precisar de ir ao oftalmologista. Oftalmologista??? Sim, meus caros. Acontece que o que lá está é o braço da fotógrafa...

BOCAS NA RUA

Amigos

- Ó Nené, estou chocado!

- Por quê, pá?

- O Supremo Tribunal de Justiça diz que as escutas ao Sócrates são nulas!

- Não tens nada que ficar chocado, pá! Acima de tudo deve cumprir-se a lei... não te esqueças que vivemos num Estado de Direito...

- Desculpa lá, pá (soluço)... não me conformo, pá (soluço)... é muito triste (soluço) que o Supremo Tribunal entenda que as conversas entre amigos não valem nada...

ÚLTIMO ABANDONO NO SPORTING

NINGUÉM SABE A LEI







>
Os agentes da Polícia Judiciária e os magistrados do Ministério Público andaram a estudar durante anos para ficarem habilitados a trabalhar. Um trabalho sui generis de pesquisa, investigação, de prática do Direito, da Psicologia, da constitucionalidade, um todo peculiar e necessário a uma conclusão fundamentada e credível.
Mas afinal, parece que pouco ou nada sabem de leis, ou querem fazer desses agentes uns parvos que têm de calar a boca quando se trata de alguém de colarinho branco. Se não, vejamos: em Aveiro, uma directoria da PJ com magistrados do MP e juízes após a investigação de um caso que embarca vários tipos de crimes, concluíram que existiam vários fundamentos, entre eles, conversas graves e suspeitas entre um dos alegados criminosos e o primeiro-ministro, para que um processo-crime devesse prosseguir. Entretanto, enviaram certidões das escutas telefónicas para a Procuradoria-Geral da República. Esta, como confere a lei, enviou para o Supremo Tribunal de Justiça por se tratar de matéria relacionada com o primeiro-ministro. O STJ há mais de dois meses exarou despacho e mandou arquivar, alegando que as escutas não obtiveram o "carimbo" de um juiz superior.
Bonito país, onde afinal, parece que todos os que trabalham em prol da transparência podem ser desautorizados porque... não sabem as leis pelas quais se deviam reger. Será verdade? Duvido. É um direito que me assiste, o direito à dúvida...

© jes

VARAS SUPREMAS

> Alguém anda a mentir sobre as escutas de Sócrates e Vara no 'Face Oculta'. O procurador-geral Pinto Monteiro disse que a coisa era com o Supremo Tribunal de Justiça e que não tinha as certidões na gaveta há quatro meses. Especificou que as certidões estavam com o presidente do STJ. Este, diz que há dois meses que exarou despacho sobre o assunto e que enviou para Pinto Monteiro. O STJ mandou arquivar ou efectuar inquérito? Há dois meses?... Hum!... Antes das eleições?... Hum!... Mau, mau, andam-me a enganar. Deve ser o chauffeur...

CARMINDICES

Carmindo Mascarenhas Bordalo*


ASSIM SE ESCREVE EM BOM VARÊS

> Muito já se escreveu sobre as qualificações de Armando Vara, o self made socialista que conseguiu chegar à honrosa posição de arguido no processo Face Oculta.
Mas o que se desconhecia era o enorme talento de Vara para as letras.
Mostrando dominar o idioma de Camões como poucos, Vara cala definitivamente os seus críticos.
Afinal, valeu mesmo a pena o ISCTE dar-lhe uma pós-graduação antes da licenciatura. Vara merece.
Transcrevo o último parágrafo da carta de "suspenção" e "renuncia" do novo Imperador da Língua Portuguesa:
"Por isso, decidi solicitar ao Conselho a que V. Exª preside a suspensão do meu mandato como membro do Conselho de Administração Executivo, com efeitos a partir desta data. Suspenção e não renuncia porque tal poderia ser entendida com assumpção de culpa" - http://downloadsexpresso.aeiou.pt/expressoonline/PDF/EXP_ArmandoVara051109.pdf.
"Suspenção" e não suspensão (embora antes, à cautela, esteja escrito correctamente: assim sempre cria a dúvida)!
"Renuncia" e não renúncia!
"Assumpção" e não assunção!
Que luxo, tanta categoria numa só frase! Quilates de sapiência numa mera carta de "renuncia" que nos ensina a escrever em varês.
Vara não perde uma ocasião de nos mostrar quem é - e, já agora, quem somos nós . Erros ortográficos, palavras desconhecidas dos Dicionários Lello e Morais. Um verdadeiro discípulo da Universidade Independente e do ISCTE.
O governante socratino no seu esplendor.


