Quarta-feira, Novembro 11, 2009
SS DESAUTORIZA O SEU PRESIDENTE
Almeida Santos tinha afirmado que "os submarinos não fazem falta para nada" e Santos Silva na sua primeira visita à Marinha declarou que "os novos submarinos constituem uma capacidade de que a Marinha precisa para ser equilibrada e poder desempenhar as funções que lhe estão cometidas".
Afinal, sobre este assunto dos submarinos, qual é a facção do PS que pontua?
CONSOLAÇÃO
O nosso colaborador Carmindo Mascarenhas Bordalo está de parabéns por ter sido a primeira pessoa a esclarecer publicamente os portugueses sobre esta matéria.
FACE
José Sócrates deverá nas próximas horas convidar Manuela Ferreira Leite a ocultar a face...
OS DONOS
Usam e abusam do poder como se fosse
direito próprio que algum deus lhes trouxe,
num jogo absurdo que se joga à margem
de regras, normas, ordens e preceitos.
E, porque tudo é seu, eis que a paisagem
se amolda aos seus caprichos e defeitos
e as leis ganham contornos e alçapões
que os poupam a quaisquer complicações.
Torquato da Luz, in Ofício Diário
DESAFIO

“A ÚLTIMA ESPERANÇA”
> Assistimos presentemente a mais um exemplo degradante da perversão do exercício do “poder”. A coberto do Estado de Direito, cometem-se vergonhosas ignomínias contrariando sem pudor os seus fundamentos, mesmo os mais nobres e inquestionáveis. Com efeito, a Lei, como seu elemento primeiro, deverá sempre respeitar os valores fundamentais da sociedade e nunca poder ser instrumento do seu atropelo. Assim não acontece.
O actual Código Penal, cuidadosa e responsavelmente elaborado por um dos criminalistas mais notáveis de sempre, reconhecido como uma autoridade a nível mundial na matéria, dito pelos seus pares, logo, por quem sabe, foi, logo que possível, subvertido conveniente e estrategicamente, por quem não dispõe nem de competência, nem de credibilidade equivalente ao autor. Estamos naturalmente a referir-nos à Lei 48/2007, feita, segundo consta, pelo ministro Rui Pereira, aprovada por um Conselho de Ministros de um governo com maioria absoluta e promulgada por um Presidente da República que, de tanta “cooperação institucional”, já satura.
Com uma “orquestra” destas ficamos pois nas mãos de quem? Do “Fado”! ou seja, do nosso destino que há muito se vem mostrando demasiado sombrio para que possamos continuar a aceitá-lo como que, se de uma condenação se tratasse. Parece que assim é, mas talvez haja uma ténue esperança que assim não seja…
Assim, embora tenha uma imensa admiração pelas opiniões do meu ilustre colega bloguista, professor catedrático Carmindo Mascarenhas Bordalo, segundo penso de Direito, muitíssimo conhecedor não só desta matéria específica mas dos meandros por onde se decide muita da “vida” deste país e embora tome sempre em devida consideração as suas opiniões, tenho alguma esperança que desta vez ele ainda possa vir a concluir (e julgo saber que ele também ficará feliz por isso) que numa determinada “Crónica” afinal não tinha toda a razão. Trata-se do actual PGR, o Dr. Pinto Monteiro, ser o “Vértice do Problema” ou… quem sabe… talvez uma das “Bases da Solução”. Pelo meu lado, faço figas pela segunda hipótese.
Trata-se pois, de podermos ou não, voltar a acreditar nas instituições nacionais, as mais importantes, diga-se, para que a transparência neste país seja um ponto de honra, aliás, fundamental à mobilização social que se impõe para que possamos colectivamente sair (bem) do “fossa séptica” nacional em que estamos.
Todos sabemos que o PGR, Dr.Pinto Monteiro, não morre de amores pelo actual Meritíssimo (será???) actual presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Dr. Noronha do Nascimento, personalidade, de quem não gosto, não porque possa ou saiba fundamentar tecnicamente tal animosidade, mas porque julgo ter aprendido a conhecer as pessoas através de certos tiques e tal indivíduo, pela forma como fala, como olha, como reage, configura, no conceito de homem que subconscientemente formatei, alguém em quem não se pode confiar, mais ou menos como “aquele” de quem Saramago diz das boas. E diga-se, que apesar de saber que ele é “avermelhado”, essa não será nunca nem é razão ponderável, dados os imensos comunistas que fazem o imenso favor de serem meus amigos, apesar de eu nunca ter alimentado nenhuma simpatia por tal sistema político.