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

MARIA LISBOA, MARIA BONITA


Praça D. Pedro IV - Rossio

Segunda-feira, Novembro 09, 2009

OVAR

> Outubro foi o mês mais quente dos últimos 14 anos e as temperaturas máximas ultrapassaram os 25º durante 10 dias em quase todo o território nacional.

Tudo começou a ficar mais quente a partir de Ovar...

O ÊXITO DO MOMENTO

> Uma banda constituída por quatro adolescentes acaba de lançar uma canção composta com a ajuda de dezenas de fãs do popular site de partilha de vídeos YouTube.

Tudo começou quando Charlie McDonnell, 19 anos, e mais três amigos decidiram unir forças para concorrer ao ChartJackers da BBC. Trata-se de uma iniciativa do serviço público de rádio da Grã-Bretanha onde os concorrentes se propõe compor uma canção que consiga entrar nos tops britânicos partindo completamente do zero.

Sem dinheiro ou contactos no competitivo mundo da música, aos concorrentes só resta pedir ajuda aos milhões de internautas do YouTube . E foi assim que nasceu a canção "I've got nothing" (Não tenho nada), um tema composto à imagem dos grandes hits da pop.

A letra foi compilada a partir dos comentários dos cibernautas, que também contribuíram com a melodia. Charlie McDonnell e os amigos recolheram e seleccionaram os diversos contributos. O produtor também foi encontrado através do YouTube. Os participantes no teledisco são frequentadores habituais de um dos sites mais visitados do mundo. Os professores de canto da prestigiada Fame Academy, Carrie e David Grant, também deram uma ajuda.

O tema está disponível desde hoje na loja de música online iTunes revertendo o produto da venda para obras de caridade.

Se será, ou não, um grande sucesso, o futuro dirá. Para já, não deixa de ser mais um exemplo acabado de como a colaboração através da Internet, devidamente coordenada de dezenas de internautas em todo o mundo, poderá ser tão bem sucedida como as poderosas máquinas das editoras discográficas.


HÁ 20 ANOS




















>
Caiu o muro de Berlim, mas não caíram os outros muros.

DESAFIO


Jorge Cabral*



“FANTÁSTICO PEQUENO GRANDE HOMEM”

> A África é hoje palco de mais um enorme drama a que o “mundo civilizado” assiste quase impávido. Com efeito a hipocrisia que tem norteado as múltiplas intervenções dos poderes dos países do lado de cá, tem sido confrangedora e mesmo revoltante. A ideia que nos fica é que estão empenhados na proliferação dos males embora se escondam permanentemente atrás de embrenhadas fórmulas de apoio humanitário que nunca se efectivam ou quando o fazem, é-o ineficazmente e dando a nítida ideia de que é só “para inglês ver”.

A actual pandemia da SIDA naquele continente, é disso caso paradigmático, mas não é meu propósito abordar agora as vicissitudes e vergonhas que têm inundado os anúncios e as intervenções dos países abastados, na resolução desta catástrofe humanitária, mas uma coisa não quero desde já afirmar: TAIS ACÇÕES CONFIGURAM UM MODELO REBUSCADO MAS CLARO, DE LIMPEZA ÉTNICA, e tenho esperança que brevemente algum dos poderosos, forçosamente “marginal” e seguramente corajoso saiba nos areópagos internacionais certos, colocar a nu toda a verdade deste crime.

O que quero aqui abordar é uma pequena faceta das dramáticas consequências humanas dum destes flagelos.

Como resultado imediato da SIDA poucas são as famílias a quem ela não tenha já “levado” um ou mais dos seus elementos e são imensas as que, mesmo só a nível do seu núcleo, já não estão integras, sem algum ou alguns dos seus filhos, sem pai, sem mãe e mesmo sem ambos. Este é infelizmente o quadro que melhor nos dá uma imagem verdadeira da actual situação social africana. E tende a piorar muito.

Por esta razão, muitas são as crianças, com 13, 14 anos e menos que são obrigadas a assumir o papel de chefes de família, cuidando dos irmãos mais novos, porque os pais lhes foram prematuramente “roubados”.

O caso que relatarei seguidamente reporta-se a Moçambique. Num país onde os recursos naturais já não são abundantes como outrora, onde a agricultura está arruinada e é quase improdutiva, onde a pesca em águas interiores é praticamente inexistente e os meios para a fazer não existem, onde as instituições, fora dos grandes centros populacionais não funcionam, tais heróis, dão-nos, no seu “normal” dia a dia, permanentes provas de estoicismo e de uma enorme dimensão humana. Passando vulgarmente fome para acudirem primeiro às necessidades dos mais novos, prosseguem sem queixume no tenebroso sacrifício que são as suas vidas quotidianas.

São miúdos e miúdas que mostram o que de melhor temos enquanto elementos desta espécie. Facetas de que já nos distanciámos e que muitos de nós já nem sequer sabem que existem, nestas sociedades de plástico em que vivemos, cá deste lado.

Uma destas crianças, o Nielson, hoje com 16 anos, com a sua prole de dois irmãos mais novos, exclusivamente a seu cargo já há mais de dois anos, ainda não há muito tempo, contando a um repórter o que era a sua vida, desde a construção da própria humilde casa onde viviam, com recurso a materiais primários tão chocantemente rudimentares, até aos parcos utensílios com que tentavam suprir as suas necessidades, bem abaixo do limiar do elementar, sendo então questionado sobre o que é que precisava, com um sorriso admirável mas ao mesmo tempo assustador, respondeu que não precisava de nada, que tinha tudo quanto desejava para continuar a arcar com tal desproporcionada responsabilidade. Porque para ele, face ao terrível monstro que lhe havia “ceifado” os pais, parecia bastar-lhe continuar a ter saúde. Sabia que a sua determinação de continuar nunca seria abalada e tinha força e competência já demonstradas para prosseguir naquela hercúlea tarefa; quanto ao resto pouco peso teria portanto, na sua óptica.

É esta dimensão, a mais nobre que podemos encontrar dentro de nós, que escasseia nas sociedades ditas desenvolvidas. Conquistadas pela inveja, pela opulência, pela ostentação e pela ganância sem limites, alimentam-nos no que de pior também temos nos nossos íntimos e o resultado é algo de que nem por sombra podemos comparar com a digníssima e nobilíssima dimensões desta criança frágil mas que contém dentro de si um grande homem que não pode deixar incólume a emoção de todos quantos ainda prezem a Humanidade.

*Cronista residente

Consideração

> António Martins da Cruz já foi ministro dos Negócios Estrangeiros e muitas mais coisas. Afirmou que "Armando Vara merece-me a maior consideração".

António Martins da Cruz não me merece a maior consideração... Por quê? Proibido explicar.

09.11.09

> Daqui a mil anos haverá planeta? Haverá Portugal? Haverá Lisboa? Haverá escrita? Se tudo ainda existir tal como hoje (o que duvidamos em absoluto) voltará a escrever-se a data 09.11.09

ESTA NOTÍCIA É FALSA

> Esta notícia foi divulgada hoje para toda a comunicação social. Mas é falsa.
"Os doentes que ficaram cegos com um tratamento oftalmológico no Hospital Santa Maria já foram informados pelos médicos de que a cegueira é definitiva e sem qualquer hipótese de recuperação".