Nesta vergonha da “nulidade das escutas”, para evitarmos mais uma machadada na nossa dignidade enquanto particulares deste estranho colectivo, apesar de presumir que o Dr. Pinto Monteiro possa fazer muito pouco, ainda guardo uma leve réstia de esperança que ele saiba, com base no imenso conhecimento que sem dúvida todos lhe reconhecem, fundamentar uma decisão contrária que nos permita recuperar alguma da dignidade que, factos como este nos têm sistematicamente e injustamente roubado.
Eu até poderei ser capaz de conviver com um primeiro-ministro potencialmente aldrabão e criminoso, o que não posso é aceitar que ele fique impune, e continue a sua cavalgada irresponsável sem que as instituições o façam assumir as consequências dos seus actos. Pior, quando se apregoam as virtudes de um Estado de Direito é inconcebível que seja exactamente através dos seus elementos fundamentais, as “Leis” que se avilte, subverta e amesquinhe os Princípios, os Valores e os Ideais da Sociedade Livre e Moderna que apregoamos ser.
*Cronista residente
BOCAS NA RUA
- Ó Bentes, o Sporting já tem um novo treinador!
- Não me digas?!... Quem é?
- Para combater o Jesus... só pode ser o José Saramago...
O feicebuque DA MINHA VIDA (4)
> Em 1970 desembarquei em Díli, capital da Província de Timor, a tal ilha para onde se deportavam os políticos inimigos do regime. Após uma viagem de quase dois meses circundando a costa africana e atravessando o Oceano Índico, o navio 'Timor' com centenas de militares [vestidos à civil não fosse o diabo "inventar" que iam ali militares...] a bordo e comandados pelo capitão Salavessa da Costa, chegámos a Díli sob um calor tórrido e húmido, quase insuportável. Metade da "carga" militar destinava-se a Macau e a outra metade a Timor português. O meu destino era Ermera, uma localidade na montanha timorense, na zona das plantações de café, onde deveria render um camarada artilheiro que tinha sido evacuado em estado lastimável. Contudo, as minhas qualidades para servir na rádio e no jornal militares concederam-me o dom de ficar pela capital, diga-se, à boa vida.
Após ter sido colocado no Quarte-General e ter iniciado os primeiros passos por uma terra tão estranha quanto cativante, apercebi-me que a reputação dos militares andava muito por baixo. O que tinha acontecido ultrapassava o limite do risível em absoluta simbiose com uma falta vergonhosa de seriedade e de princípios militares. O falatório advia, em causa-efeito, de um facto lamentável que tinha passado impune.
O Destacamento de Serviço de Material tinha proposto ao Comandante Militar que se efectuasse uma nova aquisição de jipes, unimogues, carrinhas, escavadoras, camiões GMC e respectivos sobressalentes. Enfim, uma fortuna incalculável em material novo a distribuir pela Província. Como o Comandante Militar era uma personalidade recentemente chegada ao território e tendo estranhado a pretensão de adquirir-se uma tão avultada encomenda de material novo vinda de Lisboa, indagou a razão pela qual o material velho tinha sido abatido à carga. Resposta: destruído pela formiga branca...
ESMIUÇAR
BOCAS NA RUA
- Ó Adalberto, os bispos são a favor do casamento de homossexuais!
- Estás doido, pá!
- Os bispos é que estão! Disseram que não apoiam o referendo...
VACINA ANTI-SÓCRATES
NEM PARECE NO BRASIL
VELHOS A 200 À HORA
É natural. Por isso, é que andamos com a face oculta...
ACABAR COM O PETRÓLEO
O futuro está no desenvolvimento das energias renováveis, especialmente do hidrogénio, e simultaneamente na rejeição do petróleo. Entretanto, anuncia-se mais uma ajuda à nossa destruição. AQUI
NANI ANTI-QUEIROZIANO
"Na selecção fazem-me festas e depois vou para o banco"
Nani, hoje no 'i'
O POLVO PERDEU A GRAÇA
Acabaram-se as insinuações...
CARMINDICES

SÓCRATES PREVENIDO VALE POR 48.../2007!
> Notável!
*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
ISTO ESTÁ A FICAR REVOLTANTE
Sem comentários.