PSICÓLOGO TEM RAZÃO

> Um amigo psicólogo enviou-me um email abordando o tema dos comentários para os blogues. E referiu-se especialmente ao JORNAL DO PAU salientando que o nosso blogue "não pode deixar de prestar o bom serviço à humanidade bloguista que vinha facilitando" e referiu que "os comentários de anónimos são, na maioria das vezes, de pessoas que têm necessidade de desabafar, de expulsar o seu ódio a tudo e todos e fundamentalmente de sobre a capa do anonimato convencerem-se que estão vivos quando psicologicamente já morreram há muito".
A pessoa que me escreveu alvitra que regresse à primeira forma relativamente à permissão de comentários anónimos "porque não se esqueça que acima de tudo fazem divertir quem frequenta o seu blog" e também porque "se o criticam e se o vinham ofender é porque o liam e o importante é que o leiam".
Pensando bem, acho que o amigo psicólogo tem razão e que é importante que os frustrados que percorrem a bloga possam expelir o seu fel. Assim seja.

AÍ ESTÁ ELE

> O advogado, comentador e comissário político José Miguel Júdice está sempre na berra. Hoje, regressou à baila para defender a sua última dama do areópago político. Para o efeito, Júdice alvitrou que as certidões do processo 'Face Oculta', que se encontram nas mãos do procurador-geral da República Pinto Monteiro há mais de quatro meses, deverão ser (imaginem!) arquivadas...
Pois, entendi-te!

O SEXTO SENTIDO




Catarina Price*




Mães e Mulheres .. tal como eu


Vejo-as todas as manhãs.
Chego fresca e cheirosa, em salto alto ou em salto nenhum, estaciono no meu lugar usufruindo da comodidade de uma garagem e de outra mais importante, a de ter um carro que percorra por mim o caminho que separa a escola da minha filha do meu emprego e vice-versa. Chego normalmente a horas não partilhadas pelos meus colegas de estacionamento e vejo-as todas as manhãs.
De bata azul, chinelos nos pés, cabelo amarrado, baldes, esfregões, vassouras e panos, descem a rampa até aos lavabos onde, àquela hora matutina e após lavarem, esfregarem e desinfectarem o local que me espera para oito horas de trabalho, mudam de roupa e seguem o dia que para elas tem mais horas do que para mim. Horas de trabalho. São alegres e bem-dispostas, cumprimentam-me em coro quando me avistam, algumas são estrangeiras e não lhes sei o nome, outras, caras já minhas conhecidas, que me perguntam timidamente pela princesa cuja fotografia junto ao meu computador, lhes é familiar. O dia que para mim começa com um café duplo e a fumegar e a leitura de correios electrónicos com que me brindam os que comigo trabalham em diferentes fusos horários, sentada confortável numa cadeira de rodinhas, para elas segue já com o peso de algumas horas de afazeres que começaram quando me levantei. Ou se calhar antes disso.
São mulheres e mães como eu. E na vida certamente tomaram tantas e tão boas decisões como as que acho já tomei. Os filhos também as esperam em casa ao fim de um dia em que provavelmente chegam mais cansadas, sem tanta paciência, ou talvez não.
São vidas que correm paralelas à minha, tão perto quanto um sorriso de bom-dia faz a diferença, e no entanto tão longe da realidade que me envolve. Mulheres que limpam, lavam, esfregam e desinfectam enquanto eu escrevo, traduzo, analiso, preencho e opino, num trabalho que normalmente nem se vê, nem se dá conta que existe e que alguém o faz.
À custa de noites interrompidas e de madrugadas passadas nos transportes públicos.
À custa de horas sobre horas que a elas lhes sobram em trabalho não tão agradável. Definitivamente não tão aconchegado.

De que me queixo eu, afinal? Às vezes, quando páro para pensar, vem-me à mente que tudo não passou de um grande acaso. E de alguma sorte. Ou da falta dela.

*Cronista residente

BOCAS NA RUA

Sporting

- Ó Lopes, sabes que o Sporting mudou de nome?

- De nome? Então, não é o Sporting Clube de Portugal?

- Não, pá! Agora passou a ser o Sporting Clube da Vitalis...

O feicebuque DA MINHA VIDA (2)

INFÂNCIA

Futebol, Casa Pia e Pedófilos


> Em Évora, minha terra natal, ainda existem dois clubes de futebol. O Lusitano e o Juventude. Os meus familiares ficaram intimamente ligados à fundação das duas agremiações. O meu pai, Eduardo Faustino, preferiu o Juventude, indicado como a associação dos pobres. O meu tio Alberto Faustino, ilustre benemérito do Lusitano de Évora, o clube dos ricos. O meu pai, empreiteiro de construção civil resolveu emigrar para o Brasil e deixar a minha mãe com três crianças nos braços. Uma história que será contada um dia com os pormenores de telenovela. O meu tio Alberto resolveu cooperar com o meu avô José Gomes Severino, o "Zé Marinheiro" amigo do rei D. Carlos, no que respeitou aos gastos com a minha escolaridade. Mas, eu queria era jogar à bola. Fugia de casa e ia ter com o Prates, Guinapo, Carranca, juntávamo-nos aos filhos do rei dos ciganos e num ápice estávamos a entrar em campo. Junto às muralhas que ainda circundam a cidade histórica, num campo pelado junto à estrada, onde os carros paravam em fila para que os seus proprietários pudessem assistir às grandes peladas entre a "vadiagem" dos diferentes bairros e que, normalmente, acabavam em pancadaria e à pedrada. A minha loucura pelo jogo da bola levou-me a faltar constantemente à escola primária. Um dos assistentes das peladas levou-me para jogar nos infantis do Lusitano de Évora, mas as queixas consequentes do director da escola junto do meu avô não se fizeram esperar, apesar de eu sacar uns chouriços e uns queijos da adega lá de casa para "silenciar" o professor da minha classe.

Na rua Cândido dos Reis (antiga rua da Lagoa), número 48, no centro histórico eborense, ainda está situada uma mansão atraente, com uma fachada única de azulejos verdes, que me serviu de berço. Mais de vinte divisões, que incluia oito quartos, salas de jantar e de estar (numa delas assisti ao início das transmissões da RTP), um labirinto que acabava numa cocheira que servia para jogarmos à bola, realizar sessões de circo para a vizinhança, representação de uma espécie de teatro e de cançonetismo para atracção das amigas das minhas duas irmãs e, com a modernice dos tempos, depois do resguardo de cavalos passou a garagem do carro preferido do meu avô, um VW carocha. Hoje, a grande residência da família está cedida por primos meus ao PSD, local privilegiado onde o partido político tem a sua sede distrital.
Na residência vivia-se abastadamente. Os meus avós procuravam que nada faltasse aos três netos através de uma criadagem carinhosa e fraterna. A Mimi, a Inácia, a Anica e a Angélica trataram-me sempre como um príncipe e o motorista Venâncio ensinou-me a guiar quando eu tinha apenas oito anos. Foram eles que choraram como crianças quando o meu avô anunciou que "o menino Joãozinho tem-se portado muito mal, só pensa em jogar à bola, faltava à escola, enfiei-o nos Salesianos, fugiu da escola salesiana, tem roubado chouriços, charutos e queijos para dar não sei a quem e como não quero um neto vadio vai para aluno intemo da Casa Pia". Os soluços ouviam-se por todas as divisões da casa, a Mimi foi implorar à minha avó que não deixasse o meu avô dar cumprimento à decisão. Sem êxito. Numa manhã fria de Outubro, vi-me de repente com o cabelo rapado à escovinha, de bibe aos quadradinhos minúsculos azuis e brancos, calções sem bolsos e diante de uns trinta rapazes que me olhavam como estivessem a admirar um macaco numa jaula. Um deles, iniciou o monólogo: "Tu é que és o neto do ricalhaço, não és? Tens muita porrada para comeres. Para já vais limpar as casas de banho que não és nenhum barão aqui dentro". Era a voz de um dos mais velhos e a quem a direcção da Casa Pia já o tinha imbuído na função de "perfeito" [os indivíduos que nos colégios ajudavam a direcção do estabelecimento nas tarefas de vigilância e controlo do comportamento dos alunos].
Na Casa Pia de Évora o director era o padre Cristóvão, assistido pelo padre José Maria. Cristóvão era enorme, forte, atencioso e compreensivo. O José Maria resolvia tudo à bofetada e à paulada. Na Casa Pia aprendia-se de tudo: fazer a cama, lavar roupa, varrer, limpar casas-de-banho, apanhar azeitona e laranjas até as mãos gelarem, ordenhar vacas, ser-se alfaiate, carpinteiro, ferreiro, mecânico, electricista, pintor, tipógrafo, cozinheiro, futebolista, revoltado, homossexual e pedófilo. Os mais velhos estragavam toda uma orgânica de recuperação e integração de jovens sem pai e mãe. Eu tinha pais, mas não os tinha por perto. O meu avô era o tutor e como era muito rico e influente, rapidamente conseguiu a aprovação do padre Cistóvão para o meu ingresso na Casa Pia. Os mais velhos exploravam, ridicularizavam e abusavam dos mais novos. Um dia, fui ao urinol e estava lá um dos tenebrosos alunos mais velhos, um indivíduo odiado por todos os outros. O caloiro neto do ricalhaço "Zé Marinheiro" estava a ter o seu primeiro encontro a sós com o intratável veterano. Quando me preparava para abandonar a casa de banho, o fulano puxou-me e queria obrigar-me a masturbá-lo. Consegui fugir, entrei a correr pelo gabinete do padre Cristóvão e gritei que queria falar com o meu avô. Depois de grande insistência, o meu avô confrontado com o sucedido, naquele preciso momento pegou em mim e terminou com a minha experiência de dois anos junto de uma das mais sofridas comunidades existentes em todo o mundo: os órfãos sem eira nem beira, que na maior parte das vezes caem nas mãos dos maiores e mais horrorosos "tubarões". O caso da Casa Pia de Lisboa fala por si...