MAIS VERÃO
Terça-feira, Novembro 10, 2009
NO MELHOR DA VIDA

> Estas são as piores notícias. A morte de jovens na flor da vida e no auge da carreira. Robert Enke, ex-guarda-redes do Benfica, 32 anos, morreu quando atirou o seu carro para debaixo de um comboio, na Alemanha. Enke, que estava indicado como o guardião alemão para o Mundial da África do Sul, deixa mulher e uma filha adoptiva. Só Enke sabe a razão da vida já não lhe dizer nada quando as palmas eram imensas.
50 CASSETES PARA O LIXO
Entretanto, o presidente do STJ, Noronha Nascimento, informou que há dois meses que enviou o despacho para o procurador-geral da República. E o 'Expresso online' anunciou que esse despacho do presidente do STJ insere a anulação das certidões porque se tratou de escutas realizadas ao primeiro-ministro sem a indispensável autorização de um juiz do STJ. Errado. Balela. Cambalacho noticioso. Tentativa de aldrabar a opinião pública porque... porque as escutas não foram realizadas ao primeiro-ministro, mas sim a um cidadão normal como todos nós, que por acaso se pôs ao telefone com vários "amigos", entre eles, José Sócrates que, por sinal, é primeiro-ministro.
Não vale atirar com as 50 cassetes de escutas que deram tanto trabalho à PJ para o lixo acompanhadas de uma justificação irracional.
Não vale atirar com areia para os olhos...
POR ACASO
O feicebuque DA MINHA VIDA (3)
> Quando frequentei o Colégio La Salle, em Abrantes, um dos meus professores, o Irmão Florentino, disse um dia em voz alta perante a turma que "o Severino só vai ser uma de duas coisas: advogado ou jornalista". O Irmão Florentino, psicólogo exímio e profundo conhecedor do ego de todos os alunos, acertou em cheio. Na adolescência a tendência era para participar em tudo o que fosse jornais de parede e mais tarde, no serviço militar, a minha escrita esteve sempre presente nos jornais de caserna. Com 14 anos já debitava notícias para microfones com ligeireza e o pontapé de saída para uma carreira no jornalismo estava dado.
Durante a minha comissão de serviço militar em Timor, o coronel Sales Grade, chefe do Estado-Maior do Comando Territorial, encontrou em mim qualidades para que me dedicasse ao jornal e programa de rádio militares naquelas paragens orientais.
Quando regressei a Portugal, em 1972, soube de uma vaga para o Telejornal da RTP. E como o sonho de vir a ser jornalista não me deixava pensar em outra hipótese, e como os estudos universitários tinham ficado a meio, resolvi meter uma cunha ao meu padrasto Ruy Andrade, dos Parodiantes de Lisboa, e este falou com o seu amigo Soares Louro que, por sua vez, indicou-me a Vasco Hogan Teves que era o director de informação. Hogan Teves ainda hoje é um homem de elevada correcção e cordialidade. Naquele tempo distinguia-se por um profissionalismo exigente que colocava em todas as acções na redacção uma competência exemplar, mas recordo com precisão a disponibilidade do director Teves para ensinar os mais novos nas mais diversas e complicadas tarefas do jornalismo televisivo. De salientar, que naquele tempo quando se partia para uma reportagem íamos na companhia de quatro companheiros: o motorista, o operador de imagem, o assistente de operador de imagem e o operador de som. De regresso ao estúdio, entregava-se o filme e o som para revelação e registo, gravava-se com a nossa voz o som off quando fosse caso disso, passávamos à sala de montagem onde as senhoras montadoras realizavam o trabalho sob a orientação do jornalista (fartava-me de rir quando o som não condizia com a imagem) e no final chamava-se o chefe de redacção ou o director para a luz verde de transmissão do nosso trabalho. A censura só era apertada em tempo de eleições.
O meu ingresso na RTP foi aprovado em 1973 por Ramiro Valadão, presidente do conselho de administração da empresa, que logo no primeiro dia de trabalho quis conhecer-me. "Você é muito jovem mas disseram-me que tem muito boa vontade e vem de família da rádio. Boa sorte e cuidadinho com as moscas...". Nunca me explicou de que moscas se tratavam, mas pelo seu sorriso e pelo ar de malandrice de quem o acompanhava no momento - um dos maiores apreciadores das caras bonitas da RTP (o chefe de redacção José Manuel Marques) - logo compreendi onde quereria chegar o "patrão" da televisão portuguesa.
Na RTP conheci pessoas de todo o género e feitio. Não tenho memória para todos, mas quero aqui homenagear aqueles de quem me recordo: João Soares Louro, Vasco Hogan Teves, Miguel de Araújo, José Manuel Marques, José Mensurado, Isabel Wolmar, Manoel Caetano, Henrique Mendes, Fialho Gouveia, Carlos Cruz, José Gomes Ferreira, Adriano Parreira, Alice Cruz, Rui Romano, Ana Zanatti, Maria Fernanda, Irene Carrapiço, Afonso Rato, Serafim Marques, Bessa Tavares, Armando de Carvalho, João Coito, António Ribeiro Soares, Francisco Ribeiro Soares, Rodrigo Emílio, Vítor Direito, Licínia Gomes, Sarsfield Cabral, Fernando Pessa, Eládio Clímaco, Raul Durão, António Santos, Maria Elisa, Maria Margarida, José Rebordão Esteves Pinto, Herculano Carreira, Abílio Abrantes, Adriano Cerqueira, Pedro Mariano, Paulo Morais, Mário Gonzaga Ribeiro, João Facha, Luís Andrade, Armindo Mendes, Álvaro Guerra, Carlos Albuquerque, José Eduardo Moniz, Sousa Veloso, Artur Ramos, António Borga, Cesário Borga, Avelino Rodrigues, Mário Cardoso, José Gabriel Viegas, Seruca Salgado, Joaquim Vieira, Manuel Bom, António Manuel, Manuela de Melo, Alves dos Santos, Fernando Balsinha, Joaquim Letria, Luís Alberto Ferreira, Adelino Gomes, Joaquim Furtado, Carlos Blanco, Hélder de Sousa, João Moreira de Almeida, Maria de Lurdes Modesto, Vasco Granja e muitos actores, cançonetistas, fadistas, realizadores e produtores que passaram por aquela casa e que poderão vir a terreiro ao longo das nossas histórias sobre a RTP.
VISÃO
BOCAS NA RUA
- Ó Nené, estou chocado!
- Por quê, pá?
- O Supremo Tribunal de Justiça diz que as escutas ao Sócrates são nulas!
- Não tens nada que ficar chocado, pá! Acima de tudo deve cumprir-se a lei... não te esqueças que vivemos num Estado de Direito...
- Desculpa lá, pá (soluço)... não me conformo, pá (soluço)... é muito triste (soluço) que o Supremo Tribunal entenda que as conversas entre amigos não valem nada...
NINGUÉM SABE A LEI

> Os agentes da Polícia Judiciária e os magistrados do Ministério Público andaram a estudar durante anos para ficarem habilitados a trabalhar. Um trabalho sui generis de pesquisa, investigação, de prática do Direito, da Psicologia, da constitucionalidade, um todo peculiar e necessário a uma conclusão fundamentada e credível.
Mas afinal, parece que pouco ou nada sabem de leis, ou querem fazer desses agentes uns parvos que têm de calar a boca quando se trata de alguém de colarinho branco. Se não, vejamos: em Aveiro, uma directoria da PJ com magistrados do MP e juízes após a investigação de um caso que embarca vários tipos de crimes, concluíram que existiam vários fundamentos, entre eles, conversas graves e suspeitas entre um dos alegados criminosos e o primeiro-ministro, para que um processo-crime devesse prosseguir. Entretanto, enviaram certidões das escutas telefónicas para a Procuradoria-Geral da República. Esta, como confere a lei, enviou para o Supremo Tribunal de Justiça por se tratar de matéria relacionada com o primeiro-ministro. O STJ há mais de dois meses exarou despacho e mandou arquivar, alegando que as escutas não obtiveram o "carimbo" de um juiz superior.
Bonito país, onde afinal, parece que todos os que trabalham em prol da transparência podem ser desautorizados porque... não sabem as leis pelas quais se deviam reger. Será verdade? Duvido. É um direito que me assiste, o direito à dúvida...
© jes
VARAS SUPREMAS
CARMINDICES
ASSIM SE ESCREVE EM BOM VARÊS
*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
Segunda-feira, Novembro 09, 2009
OVAR
Tudo começou a ficar mais quente a partir de Ovar...