PARTICIPAR FAZ FALTA

> A partir de hoje, tem ao seu dispor a plataforma autarquias.org.
Com o autarquias.org os cidadãos podem alertar os municípios para as mais variadas situações, desde lixos na via pública, postes de iluminação que não funcionam, buracos na via pública, equipamento danificado, problemas nos abastecimentos, ou outros tipos de problemas, que muitas das vezes as Câmaras Municipais não tem conhecimento.
Os cidadãos podem acompanhar as respostas das autarquias aos alertas apresentados por outros cidadãos, como também participarem nesses mesmos alertas adicionando comentários.
O autarquias.org permite também a criação de debates por cidadãos que pretendam discutir assuntos que lhes pareçam pertinentes com outros cidadãos e com o próprio município ou questionar a autarquia sobre um assunto do interesse de todo o município., como também a abertura de petições.

E O BURRO É O OUTRO?


> Cristiano Ronaldo esteve, ou ainda está, aleijado. Vários médicos em Espanha e Holanda confirmaram a lesão. O Real Madrid informou a Federação portuguesa da possibilidade de o jogador ficar perdido para o futebol, caso jogasse de imediato pela selecção portuguesa. Cristiano, ao longo dos jogos de qualificação para o Mundial 2010 não marcou qualquer golo.
Mas a esperteza máxima, o assistente de treinador Queiroz, quer à força o jogador em Lisboa para defrontar uma equipa equivalente ao Sambrasence, da Distrital do Algarve que se encontra em último lugar.
E o burro é o outro?

CARMINDICES


Carmindo Mascarenhas Bordalo*



PINTO MONTEIRO: O VÉRTICE DO PROBLEMA

> A Justiça portuguesa passa por um dos seus piores períodos em termos de credibilidade.
A demora na tramitação nos processos e uma sensação de que muitas vezes só quem é pobre sofre consequências foram minando a sua imagem.
Mas a isso juntou-se, com o processo da Casa Pia, uma campanha sistemática nos órgãos de comunicação social para denegrir a Justiça e os seus agentes, especialmente os juízes e o Ministério Público.
Aproveitando uma conjuntura política de menor interferência política no funcionamento dos tribunais e de passageiro afastamento de alguma influências maçónicas, ao que não foi alheio o mandato de Souto Moura como Procurador-Geral da República, a Justiça começou a investigar de forma mais rigorosa assuntos que podiam beliscar gente poderosa. Além do processo da Casa Pia, surgiu o "Apito Dourado", revelando a coragem de atacar aquilo que há muitos anos se dizia publicamente: havia corrupção nas altas esferas do desporto.
Mas, como é evidente, quem se mete com os poderosos ... leva!
Logo se levantou um movimento de crítica aos operadores judiciários e às leis vigentes. Eram os mesmos de antes, mas agora eram maus porque pessoas do PS tinham sido incomodadas por eles. Enquanto era o Zé da esquina a sofrer, os Código Penal e de Processo Penal eram excelentes e até eram atacados por excesso de brandura (como fez Guterres em 1995). Mas se o arguido for Paulo Pedroso, a brandura já não é assim tanta.
Tal burburinho se levantou que o governo Sócrates cavalgou essa onda de demagogia e alterou, de forma criticada por melhores especialistas, aqueles diplomas. Além disso, os magistrados que cairam na asneira de enfrentar quem não deviam foram enlameados em público (como Souto Moura, que sempre fora considerado um brilhante jurista e até fora escolhido por um governo PS) e ainda sofrem pesadas consequências (como acontece com o juiz Rui Teixeira).
Mas o culminar do ataque surgiu em 2006.
Para o lugar de Procurador-Geral da República (e, portanto, máximo responsável pelo Ministério Público, a quem cabe a acção penal) foi escolhido pelo socratinismo, e aceite pelo cavaquismo, Fernando Pinto Monteiro.
Pinto Monteiro era Conselheiro no Supremo Tribunal de Justiça, não tendo qualquer experiência de direito ou de processo penal há mais de 30 anos. Só por aqui, uma escolha mais do que discutível.
Além disso, tratou-se de colocar um juiz à frente da magistratura autónoma do Ministério Público, depois de 22 anos de PGR's oriundos do próprio Ministério Público, num sinal de desprezo por aquela autonomia.
Chegado à Procuradoria, Pinto Monteiro impôs o nome de Mário Dias Gomes para seu Vice, uma figura que há largos anos estava afastada do Ministério Público enquanto ocupava lugares da órbita política. O Conselho Superior do Ministério Público ainda tentou reagir, chumbando-o numa primeira votação, mas a deselegante insistência de Pinto Monteiro e convenientes faltas à 2ª votação acabaram por entronizar Dias Gomes.
Um início pouco auspicioso.
Mas o pior estava para vir.
No caso da licenciatura de Sócrates, Pinto Monteiro mete os pés pelas mãos com declarações contraditórias: primeiro nada existia para abrir inquérito, depois, embora sem grandes novidades em matéria de facto, já havia matéria para investigação.
Tudo terminou com Cândida Almeida arquivando o processo e fazendo vista grossa a elementos que, no mínimo, fariam com que o Ministério Público pedisse judicialmente a declaração de nulidade do grau domingueiro e conferido sem plano de estudos aprovado por órgão científico!
Cândida Almeida, a apoiante de Mário Soares e que abraça em público Almeida Santos em confraternizações, foi quem Pinto Monteiro nomeou para investigar a licenciatura socretina, com tantos procuradores à disposição. Palavras para quê?
Aliás, só a própria intervenção de Pinto Monteiro nesse processo da Universidade Independente é de si inadmissível. É que, conforme foi noticiado no PÚBLICO em Outubro de 2007, um sobrinho de Pinto Monteiro foi beneficiado na atribuição de uma nota na Universidade de Coimbra por uma pessoa (o Prof. João Álvaro Dias) que era assessor do Reitor da Universidade Independente, director do curso de Direito desta universidade e um dos responsáveis pela gestão interna do dossiê Sócrates. Algo só de si grave, pois mostra cumplicidades estranhas, mas que mais grave é se se tiver em conta que a Universidade de Coimbra nunca denunciou essa irregularidade - o que fazia com que a classificação irregular do sobrinho do PGR estivesse escondida e gente ligada à Universidade Independente poderia divulgar o facto. Ou seja, uma permanente espada sobre a cabeça de um familiar do PGR.
É assim que funciona Fernando Pinto Monteiro.
Isto para não falar da grande amizade que une o seu irmão, o maçónico António Pinto Monteiro (Professor da Universidade de Coimbra), a José Sócrates.
E para não falar do seu ataque aos blogs, pois não os consegue controlar como queria ("Os blogs é uma vergonha", afirmou o PGR no Parlamento, mostrando o seu amor pela correcção linguística).
Inexperiência no funcionamento do Ministério Público e do direito e processo penal português, Maçonaria, irmãos amigos de Sócrates, sobrinhos beneficiados por gente do Reitor Arouca da Universidade Independente, procuradoras socialistas. Com ingredientes destes - e não é da missa a metade - o que é que se pode esperar de Pinto Monteiro? Grandes resultados?!