O ÊXITO DO MOMENTO
> Uma banda constituída por quatro adolescentes acaba de lançar uma canção composta com a ajuda de dezenas de fãs do popular site de partilha de vídeos YouTube.
Tudo começou quando Charlie McDonnell, 19 anos, e mais três amigos decidiram unir forças para concorrer ao ChartJackers da BBC. Trata-se de uma iniciativa do serviço público de rádio da Grã-Bretanha onde os concorrentes se propõe compor uma canção que consiga entrar nos tops britânicos partindo completamente do zero.
Sem dinheiro ou contactos no competitivo mundo da música, aos concorrentes só resta pedir ajuda aos milhões de internautas do YouTube . E foi assim que nasceu a canção "I've got nothing" (Não tenho nada), um tema composto à imagem dos grandes hits da pop.
A letra foi compilada a partir dos comentários dos cibernautas, que também contribuíram com a melodia. Charlie McDonnell e os amigos recolheram e seleccionaram os diversos contributos. O produtor também foi encontrado através do YouTube. Os participantes no teledisco são frequentadores habituais de um dos sites mais visitados do mundo. Os professores de canto da prestigiada Fame Academy, Carrie e David Grant, também deram uma ajuda.
O tema está disponível desde hoje na loja de música online iTunes revertendo o produto da venda para obras de caridade.
Se será, ou não, um grande sucesso, o futuro dirá. Para já, não deixa de ser mais um exemplo acabado de como a colaboração através da Internet, devidamente coordenada de dezenas de internautas em todo o mundo, poderá ser tão bem sucedida como as poderosas máquinas das editoras discográficas.
DESAFIO

“FANTÁSTICO PEQUENO GRANDE HOMEM”
> A África é hoje palco de mais um enorme drama a que o “mundo civilizado” assiste quase impávido. Com efeito a hipocrisia que tem norteado as múltiplas intervenções dos poderes dos países do lado de cá, tem sido confrangedora e mesmo revoltante. A ideia que nos fica é que estão empenhados na proliferação dos males embora se escondam permanentemente atrás de embrenhadas fórmulas de apoio humanitário que nunca se efectivam ou quando o fazem, é-o ineficazmente e dando a nítida ideia de que é só “para inglês ver”.
A actual pandemia da SIDA naquele continente, é disso caso paradigmático, mas não é meu propósito abordar agora as vicissitudes e vergonhas que têm inundado os anúncios e as intervenções dos países abastados, na resolução desta catástrofe humanitária, mas uma coisa não quero desde já afirmar: TAIS ACÇÕES CONFIGURAM UM MODELO REBUSCADO MAS CLARO, DE LIMPEZA ÉTNICA, e tenho esperança que brevemente algum dos poderosos, forçosamente “marginal” e seguramente corajoso saiba nos areópagos internacionais certos, colocar a nu toda a verdade deste crime.
O que quero aqui abordar é uma pequena faceta das dramáticas consequências humanas dum destes flagelos.
Como resultado imediato da SIDA poucas são as famílias a quem ela não tenha já “levado” um ou mais dos seus elementos e são imensas as que, mesmo só a nível do seu núcleo, já não estão integras, sem algum ou alguns dos seus filhos, sem pai, sem mãe e mesmo sem ambos. Este é infelizmente o quadro que melhor nos dá uma imagem verdadeira da actual situação social africana. E tende a piorar muito.
Por esta razão, muitas são as crianças, com 13, 14 anos e menos que são obrigadas a assumir o papel de chefes de família, cuidando dos irmãos mais novos, porque os pais lhes foram prematuramente “roubados”.
O caso que relatarei seguidamente reporta-se a Moçambique. Num país onde os recursos naturais já não são abundantes como outrora, onde a agricultura está arruinada e é quase improdutiva, onde a pesca em águas interiores é praticamente inexistente e os meios para a fazer não existem, onde as instituições, fora dos grandes centros populacionais não funcionam, tais heróis, dão-nos, no seu “normal” dia a dia, permanentes provas de estoicismo e de uma enorme dimensão humana. Passando vulgarmente fome para acudirem primeiro às necessidades dos mais novos, prosseguem sem queixume no tenebroso sacrifício que são as suas vidas quotidianas.
São miúdos e miúdas que mostram o que de melhor temos enquanto elementos desta espécie. Facetas de que já nos distanciámos e que muitos de nós já nem sequer sabem que existem, nestas sociedades de plástico em que vivemos, cá deste lado.
Uma destas crianças, o Nielson, hoje com 16 anos, com a sua prole de dois irmãos mais novos, exclusivamente a seu cargo já há mais de dois anos, ainda não há muito tempo, contando a um repórter o que era a sua vida, desde a construção da própria humilde casa onde viviam, com recurso a materiais primários tão chocantemente rudimentares, até aos parcos utensílios com que tentavam suprir as suas necessidades, bem abaixo do limiar do elementar, sendo então questionado sobre o que é que precisava, com um sorriso admirável mas ao mesmo tempo assustador, respondeu que não precisava de nada, que tinha tudo quanto desejava para continuar a arcar com tal desproporcionada responsabilidade. Porque para ele, face ao terrível monstro que lhe havia “ceifado” os pais, parecia bastar-lhe continuar a ter saúde. Sabia que a sua determinação de continuar nunca seria abalada e tinha força e competência já demonstradas para prosseguir naquela hercúlea tarefa; quanto ao resto pouco peso teria portanto, na sua óptica.
É esta dimensão, a mais nobre que podemos encontrar dentro de nós, que escasseia nas sociedades ditas desenvolvidas. Conquistadas pela inveja, pela opulência, pela ostentação e pela ganância sem limites, alimentam-nos no que de pior também temos nos nossos íntimos e o resultado é algo de que nem por sombra podemos comparar com a digníssima e nobilíssima dimensões desta criança frágil mas que contém dentro de si um grande homem que não pode deixar incólume a emoção de todos quantos ainda prezem a Humanidade.
*Cronista residente
Consideração
António Martins da Cruz não me merece a maior consideração... Por quê? Proibido explicar.
09.11.09
ESTA NOTÍCIA É FALSA
"Os doentes que ficaram cegos com um tratamento oftalmológico no Hospital Santa Maria já foram informados pelos médicos de que a cegueira é definitiva e sem qualquer hipótese de recuperação".
PSICÓLOGO TEM RAZÃO
A pessoa que me escreveu alvitra que regresse à primeira forma relativamente à permissão de comentários anónimos "porque não se esqueça que acima de tudo fazem divertir quem frequenta o seu blog" e também porque "se o criticam e se o vinham ofender é porque o liam e o importante é que o leiam".
Pensando bem, acho que o amigo psicólogo tem razão e que é importante que os frustrados que percorrem a bloga possam expelir o seu fel. Assim seja.
AÍ ESTÁ ELE
Pois, entendi-te!
O SEXTO SENTIDO


Catarina Price*
Mães e Mulheres .. tal como eu
Vejo-as todas as manhãs.
São vidas que correm paralelas à minha, tão perto quanto um sorriso de bom-dia faz a diferença, e no entanto tão longe da realidade que me envolve. Mulheres que limpam, lavam, esfregam e desinfectam enquanto eu escrevo, traduzo, analiso, preencho e opino, num trabalho que normalmente nem se vê, nem se dá conta que existe e que alguém o faz.
À custa de noites interrompidas e de madrugadas passadas nos transportes públicos.
De que me queixo eu, afinal? Às vezes, quando páro para pensar, vem-me à mente que tudo não passou de um grande acaso. E de alguma sorte. Ou da falta dela.
*Cronista residente
BOCAS NA RUA
- Ó Lopes, sabes que o Sporting mudou de nome?
- De nome? Então, não é o Sporting Clube de Portugal?
- Não, pá! Agora passou a ser o Sporting Clube da Vitalis...