*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente

MARIA LISBOA, MARIA BONITA


Avenida da Liberdade

BOCAS NA RUA

Saco

- Ó Carlos, que grande bronca que está aqui no jornal!

- O que é, pá?

- O Godinho a entregar um saco ao Armando Vara!

- Ah!... Era um saco de sucata...

Domingo, Novembro 08, 2009

BOM FINAL DE DOMINGO


ANDRÉ COUTO ENTRE OS MELHORES NO JAPÃO


No momento de concentração antes da partida

A visitar uma das "boxes"

O pedido de autógrafos é uma constante na vida de um piloto


André Couto e o seu amigo de infância Rui Severino


> O meu amigo e "sobrinho" André Couto continua a ser um dos melhores pilotos de automóveis que pisou pistas japonesas. Este fim-de-semana, no circuito de Motegi, a contar para o campeonato de Super GT, o André Couto, mesmo com a "traição" dos pneus, obteve um excelente quinto lugar entre 14 adversários que terminaram a corrida ao longo de 250 quilómetros.
O JORNAL DO PAU andou pelos bastidores da corrida e oferece-vos alguns momentos da participação, em Motegi, do piloto português com residência em Macau. Desde Lisboa envio um grande abraço de saudade ao Rui e ao André.

VIRAR DE PÁGINA

Blogues Dias imperfeitos

BLOQUEIO

> Há quem diga que os portugueses vivem um bloqueio psicológico colectivo pós-eleitoral em relação à crise internacional.

Bloqueio não é. O problema é a face oculta...

PODEM APAGAR AS ESCUTAS DE SÓCRATES









>
As dezenas de transcrições de conversas entre Armando Vara e José Sócrates interceptadas durante a ‘Operação Face Oculta’, validadas por um juiz e enviadas para a Procuradoria-Geral da República em forma de certidão, correm o risco de ser destruídas, informa hoje o 'Correio da Manhã'. Basta que Pinto Monteiro, a quem as mesmas foram entregues há quatro meses, considere que as situações em análise não configuram ilícitos criminais, o que permite assim proceder à destruição das mesmas. Inacreditável.

TEM DE HAVER CORRUPÇÃO

> Como é que o país não se há-de reger pela corrupção se numa das mais importantes instituições, na PSP, os agentes estão a "arder" com dois milhões de euros por falta de pagamento dos mais diversos serviços. Os agentes da polícia são obrigados a ‘esticar’ o salário para pagar as rendas e despesas da casa. Tudo porque são vários os agentes, chefes e oficiais de polícia que não recebem os serviços gratificados há largos meses, alguns desde Março. De Norte a Sul, a dívida aos agentes da PSP ascende a perto de dois milhões e meio de euros. Vergonhoso.

MAGISTRADOS QUEREM PINTO MONTEIRO FORA DO MP

> Ainda este postal está fresquinho e já aí estão os magistrados do Ministério Público na mesma onda. Ontem, o Sindicato dos Magistrados do Ministério Público estiveram reunidos e chegaram à conclusão que o procurador-geral Pinto Monteiro não tem condições para estar à frente do cargo. Realmente, quatro meses com certidões de matéria gravíssima ligada a políticos implicados com o caso da 'Face Oculta' na gaveta, e durante períodos eleitorais, vale mais o senhor dedicar-se à pesca...

GRANDE SOVA

> José Pedro Aguiar-Branco parece vir a ser o candidato do "regime" para as eleições directas no PSD. Mas que grande asneira que fará o novo líder parlamentar 'laranja'.
Se Aguiar-Branco decidir defrontar Pedro Passos Coelho já pode contar com uma valente sova, naturalmente, em número de votos...

MARIA LISBOA, MARIA BONITA


Rua de São Paulo