O feicebuque DA MINHA VIDA (2)
Futebol, Casa Pia e Pedófilos
> Em Évora, minha terra natal, ainda existem dois clubes de futebol. O Lusitano e o Juventude. Os meus familiares ficaram intimamente ligados à fundação das duas agremiações. O meu pai, Eduardo Faustino, preferiu o Juventude, indicado como a associação dos pobres. O meu tio Alberto Faustino, ilustre benemérito do Lusitano de Évora, o clube dos ricos. O meu pai, empreiteiro de construção civil resolveu emigrar para o Brasil e deixar a minha mãe com três crianças nos braços. Uma história que será contada um dia com os pormenores de telenovela. O meu tio Alberto resolveu cooperar com o meu avô José Gomes Severino, o "Zé Marinheiro" amigo do rei D. Carlos, no que respeitou aos gastos com a minha escolaridade. Mas, eu queria era jogar à bola. Fugia de casa e ia ter com o Prates, Guinapo, Carranca, juntávamo-nos aos filhos do rei dos ciganos e num ápice estávamos a entrar em campo. Junto às muralhas que ainda circundam a cidade histórica, num campo pelado junto à estrada, onde os carros paravam em fila para que os seus proprietários pudessem assistir às grandes peladas entre a "vadiagem" dos diferentes bairros e que, normalmente, acabavam em pancadaria e à pedrada. A minha loucura pelo jogo da bola levou-me a faltar constantemente à escola primária. Um dos assistentes das peladas levou-me para jogar nos infantis do Lusitano de Évora, mas as queixas consequentes do director da escola junto do meu avô não se fizeram esperar, apesar de eu sacar uns chouriços e uns queijos da adega lá de casa para "silenciar" o professor da minha classe.
Na rua Cândido dos Reis (antiga rua da Lagoa), número 48, no centro histórico eborense, ainda está situada uma mansão atraente, com uma fachada única de azulejos verdes, que me serviu de berço. Mais de vinte divisões, que incluia oito quartos, salas de jantar e de estar (numa delas assisti ao início das transmissões da RTP), um labirinto que acabava numa cocheira que servia para jogarmos à bola, realizar sessões de circo para a vizinhança, representação de uma espécie de teatro e de cançonetismo para atracção das amigas das minhas duas irmãs e, com a modernice dos tempos, depois do resguardo de cavalos passou a garagem do carro preferido do meu avô, um VW carocha. Hoje, a grande residência da família está cedida por primos meus ao PSD, local privilegiado onde o partido político tem a sua sede distrital.
Na residência vivia-se abastadamente. Os meus avós procuravam que nada faltasse aos três netos através de uma criadagem carinhosa e fraterna. A Mimi, a Inácia, a Anica e a Angélica trataram-me sempre como um príncipe e o motorista Venâncio ensinou-me a guiar quando eu tinha apenas oito anos. Foram eles que choraram como crianças quando o meu avô anunciou que "o menino Joãozinho tem-se portado muito mal, só pensa em jogar à bola, faltava à escola, enfiei-o nos Salesianos, fugiu da escola salesiana, tem roubado chouriços, charutos e queijos para dar não sei a quem e como não quero um neto vadio vai para aluno intemo da Casa Pia". Os soluços ouviam-se por todas as divisões da casa, a Mimi foi implorar à minha avó que não deixasse o meu avô dar cumprimento à decisão. Sem êxito. Numa manhã fria de Outubro, vi-me de repente com o cabelo rapado à escovinha, de bibe aos quadradinhos minúsculos azuis e brancos, calções sem bolsos e diante de uns trinta rapazes que me olhavam como estivessem a admirar um macaco numa jaula. Um deles, iniciou o monólogo: "Tu é que és o neto do ricalhaço, não és? Tens muita porrada para comeres. Para já vais limpar as casas de banho que não és nenhum barão aqui dentro". Era a voz de um dos mais velhos e a quem a direcção da Casa Pia já o tinha imbuído na função de "perfeito" [os indivíduos que nos colégios ajudavam a direcção do estabelecimento nas tarefas de vigilância e controlo do comportamento dos alunos].
Na Casa Pia de Évora o director era o padre Cristóvão, assistido pelo padre José Maria. Cristóvão era enorme, forte, atencioso e compreensivo. O José Maria resolvia tudo à bofetada e à paulada. Na Casa Pia aprendia-se de tudo: fazer a cama, lavar roupa, varrer, limpar casas-de-banho, apanhar azeitona e laranjas até as mãos gelarem, ordenhar vacas, ser-se alfaiate, carpinteiro, ferreiro, mecânico, electricista, pintor, tipógrafo, cozinheiro, futebolista, revoltado, homossexual e pedófilo. Os mais velhos estragavam toda uma orgânica de recuperação e integração de jovens sem pai e mãe. Eu tinha pais, mas não os tinha por perto. O meu avô era o tutor e como era muito rico e influente, rapidamente conseguiu a aprovação do padre Cistóvão para o meu ingresso na Casa Pia. Os mais velhos exploravam, ridicularizavam e abusavam dos mais novos. Um dia, fui ao urinol e estava lá um dos tenebrosos alunos mais velhos, um indivíduo odiado por todos os outros. O caloiro neto do ricalhaço "Zé Marinheiro" estava a ter o seu primeiro encontro a sós com o intratável veterano. Quando me preparava para abandonar a casa de banho, o fulano puxou-me e queria obrigar-me a masturbá-lo. Consegui fugir, entrei a correr pelo gabinete do padre Cristóvão e gritei que queria falar com o meu avô. Depois de grande insistência, o meu avô confrontado com o sucedido, naquele preciso momento pegou em mim e terminou com a minha experiência de dois anos junto de uma das mais sofridas comunidades existentes em todo o mundo: os órfãos sem eira nem beira, que na maior parte das vezes caem nas mãos dos maiores e mais horrorosos "tubarões". O caso da Casa Pia de Lisboa fala por si...
PARTICIPAR FAZ FALTA
Com o autarquias.org os cidadãos podem alertar os municípios para as mais variadas situações, desde lixos na via pública, postes de iluminação que não funcionam, buracos na via pública, equipamento danificado, problemas nos abastecimentos, ou outros tipos de problemas, que muitas das vezes as Câmaras Municipais não tem conhecimento.
Os cidadãos podem acompanhar as respostas das autarquias aos alertas apresentados por outros cidadãos, como também participarem nesses mesmos alertas adicionando comentários.
O autarquias.org permite também a criação de debates por cidadãos que pretendam discutir assuntos que lhes pareçam pertinentes com outros cidadãos e com o próprio município ou questionar a autarquia sobre um assunto do interesse de todo o município., como também a abertura de petições.
E O BURRO É O OUTRO?

> Cristiano Ronaldo esteve, ou ainda está, aleijado. Vários médicos em Espanha e Holanda confirmaram a lesão. O Real Madrid informou a Federação portuguesa da possibilidade de o jogador ficar perdido para o futebol, caso jogasse de imediato pela selecção portuguesa. Cristiano, ao longo dos jogos de qualificação para o Mundial 2010 não marcou qualquer golo.
Mas a esperteza máxima, o assistente de treinador Queiroz, quer à força o jogador em Lisboa para defrontar uma equipa equivalente ao Sambrasence, da Distrital do Algarve que se encontra em último lugar.
E o burro é o outro?
CARMINDICES

PINTO MONTEIRO: O VÉRTICE DO PROBLEMA
*Professor Catedrático Jubilado, cronista residente
BOCAS NA RUA
- Ó Carlos, que grande bronca que está aqui no jornal!
- O que é, pá?
- O Godinho a entregar um saco ao Armando Vara!
- Ah!... Era um saco de sucata...
Domingo, Novembro 08, 2009
ANDRÉ COUTO ENTRE OS MELHORES NO JAPÃO


> O meu amigo e "sobrinho" André Couto continua a ser um dos melhores pilotos de automóveis que pisou pistas japonesas. Este fim-de-semana, no circuito de Motegi, a contar para o campeonato de Super GT, o André Couto, mesmo com a "traição" dos pneus, obteve um excelente quinto lugar entre 14 adversários que terminaram a corrida ao longo de 250 quilómetros.
O JORNAL DO PAU andou pelos bastidores da corrida e oferece-vos alguns momentos da participação, em Motegi, do piloto português com residência em Macau. Desde Lisboa envio um grande abraço de saudade ao Rui e ao André.
BLOQUEIO
Bloqueio não é. O problema é a face oculta...
PODEM APAGAR AS ESCUTAS DE SÓCRATES

> As dezenas de transcrições de conversas entre Armando Vara e José Sócrates interceptadas durante a ‘Operação Face Oculta’, validadas por um juiz e enviadas para a Procuradoria-Geral da República em forma de certidão, correm o risco de ser destruídas, informa hoje o 'Correio da Manhã'. Basta que Pinto Monteiro, a quem as mesmas foram entregues há quatro meses, considere que as situações em análise não configuram ilícitos criminais, o que permite assim proceder à destruição das mesmas. Inacreditável.
TEM DE HAVER CORRUPÇÃO
MAGISTRADOS QUEREM PINTO MONTEIRO FORA DO MP
GRANDE SOVA
Se Aguiar-Branco decidir defrontar Pedro Passos Coelho já pode contar com uma valente sova, naturalmente, em número de votos...























